Padre Crépin Martial Monga tinha 36 anos e dedicava a vida à paz na República Centro-Africana. Foi morto na porta da própria casa paroquial

Na manhã de 29 de junho, o Padre Crépin Martial Monga caminhou até as margens do rio Mbomou com 175 pessoas recém-batizadas. Muitas delas eram cristãos deslocados pela guerra, acolhidos havia dias em sua paróquia. Foi o último ato pastoral da vida dele.
Naquela mesma noite, ao voltar para casa, o padre foi baleado na cabeça por homens armados ainda não identificados. Uma paroquiana que o acompanhava também foi atingida e segue internada em estado grave.
Um pastor que não fugia da guerra
Crépin Martial Monga nasceu em 1990, em Bangassou, e foi ordenado sacerdote em 2021. Servia como vigário da Paróquia São João Batista, em Zémio, no leste da República Centro-Africana, uma das regiões mais castigadas pela violência armada do país.
Zémio vive sob o peso de grupos armados que disputam o território há décadas. Milhares de famílias vivem deslocadas. Em meio a esse cenário, o padre Crépin coordenava o Comitê Local para a Paz e Reconciliação, uma articulação entre comunidades, autoridades e lideranças religiosas para conter a violência e proteger civis.
Não era um trabalho de gabinete. Era ir onde ninguém mais ia, sentar com quem ninguém mais sentava, e insistir que a paz ainda era possível.
Dom Aurelio Gazzera, bispo de Bangassou e missionário na África há mais de trinta anos, resumiu o que a região perdeu. Segundo ele, o padre trabalhou muito, e com grande dedicação, pela reconciliação de Zémio.
Uma vida entregue até o fim
As autoridades ainda não identificaram os responsáveis pelo crime. Fontes locais suspeitam que o assassinato não foi acaso, mas resposta direta ao trabalho de pacificação que o padre vinha sustentando havia anos naquela terra.
Antes dele, a paróquia já havia acolhido mais de três mil refugiados em diferentes momentos do conflito. O padre Crépin não escolheu ficar longe do perigo. Escolheu ficar onde o povo precisava de alguém que não fugisse.
Seu funeral foi celebrado em 1º de julho, na Catedral de Bangassou, depois de um percurso de treze horas por estradas precárias para levar o corpo até lá.
O que a Igreja ensina diante de uma morte assim
A Igreja não estimula a busca da morte, mas honra quem morre a serviço da caridade e da verdade. Um padre assassinado enquanto trabalhava pela paz, um dia depois de batizar cento e setenta e cinco pessoas, deixa um testemunho que nenhuma bala apaga.
Casos como este lembram a um Brasil distante, mas ainda católico, que a perseguição à Igreja não é história antiga. Acontece agora, em paróquias pobres, longe das câmeras, sustentadas por padres que continuam indo aonde poucos vão.
Reze por ele, e pela paz em Zémio
Reze pela alma do Padre Crépin Martial Monga e por todos os católicos perseguidos que hoje sustentam a fé em meio à guerra.
Reze também a Nossa Senhora, Rainha da Paz, por Zémio e por toda a República Centro-Africana, para que o sangue derramado não seja em vão.
Padre Pio, intercede por esta alma sacerdotal e por todos os que morrem servindo a Igreja.
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Fontes: EWTN News, ACI Digital, Vatican News, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), Fundação Pontifícia ACN, National Catholic Reporter.




