Censo 2022 do IBGE mostra que a região resiste onde o resto do país recua, com Crato e Juazeiro do Norte à frente de todas as cidades brasileiras

Em Crato, no interior do Ceará, oito em cada dez moradores ainda se dizem católicos. É o maior índice do Brasil entre as cidades com mais de cem mil habitantes. Enquanto grandes capitais esvaziam suas igrejas, uma cidade do sertão nordestino guarda, quase sozinha, a fé dos avós.
O Censo 2022, divulgado pelo IBGE, confirma o que a Regina Fidei já via de perto em suas viagens de missão pelo interior do país. O Nordeste é a última grande fortaleza católica do Brasil.
O Nordeste resiste, o resto do país recua
Entre 2010 e 2022, o Brasil perdeu 8,4 pontos percentuais de católicos. Caiu de 65,1% para 56,7% da população. Foi a maior queda já registrada desde que o IBGE começou a medir religião no país.
O Nordeste segurou a barra. A região concentra 63,9% de fiéis católicos, muito acima da média nacional. É a região mais católica do Brasil, seguida de perto pelo Sul, com 62,4%.
O Piauí lidera o ranking entre os estados, com 77,4% de católicos. O Ceará vem logo atrás, com 70,4%. A Paraíba completa o pódio, com quase 69%.
Crato e Juazeiro do Norte, dois santuários da fé
Nenhum dado impressiona tanto quanto o do Cariri cearense. Entre as cidades brasileiras com mais de cem mil habitantes, Crato tem a maior proporção de católicos do país: 81,3%. Juazeiro do Norte vem logo atrás, com 81,1%.
A explicação está na história do lugar. É a terra do Padre Cícero, do Círio, das romarias que atravessam gerações. É chão onde a fé ainda organiza o calendário, o trabalho e a vida da família.
Enquanto isso, o Sudeste urbano segue outro caminho. Cresce o número de espíritas, cresce o número de pessoas sem religião nenhuma. O Rio de Janeiro já tem quase 17% de moradores sem religião declarada.
Uma vitória que exige vigilância
É tentador ler esses números como motivo de conforto. Seria um erro.
O mesmo Censo mostra que os evangélicos avançaram 37% no Nordeste entre 2010 e 2022. É o maior crescimento evangélico do país, justamente na região que ainda é a mais católica. A fortaleza está de pé, mas o cerco não para de apertar.
Cada dado deste levantamento é também um chamado. Piauí, Ceará, Paraíba, Crato, Juazeiro do Norte, esses nomes não são estatística fria. São paróquias, são romarias, são famílias que ainda batizam, ainda casam na Igreja, ainda enterram com um padre ao lado do caixão.
Sustentar essa fé custa trabalho. Custa Missa, custa formação, custa quem vá de casa em casa lembrar ao povo simples por que vale a pena continuar católico num país que se afasta cada vez mais da Igreja.
O que fica
Nossa Senhora de Fátima pediu oração e penitência para que a fé não se apagasse da terra. O Nordeste brasileiro, sem saber, ainda vive parte desse pedido.
Padre Pio, apóstolo do Purgatório, intercede por cada família que resiste em manter viva a devoção dos antigos.
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Fontes: IBGE, Censo Demográfico 2022 (Religiões: Resultados preliminares da amostra).




