E se o seu trabalho pudesse ser a oração que você, muitas vezes, não consegue fazer?

As vidas de São José e de São Pio de Pietrelcina foram marcadas pelo trabalho incansável, sem buscar descansos ou distrações desnecessárias.
Um trabalhou para sustentar a Sagrada Família; o outro, pela salvação da alma de seus inúmeros filhos espirituais.
À primeira vista, suas vidas e missões parecem bem diferentes. No entanto, há um fio invisível que une esses dois santos: o empenho em usar o trabalho para se santificar.
Ambos entenderam que o labor cotidiano não é apenas uma necessidade, mas um caminho privilegiado de união com Deus e fizeram dele sua oportunidade de oferecer sacrifícios pelas almas.
Essa é uma lição extremamente urgente para os dias de hoje, em que o trabalho é visto de maneira cada vez mais mecânica e sem sentido espiritual.
São José: o trabalho para sustentar a Sagrada Família
São José foi um homem trabalhador, em um trabalho exigente e cheio de responsabilidade.
Com o suor do seu rosto ele sustentava Nossa Senhora e o Menino Jesus, os dois tesouros que nenhum outro ser humano teve a graça de proteger e guiar.
Ele não via suas tarefas como mero esforço físico, mas oferecia constantemente a Deus o fruto de suas fadigas.
Cada martelada, cada peça de madeira talhada, cada gota de suor era um ato de amor a Deus. Dessa forma, sua carpintaria tornou-se um altar onde ele adorava a Deus.
Por isso, o Papa Pio XII o proclamou Padroeiro dos artesãos. Seu testemunho ensina que o trabalho não afasta ninguém de Deus quando é oferecido a Deus.
Padre Pio: Consumido por Amor
Se São José trabalhou com as mãos para sustentar a Sagrada Família; Padre Pio trabalhava com a mente e o coração, e sua labuta foi tão ou mais desgastante quanto a de qualquer pai de família.
Ele não saía do convento, mas vivia uma rotina extenuante: celebrava a Santa Missa revivendo toda a Paixão de Cristo, ouvia confissão por longas horas (14 a 16 horas por dia), acolhia peregrinos vindos do mundo inteiro e enfrentava ataques espirituais e calúnias.
Ele reservava apenas o tempo necessário de descanso ou lazer, como pede o Terceiro Mandamento. Por isso ele pôde escrever no santinho do seu jubileu de ouro:
“Cinquenta anos de vida religiosa, cinquenta anos pregado na cruz, cinquenta anos de fogo devorador: por Vós, Senhor, e por Vossos remidos”.
Quem conviveu com Padre Pio testemunhou seu esgotamento físico e moral. Seu corpo era marcado pelos estigmas e pelas doenças, mas ele prosseguiu, dia após dia, durante seis décadas.
Por quê? Porque via em cada pessoa uma alma resgatada por Nosso Senhor que precisava de auxílio.
Ficar um pouco sozinho com Jesus
E é justamente aqui que se revela o tamanho desse sacrifício vivido todos os dias por mais de 50 anos.
Uma passagem narrada por Nina Campanile revela a grandeza e a delicadeza desse esforço.
Certo dia, ela foi ao convento precisando falar com Padre Pio. Ao vê-lo no coro da igreja, chamou-o em silêncio: “Padre!”. Imediatamente, ele voltou-se para ela
Quando se encontraram no corredor, o rosto do santo estava tão tenso que causava temor. Ele parecia ter feito um grande esforço para andar até ali.
Nina pensou: “Padre, quanto te esforças para vir ao meu encontro!” Padre Pio, então, disse-lhe com seriedade: “Desejava ficar um pouco sozinho com Jesus…”.
Entretanto, assim que começaram a conversar, seu rosto recuperou a serenidade habitual.
Ele se fazia servo e cirineu de todos, sem jamais poupar-se na oração e nos sacrifícios. E quanto mais se doava, mais transbordava de paz.
Trabalho e Oração: Duas asas para o Céu
Padre Pio, escrevendo a seu confessor, Padre Agostino de San Marco in Lamis afirmou:
“Não sei negar-me a ninguém. Trabalhei, quero trabalhar; orei, quero orar; vigiei, quero vigiar; chorei, quero chorar sempre pelos meus irmãos de exílio”.
Através do seu testemunho, São José e Padre Pio ensinam que o trabalho e a oração não são realidades opostas, mas as duas asas que levam a alma à santidade.
Um voou ao céu com o suor do dever cumprido. O outro, com a entrega generosa na confissão, na direção espiritual e por meio dos sacrifícios.
Portanto, ao iniciar um dia de labuta, lembre-se: você não precisa apenas cumprir tarefas. Pode, como São José e o Padre Pio, oferecer a Deus seu trabalho como sacrifício pela conversão dos pecadores.
Pois onde há trabalho oferecido a Deus, até a tarefa mais simples se torna oração.




