O segundo mandamento e a santidade do nome divino – o que a maioria dos católicos ainda não percebeu

Quantos católicos se acusam em confissão de ter violado gravemente este preceito?
Em geral, a resposta é evasiva: “Foi sem querer, num momento de raiva, sem nenhum ódio a Deus…” E logo se passa adiante, como se fosse uma pequena coisa.
Mas estamos seguros de estarmos em ordem com este mandamento?
A sanção severa do Êxodo
Quem nunca disse “Meu Deus!” por hábito, sem nenhuma intenção de oração? Ou “Jesus!” como grito de susto, ou “Pelo amor de Deus!” como expressão vazia de impaciência?
Mais grave ainda: jurar pelo nome de Deus para convencer alguém de uma mentira. Ou atribuir a Ele algo cruel — “Que Deus é esse que permite isso” — dito num momento de revolta.
Mas o pecado mais disseminado pode ser o mais silencioso: rezar o Pai-Nosso na missa mecanicamente, pronunciar “santificado seja o vosso nome” sem nenhuma reverência interior.
O uso irreverente do nome de Deus – mesmo no cotidiano, mesmo sem intenção – não é indiferente diante da lei divina.
O Senhor o deixa claro no livro do Êxodo: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.” (Êxodo 20, 7)
A sanção é severa e deliberada. Se o emprego do nome não fosse de tal importância, Deus não teria incluído esta advertência solenemente entre os dez preceitos fundamentais da sua aliança com o homem.
O que o Pai-Nosso nos ensina
O Novo Testamento retoma o tema uma vez por semana para os praticantes – na missa, no Pai-Nosso.
Segunda frase: “Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome.”
Se tivéssemos inventado esta oração, teríamos saltado imediatamente para a frase seguinte: “dai-nos hoje o nosso pão de cada dia.”
Mas não. Nosso Senhor nos ensinou outra coisa: que o nome de Deus é mais importante que o pão.
Por que o nome de Deus é sagrado
Dirá alguém: “Mas é apenas uma palavra, algo inerte. Que tem de tão extraordinário?”
Tem isto: por baixo de um nome há o ser que ele representa. Pronunciar esse nome com desprezo já é insultar a pessoa que ele designa.
Pensemos no nosso próprio nome, no nome de nossa família. Outrora, qualquer criança se sentia ferida quando alguém injuriava sua mãe.
Nenhum soldado suporta que se despreze diante dele o nome do seu comandante. Até um cão não tolera que ameacem seu dono.
E há homens que permitem tranquilamente que se insulte o seu Pai celestial.
O maior blasfêmio da história
Quando teve lugar o maior blasfêmio de todos os tempos?
Quando insultaram o Salvador crucificado e agonizante na cruz. Jamais as paixões inspiradas pelo diabo tinham alcançado triunfo semelhante – cruel, covarde, fácil, vulgar, insolente.
O que Deus fez? Suportou tudo. Calou-se, esperou – e Cristo morreu.
Mas um anjo desceu do céu, os guardas do sepulcro foram lançados por terra, e Jesus venceu a morte. A última palavra pertence sempre a Deus.
O blasfêmio não muda nada da majestade divina. Sua grandeza não diminui em nada. Mas nós, pobres criaturas de um dia, nos perdemos pelo blasfêmio – assim como nos elevaremos pela oração.
Honrar com a vida, não só com os lábios
Neste segundo mandamento há uma parte negativa e uma positiva. Não basta abster-se de ultrajar. É preciso honrar.
Em virtude do segundo mandamento, honrar o nome do Senhor com os lábios não é suficiente. Deve ser honrado por uma vida digna dEle.
Ele nos amou indignos. Sacrificou-se por nós e nos espera no céu.
E contudo, como o menor sacrifício nos pesa. A Quaresma nos pesa – mas Cristo recebeu vinagre a beber por causa dos nossos pecados.
As zombarias do mundo nos pesam, nós as tememos – mas Cristo foi escarnecido de todas as formas por nós.
O escândalo em Zurique
No mês de outubro passado, a rádio televisão suíça e o jornal 24 Heures relataram um caso grave.
Durante uma missa de bênção de animais organizada pelo padre de uma igreja católica, três paroquianas deram sua hóstia consagrada a seus cães.
O fato causou consternação entre os fiéis e reacendeu a advertência de São Mateus: “Não deis aos cães as coisas santas, e não lanceis as vossas pérolas diante dos porcos.” (Mt 7, 6)
Não há frenesia nem curiosidade que justifique tratar com leviandade aquilo que é sagrado.
Um chamado à ação
O mundo contemporâneo sofre. Quando poderá sarar?
No dia em que não nos contentarmos mais em glorificar a Jesus em palavras, mas por uma vida profundamente cristã.
Um católico não deve jamais admitir o pensamento do deixa-estar, do deixa-correr. Deve descer ao terreno da luta – dentro dos limites da lei de Deus e dos homens.
Organizar-se, fazer uma coalizão, formar uma corrente de opinião. Sem uma vida católica disciplinada e consciente de si mesma, nenhuma sociedade poderá manter a civilização que o cristianismo formou durante vinte e um séculos.
O dia em que cada católico for um apóstolo que se impõe, reveremos um mundo cristão.
“O Padre Pio é um sinal enviado por Deus para arrancar as almas das garras do diabo. Deixai-vos guiar por ele – ele vos guiará a Deus.”




