Enquanto o Parlamento francês aprova a morte assistida, a Igreja relembra que toda autoridade vem de Deus e começa dentro de casa

Na quarta-feira, 15 de julho, a Assembleia Nacional da França aprovou em definitivo a lei que legaliza a eutanásia e o suicídio assistido. Foram 291 votos a favor e 241 contra. Doentes graves poderão agora pedir para morrer com ajuda médica.
A notícia correu o mundo como mais um avanço. Poucos pararam para perguntar o que ela revela sobre uma civilização que já não sabe honrar quem lhe deu a vida.
No mesmo dia em que a lei foi votada, um canal francês devoto de Padre Pio dedicou seu programa semanal ao quarto mandamento. Honra teu pai e tua mãe. A coincidência não foi acaso. As duas coisas estão ligadas.
A autoridade que ninguém mais respeita
O quarto mandamento parece feito para crianças. Uma ordem simples, quase ingênua. Mas Deus não escreveu ali apenas uma regra de boas maneiras.
Ele fundou ali toda a estrutura da sociedade. Onde existe convivência, precisa existir ordem. E ordem significa que alguém manda e outros obedecem.
Na família, quem manda são os pais. Na Igreja, os pastores. No Estado, a autoridade legítima. Tudo isso vem de Deus, não da força nem do costume.
Quando o homem deixa de acreditar nisso, a autoridade perde seu fundamento. Resta apenas a lei do mais forte. E a lei do mais forte, cedo ou tarde, se perde na anarquia que o pecado original guarda em cada coração.
A lei francesa da morte assistida nasceu exatamente desse vazio. Uma sociedade que não sabe mais honrar os pais também não sabe mais protegê-los quando envelhecem. Prefere abreviar o sofrimento a acompanhá-lo até o fim com fé.
Nosso Senhor quis obedecer a São José
Há um detalhe que muitos católicos esquecem. O Filho de Deus, perfeito e infinito, passou trinta anos obedecendo a São José, um homem comum, carpinteiro.
Não porque José fosse superior a Cristo. Mas porque Deus quis, com esse gesto, ensinar ao mundo que a autoridade dos pais merece respeito, mesmo quando quem obedece vale infinitamente mais.
Se o próprio Deus se curvou diante de um pai adotivo na terra, que direito temos nós de desprezar os nossos?
Os pais também respondem diante de Deus
O quarto mandamento não fala apenas do dever dos filhos. Fala também do dever dos pais. E aqui a Igreja sempre foi exigente.
Cabe aos pais ensinar a rezar, levar à Missa, formar a consciência, corrigir com firmeza e dar o exemplo. Um pai que blasfema, uma mãe que despreza a religião, uma casa onde ninguém reza, dificilmente formam filhos que saibam honrar.
Padre Pio recebia todos os dias famílias destroçadas. Pais chorando por filhos afastados de Deus. Sua resposta era sempre a mesma. Rezar, esperar e perseverar, sem nunca deixar de agir.
Ele sabia que a conversão de um filho começa quase sempre pela santidade, ainda que imperfeita, dos pais.
Honrar não é aprovar o mal
Ninguém tem pais perfeitos. Muitos carregam feridas reais, causadas por quem deveria protegê-los.
A Igreja nunca pediu para aprovar o pecado dos pais. Pediu para honrar o dom da vida recebido através deles, perdoar quando há arrependimento e nunca responder ao mal com mais mal.
Foi assim que Cristo agiu na cruz, pedindo perdão para quem o fazia sofrer.
O que a França esqueceu
A lei votada em Paris – como já ocorre em diversos países – trata a velhice e o sofrimento como problemas a eliminar, não como etapas da vida a acompanhar com amor. É a consequência de décadas em que a autoridade dos pais, dos avós e dos mais velhos foi ridicularizada como peso e atraso.
Um povo que aprende a rir da autoridade em casa termina aprendendo a descartar quem essa autoridade representa quando ela se torna frágil.
O quarto mandamento não é peça de museu. É o que resta de pé quando tudo o mais desaba.
Peça hoje a Nossa Senhora que devolva às famílias católicas o respeito pela autoridade que vem de Deus. Que ela ensine pais a governar com firmeza e amor, e filhos a honrar mesmo quando custa.
Padre Pio, que tanto sofreu com as famílias destruídas de seu tempo, interceda por nós. Ajude-nos a reconstruir dentro de casa o que o mundo lá fora insiste em derrubar.




