A Igreja contempla nas Sete Dores o longo martírio que Maria sofreu na alma, permanecendo fiel a Nosso Senhor até o fim.

Um martírio vivido na alma
No próximo dia 15 de setembro, a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores, recordando o sofrimento de Maria, tradicionalmente contemplado em suas Sete Dores.
Ela viveu durante toda a vida um verdadeiro martírio na alma, que chegou ao auge durante a Paixão e a morte de seu Filho. Por causa desse sofrimento singular e de sua fidelidade até a Cruz, Nossa Senhora também é chamada Rainha dos Mártires.
Seu corpo não foi entregue aos perseguidores, mas sua alma foi atravessada por uma espada de dor, conforme a profecia de Simeão: “E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2,35).
São Tomás de Aquino, em sua obra Suma Teológica, recorda, com base em um texto atribuído a São Jerônimo, que Maria pode ser chamada mártir, embora não tenha sofrido uma morte violenta.
Seu martírio aconteceu na alma, atravessada pela espada da dor na morte do Filho. A liturgia tradicional também afirma que ela mereceu, sem morrer, a palma do martírio junto à Cruz.
Uma dor que durou muitos anos
Santo Afonso de Ligório afirma que o martírio de Maria foi mais longo que o dos demais mártires. Para muitos, o suplício durou algumas horas. Nossa Senhora, porém, carregou essa dor durante toda a vida.
Ela ouviu de Simeão que seu Filho seria rejeitado. Pouco depois, precisou fugir para o Egito a fim de salvar o Menino Jesus da perseguição de Herodes.
Mais tarde, sofreu durante três dias ao perdê-lo em Jerusalém, até encontrá-lo no Templo.
Essas dores mostram que o martírio de Maria começou muito antes do Calvário. A profecia de Simeão permaneceu viva em seu coração durante toda a vida de Jesus.
Maria permaneceu junto à Cruz
Durante a Paixão, o sofrimento de Nossa Senhora chegou ao auge. A tradição contempla seu doloroso encontro com Jesus no caminho do Calvário.
Ela viu o Filho coberto de sangue, coroado de espinhos e carregando a Cruz. Depois, permaneceu junto dele durante a crucifixão: “Junto à Cruz de Jesus estava sua Mãe.” (Jo 19,25)
São Ambrósio recorda a admirável fortaleza de Maria. Enquanto muitos discípulos fugiram, ela permaneceu de pé.
São Bernardo explica que a lança atravessou o lado de Jesus, mas a espada da Paixão já havia atravessado a alma de sua Mãe.
A dor depois da morte de Jesus
O sofrimento de Nossa Senhora continuou depois da morte de Nosso Senhor. A tradição contempla Maria recebendo nos braços o corpo ferido do Filho, depois de sua retirada da Cruz, e acompanhando seu sepultamento.
Aquela que havia carregado Jesus ainda criança recebeu nos braços seu corpo sem vida. Depois, viu a pedra fechar o sepulcro e permaneceu firme na fé.
Santo Afonso de Ligório, citando São Boaventura, escreve: “As feridas que estavam espalhadas pelo corpo de Nosso Senhor reuniram-se todas no único coração de Maria.”
A profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus, o encontro no caminho do Calvário, a crucifixão, a descida da Cruz e o sepultamento formam as Sete Dores tradicionalmente meditadas pela Igreja.
O que essa devoção produz na alma
O martírio de Maria foi profundo porque nasceu de seu perfeito amor por Jesus. Quanto maior é o amor, maior é a dor diante do sofrimento da pessoa amada.
Nossa Senhora sofreu sem revolta. Permaneceu fiel, obediente e unida à vontade de Deus. Por isso, é modelo para todos os que enfrentam provações.
A devoção às Sete Dores deve produzir frutos concretos na alma. Ela desperta o arrependimento dos pecados, aumenta o amor à Cruz e fortalece a paciência nos sofrimentos.
Também nos ensina a não abandonar Nosso Senhor. Quem contempla as dores de Maria aprende a receber as próprias cruzes com fé e a permanecer junto de Jesus.
Recorrer à Rainha dos Mártires é pedir sua ajuda para permanecermos fiéis a Jesus Cristo até o fim.
Fontes:
Pio XII — Ad Caeli Reginam
Santo Afonso de Ligório — Glórias de Maria
São Bernardo de Claraval — Sermão para o domingo dentro da Oitava da Assunção
Santo Ambrósio — De institutione virginis
São Tomás de Aquino — Suma Teológica




