E já que isso era impossível, ele mandou o anjo guardião fazer a seu lugar.

Em 1º de maio de 1912, Padre Pio escreveu ao Padre Agostino uma frase que poucos conhecem.
“Gostaria de ter uma voz tão poderosa que conseguisse convidar os pecadores do mundo inteiro a amar a Virgem Maria. Mas como isso me é impossível, pedi e rezarei ainda ao meu anjo guardião que o faça em meu lugar.”
Essa carta não é uma curiosidade biográfica. Ela revela o coração de todo o apostolado de Padre Pio.
O CENTRO DE TUDO
Há uma tendência de ver Padre Pio como o homem dos estigmas, das bilocações, das curas extraordinárias.
Tudo isso existiu. Tudo isso é documentado.
Mas quem lê suas cartas com atenção descobre outra coisa: por baixo de cada fenômeno extraordinário havia um filho de Maria.
Desde a infância em Pietrelcina até os últimos dias em San Giovanni Rotondo, Nossa Senhora esteve presente em cada etapa da vida de Padre Pio. Ele A chamava com uma ternura que os documentos registram com clareza: “Mamãe”, “minha querida Mãe do céu”.
E o motivo que ele mesmo dava para esse amor não era abstrato.
Era concreto e direto: “Porque ela sofreu tanto.”
UMA DEVOÇÃO QUE EXIGE IMITAÇÃO
A Igreja celebra a memória litúrgica de Maria Rainha no dia 22 de agosto, oito dias após a Assunção.
O título nasce de três realidades que a tradição católica identifica com precisão:
Maria é Rainha porque é a Mãe do Rei do universo. Seu filho é Rei de um reino eterno, não de uma monarquia humana passageira. A mãe do Rei é honrada como Rainha.
Maria é Rainha porque é a única criatura de toda a história da humanidade concebida sem o pecado original. Deus criou para Seu Filho uma mãe à altura do Filho. Esse privilégio é absoluto. Único. Sem paralelo em toda a criação.
Maria é Rainha porque sofreu como nenhuma outra criatura jamais sofreu. Desde a Apresentação de Jesus no Templo, quando o profeta Simeão anunciou que uma espada atravessaria sua alma, até a Paixão de Seu Filho, que foi também a compaixão dela. Padre Pio entendia esse ponto melhor do que a maioria de nós, porque ele também sabia o que era sofrer.
O QUE PADRE PIO ENTENDIA QUE A MAIORIA PREFERE IGNORAR
Em 1º de julho de 1915, Padre Pio voltou a escrever ao Padre Agostino sobre Maria.
Desta vez, ele tocou num ponto que incomoda.
Uma devoção verdadeira a Maria não consiste apenas em rezar orações. É possível rezar o terço e permanecer profundamente apegado aos pecados. É possível usar uma medalha da Santa Virgem sem mudar de vida.
Padre Pio não aceitava essa separação.
Na carta, ele escreve que Maria foi a primeira a colocar o Evangelho em prática em toda a sua perfeição e em toda a sua severidade, antes mesmo que o Evangelho fosse publicado.
E ele pede que Ela nos obtenha o mesmo.
A devoção mariana, para Padre Pio, terminava num lugar concreto: amar Maria é querer lhe assemelhar. Ser puro como ela. Ser humilde como ela. Ser fiel como ela. Ser corajoso como ela, fiel a Deus mesmo quando o mundo exige o contrário.
ONDE ESTÃO OS FILHOS DE MARIA?
A festa de Maria Rainha coloca uma pergunta que não tem resposta confortável.
O mundo reconhece a soberania de Maria?
Não é difícil responder. Basta olhar.
Blasfêmias apresentadas como entretenimento. Igrejas profanadas. Imagens da Santa Virgem destruídas. A família atacada por leis votadas com sorriso nos lábios. A vida humana tratada como bem descartável.
E durante todo esse tempo, muitos católicos ficam em silêncio.
Padre Pio nunca raciocinou assim.
Ele conhecia o preço de uma alma. De cada alma. E entendia que se uma única alma pudesse ser salva, era preciso agir.
Ele passava até 13 horas por dia no confessionário. Por vezes, 15 horas. Não porque era fácil. Porque uma única conversão, uma única confissão feita com fervor, uma única comunhão recebida com fé já valia todo o esforço.
Deus usa as pequenas fidelidades para realizar coisas grandes.
A METÁFORA QUE ACERTA EM CHEIO
Há uma imagem que descreve com precisão o que estamos vivendo.
Imaginemos uma rainha de beleza incomparável, majestosa, profundamente boa. Ela reina pacificamente sobre um imenso reino. Mas um dia, um inimigo penetra no território. Algumas regiões cedem. Os fiéis se tornam mais raros. O inimigo avança até as proximidades do palácio.
A rainha está lá. Mas ao seu redor, as pessoas não reagem. Alguns têm medo. Outros estão paralisados. Outros só pensam em si mesmos. Outros ainda esperam se entender com os novos senhores.
A rainha olha para seus filhos como uma mãe olha para seus filhos.
E no seu olhar há uma pergunta.
“Vocês vão me defender?”
Nossa Senhora não perdeu a coroa. O mundo é que recusa reconhecer a sua soberania. E essa é uma das grandes tragédias do nosso tempo. Não há apenas o mal praticado pelos maus. Há também o silêncio dos bons.
O QUE CADA UM DE NÓS PODE FAZER
Não é preciso fazer coisas extraordinárias.
Padre Pio entendia isso melhor do que ninguém. Uma única Ave-Maria rezada com fé. Um terço meditado em família. Uma confissão bem feita. Uma imagem de Nossa Senhora entregue a quem está sofrendo. Uma palavra de verdade dita com caridade. Um vídeo compartilhado com alguém que precisa.
Nossa Senhora não espera ações monumentais.
Ela espera fidelidade.
A frase que Padre Pio repetia resume tudo com uma simplicidade desconcertante: “Amai a Madona e fazei-a amar.”
É isso.
Amar Nossa Senhora e fazê-la amar. Por meio de Nossa Senhora, amar Jesus e fazê-lo amar. Esse era o coração do apostolado de Padre Pio. E pode ser o nosso também.
UMA ORAÇÃO PARA ENCERRAR
Santíssima Virgem Maria, Nossa Senhora, nossa Mãe e nossa Rainha, olhai com bondade para vossos filhos que vivem num mundo que se afasta de Deus. Obtende-nos a graça de nunca termos vergonha de nossa fé. Obtende-nos a coragem de permanecer fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo. Protegei nossas famílias, nossos filhos, nossos netos. Convertei os pecadores. Consolai os que sofrem. Fazei voltar a vosso Filho os que se afastaram de Deus. E fazei de nós instrumentos em vossas mãos. Como Padre Pio, queremos vos amar. Como Padre Pio, queremos fazer-vos amar. Como Padre Pio, queremos conduzir as almas a Jesus. Ó Maria, Rainha do Céu e da Terra, rogai por nós. São Padre Pio, rogai por nós.
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FONTES E NOTAS DE VERIFICAÇÃO
Carta de Padre Pio ao Padre Agostino, 1º de maio de 1912: fonte primária. Padre Pio da Pietrelcina, Epistolario I, Edizioni Padre Pio da Pietrelcina. Grau: DOCUMENTADO.
Carta de Padre Pio ao Padre Agostino, 1º de julho de 1915: fonte primária. Epistolario I. Grau: DOCUMENTADO.
Festa de Maria Rainha, instituída pelo Papa Pio XII em 1954 pela encíclica Ad Caeli Reginam: fonte pontifícia. Grau: DOCUMENTADO.
Privilégio da Imaculada Conceição: definido dogmaticamente pelo Papa Pio IX, bula Ineffabilis Deus, 8 de dezembro de 1854. Grau: DOCUMENTADO.
Terminologia mariana da canonização de Padre Pio: canonizado pelo Papa João Paulo II em 16 de junho de 2002. Grau: DOCUMENTADO.
Relato do apostolado de Padre Pio no confessionário (12 a 15 horas por dia): solidamente testemunhado por múltiplas fontes biográficas e pelos próprios Capuchinhos de San Giovanni Rotondo. Grau: SOLIDAMENTE TESTEMUNHADO.




