Por que rezamos o Regina Coeli e não o Ângelus no tempo Pascal?

Durante o Tempo Pascal, algo muda discretamente na oração da Igreja e muitos nem percebem.
A tradicional saudação mariana do Ângelus dá lugar a uma prece mais festiva: o Regina Coeli.
Essa mudança deseja expressar a profunda alegria que permeia a Igreja por causa da vitória de Cristo sobre a morte.
Se durante o resto do ano meditamos com o Ângelus na Encarnação de Nosso Senhor, agora somos convidados a nos alegrar com Maria, pois seu Filho venceu a morte.
Essa prece pascal é rezada três vezes ao dia (ao amanhecer, ao meio-dia e ao entardecer) com o propósito de manter viva a memória da Ressurreição de Nosso Senhor ao longo do dia.
A alegria de um só dia que dura cinquenta
De acordo com o artigo 22 das Normas Universais do Ano Litúrgico:
“Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande Domingo”.
Isso significa que, para a Igreja, cada instante pascal é uma Páscoa em miniatura.
Por isso, a prece dos fiéis também se reveste de festa justamente para expressar de forma mais plena essa alegria que se prolonga por todo o Tempo Pascal.
Como rezar o Regina Coeli
O Regina Coeli é composto por versos breves e de fácil memorização.
Aprenda a rezá-lo conosco:
V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!V. Ressuscitou, como disse. Aleluia!
R. Rogai a Deus por nós, Aleluia!V. Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!Oremos: Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que, por Sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Essa forma simples e repetitiva favorece a oração ao longo do dia, permitindo que mesmo nas ocupações cotidianas o coração permaneça unido ao mistério da Ressurreição.
Origem do Regina Caeli
Historicamente, essa antífona originou-se no século VI, mas foi com o Papa Bento XIV, em 1742, que sua recitação se tornou oficial durante o Tempo Pascal.
No ano de 590, o Papa São Gregório Magno fazia uma procissão mariana pedindo a Nossa Senhora o extermínio de uma epidemia que assolava Roma.
Durante a procissão, o Papa teria ouvido vozes, como que de anjos, cantando os três primeiros versos da oração, até então desconhecida.
Junto da ponte que une a cidade ao castelo Sant’Angelo,ouviu-se um coro angélico que cantava: “Rainha dos Céus, alegrai-vos, aleluia!”
São Gregório Magno, então respondeu aos anjos: “Rogai a Deus por nós, Aleluia!”. Assim teria nascido o hino Regina Coeli.
Segundo a Tradição, a oração passou então a ser rezada pelo Papa e foi capaz de exterminar a epidemia que tinha feito perecer os alimentos na cidade e reduzir a população à fome.
Ela associa a encarnação ao evento pascal porque, assim como o anjo anunciou a Maria a vinda de Jesus, agora a Igreja anuncia a ela a ressurreição, completando o ciclo da salvação.
Um convite bíblico à alegria
O ‘alegrai-vos’ dirigido à Virgem remete diretamente à saudação do anjo Gabriel que convida Nossa Senhora a alegrar-se.
Assim, a Igreja estabelece um paralelo entre o início e o ápice da história da salvação.
Além disso, a afirmação “Ressuscitou, como disse!” funciona como uma resposta às dúvidas narradas nos Evangelhos.
Enquanto os apóstolos relutavam em crer e os discípulos de Emaús caminhavam abatidos, a Santíssima Virgem permaneceu inabalável na confiança e na certeza de que Jesus ressuscitaria.
Por isso, a Igreja se alegra com Ela no tempo pascal.
Neste Tempo Pascal, não deixe que essa alegria passe despercebida: faça do Regina Coeli uma presença viva no seu dia e permita que a alegria da ressurreição encha o seu coração.
Leve essa alegria e a Mensagem de Nossa Senhora também a outras almas. Torne-se agora um Missionário de Fátima.




