Um tradicional momento sagrado perdeu sua importância para muitas famílias, mas ainda há tempo de resgatá-lo no seu lar.

Há um antigo ditado que diz o seguinte: tudo o que é sagrado, a Igreja cobre com um véu.
Assim acontece com o altar onde se celebra a Santa Missa; com o cálice, que recebe o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor e com as mulheres, que geram novas vidas.
Mas há um lugar que outrora também era reconhecido por muitos católicos como sagrado e que hoje em dia vai sendo cada vez mais abandonado: a refeição.
Para o almoço ou o jantar a mesa era revestida de toalha, cercada de cadeiras ocupadas por pais, mães e filhos que se olhavam, conversavam, riam, choravam.
A refeição não servia apenas para matar a fome: ela nutria também a alma, pois fortalecia laços entre pais e filhos e a presença de Deus naquele lar.
Nas casas antigamente, era comum nas cozinhas ou salas de jantar, que próximo a essa mesa houvesse uma representação da Santa Ceia ou fosse entronizado o quadro do Sagrado Coração de Jesus.
Mesa: lugar de mero reabastecimento
Contudo, algo mudou drasticamente. Primeiro veio a TV, roubando o espaço da convivência em família. E a novela passou a ocupar o espaço das conversas ao redor da mesa.
Depois, o celular ocupou o espaço do olhar: já não se conversa, apenas se mastiga diante de telas que isolam.
O momento de comunhão familiar ao redor da mesa foi substituído por ruídos digitais e mastigações solitárias. Não é raro ver famílias que ainda se sentam juntas, mas já não se encontram.
Cada um se senta à mesa (quando isso acontece) imerso em seu próprio mundo, como se a refeição fosse apenas um intervalo entre compromissos, um abastecimento rápido do corpo enquanto a mente vagueia longe.
Para compreender a gravidade dessa perda, olhemos para o que a mesa representa à luz da liturgia. No entanto, a mesa sempre foi, para os lares católicos, mais do que um móvel a mais: a mesa reflete o altar, onde acontece o ato mais sagrado do mundo.
A toalha sobre a mesa: eco do altar
Na Santa Missa, o altar é revestido com uma toalha de linho branco para lembrar o sudário onde Cristo foi envolto, mas também aponta para a glória da ressurreição.
No altar, essa toalha anuncia: “Jesus se fará presente aqui”.
E no lar católico? Quando se estende uma toalha sobre a mesa (ainda que simples) faz-se um gesto com significado semelhante, embora com efeitos diversos.
Estamos dizendo que aquele lugar é sagrado e que ali não se come apenas para alimentar o corpo, mas com o coração voltado para Deus e para o outro.
Infelizmente, muitos lares perderam esse sinal visível de sacralidade. A toalha sumiu e, com o desaparecimento dela, veio a frieza de uma refeição resumida apenas ao sustento do corpo.
Não é raro que essa perda deste momento sagrado em família acompanhe o enfraquecimento da união familiar, desentendimentos entre marido e mulher, incluindo até mesmo divórcios.
O celular e a televisão: convidados ou intrusos?
Pense na sua última refeição em família. Alguém checou mensagens durante o prato principal? A televisão ficou ligada como pano de fundo? As crianças comeram olhando para a tela?
Se a resposta for sim, não se assuste: você não está sozinho, mas isso não significa que esteja certo.
O celular ou a televisão, quando ocupam o lugar central à mesa, não são apenas uma distração. Eles roubam a presença real das pessoas que estão ali ao seu lado.
E, pior: silenciam a oportunidade de encontrar Jesus, que pode estar presente na alma dos seus familiares.
Retornar às refeições na mesa: um ato de reconquista
A boa notícia é que ainda há tempo de resgatar a sacralidade das refeições feitas em família e, quem sabe, até mesmo consertar algo que está desajustado.
E esse resgate começa com gestos simples, embora desafiadores para muitos. Comece desligando a televisão e pedindo para que todos deixem os celulares em outro ambiente.
Antes da refeição, coloque uma toalha limpa sobre a mesa e, se quiser, acrescente uma vela, como pequeno sinal de que Jesus Cristo é a luz daquele lar.
Quando você faz essa escolha, lentamente algo vai sendo mudado nos corações. O silêncio dará espaço ao diálogo em família e, de repente, o riso voltará a ecoar sem a interferência de notificações.
E, então, você descobrirá que este lugar de honra nunca deveria ter sido ocupado por uma tela.
Porque a refeição não é um intervalo vazio entre tarefas, mas um tempo sagrado, onde se reparte o pão e a vida com os que amamos.
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Confie a ele a sua família e peça que interceda todos os dias por você e pelos seus familiares.




