Ela voltou do outro mundo com uma missão: resgatar as almas do Purgatório

A história de Santa Cristina, a Admirável, é um dos testemunhos mais desconcertantes da hagiografia católica. E uma das provas mais sérias de que o Purgatório existe e clama por socorro.

 

Tinha pouco mais de vinte anos.

 

Era órfã desde cedo, vivia com as irmãs mais velhas, cuidava de rebanhos nos campos da atual Bélgica. Uma vida simples, sem nada que chamasse atenção. Até o dia em que caiu sem sentidos, sem pulso, sem vida.

 

Cristina foi declarada morta.

 

Prepararam o velório. 

 

Colocaram-na no caixão. 

 

Levaram-na à igreja. 

 

A Missa de corpo presente havia começado, e os presentes estavam ali para se despedir dela.

 

Então, no momento do Agnus Dei, diante dos olhos aterrorizados de todos, ela se levantou.

 

Ela se levantou do caixão e subiu até as vigas do teto da igreja, onde ficou, olhando para baixo. 

 

O pároco ordenou que ela descesse. Ela desceu. E então contou onde havia estado.

 

Ela viu o Inferno

 

Os anjos a conduziram primeiro a um lugar sombrio, cheio de chamas e de sofrimento.

 

Cristina olhou ao redor e reconheceu rostos. Pessoas que havia conhecido em vida estavam ali.

 

Acreditando estar no Inferno, perguntou ao seu guia onde se encontrava.

 

O anjo respondeu: aquele não era o Inferno. Era o Purgatório.

 

Ali se purificavam os que morreram arrependidos, mas ainda deviam a Deus a satisfação devida por suas faltas. O fogo existia, o sofrimento existia. 

 

Mas havia diferença entre aquelas almas e as do Inferno: havia esperança. Havia um fim. Havia a certeza de que aquela dor tinha prazo e que, depois dela, viria o Céu.

 

Mas o prazo dependia, entre outras coisas, de quem ainda estava vivo rezar por elas.

 

Ela viu o Céu

 

Depois do Purgatório, os anjos a levaram ao Paraíso.

 

O que Cristina experimentou ali não cabe em palavras humanas. Ela própria não tentou descrever com precisão. O que disse foi simples: a alegria era tão profunda, tão completa, que ela desejou de todo o coração permanecer para sempre.

 

E foi então que Nosso Senhor Jesus Cristo lhe apresentou uma escolha.

 

Podia ficar. O Céu estava ali, aberto para ela. Nenhuma obrigação, nenhum peso, nenhuma dor.

 

Ou podia voltar.

 

Se voltasse, sua vida seria de sofrimento. Pobreza extrema. Penitências que pareceriam impossíveis. Incompreensão, perseguição, isolamento. 

 

Mas cada dor que suportasse seria oferecida pelas almas que havia visto no Purgatório. E seu testemunho, sua simples existência neste mundo, levaria pecadores à conversão.

 

Cristina olhou para aquela alegria do Céu. E escolheu voltar.

 

Sem hesitar.

 

Os quarenta e dois anos que se seguiram

 

O que veio depois não é fácil de narrar.

 

Cristina viveu em extrema pobreza. Não por falta de recursos, mas por escolha deliberada, como penitência oferecida pelos falecidos

 

Suportou o frio de rios e lagos no inverno. Suportou o calor do fogo. Submeteu seu corpo a provações que, segundo os relatos recolhidos por quem a conheceu, naturalmente a teriam matado.

 

O odor do pecado lhe era insuportável. A presença dos homens, com seus pecados visíveis para ela de um modo que nós não conseguimos imaginar, causava nela uma angústia física real. Por isso fugia: subia para as árvores, escalava os tetos das igrejas, alcançava os pontos mais altos dos campanários.

 

Seus próprios vizinhos achavam que ela estava possuída.

 

Suas irmãs, envergonhadas, organizaram grupos para capturá-la. Prenderam-na com grilhões de ferro. Ela se soltava. Voltava à sua missão.

 

Perseguida, presa, libertada, perseguida outra vez. Quarenta e dois anos assim.

 

O dominicano Tomás de Cantimpré coletou os testemunhos de pessoas que a conheceram pessoalmente e registrou tudo. O Cardeal Tiago de Vitry, cronista rigoroso que afirmou tê-la visto com seus próprios olhos, escreveu sem hesitar: “Deus operou nela coisas verdadeiramente maravilhosas.”

 

Cristina morreu por volta de 1224 (74 anos), no Convento de Santa Catarina, em Sint-Truiden. A superiora do convento declarou que, pouco antes de ela fechar os olhos pela última vez, Nossa Senhora veio buscá-la pessoalmente.

 

O que esse testemunho nos diz

 

Vivemos num tempo que faz de tudo para não pensar na morte.

 

Quando ela chega, queremos que seja rápida, sem sofrimento, sem despedida longa. Quando alguém parte, preferimos acreditar que “foi para um lugar melhor” sem precisar nos perguntar se há algo que ainda podemos fazer por essa pessoa.

 

A vida de Santa Cristina é uma resposta direta a esse conforto fácil.

 

Ela foi lá. Ela viu. Ela reconheceu os rostos.

 

E voltou para passar quarenta e dois anos sofrendo por eles, porque sofrimento oferecido com amor tem peso sobrenatural. Porque as almas do Purgatório dependem dos vivos. Porque a caridade não termina com a morte.

 

Quantas vezes reclamamos de um contratempo pequeno, de uma noite mal dormida, de uma espera longa, de um plano que não saiu como queríamos? Cristina suportou fogo e gelo por décadas, voluntariamente, por pessoas que talvez nem soubessem que ela existia.

 

E nós, que conhecemos essa história, o que fazemos com as nossas dores miúdas?

 

Podemos oferecê-las. Agora. Por aqueles que partiram e que talvez ainda aguardem.

 

Quem está esperando a sua oração?

 

Há um nome que ficou na sua memória enquanto você lia este artigo.

 

Um pai. Uma mãe. Um irmão. Um amigo. Alguém que partiu sem que você pudesse se despedir, ou sem que ele tivesse tido tempo de se preparar.

 

A Santa Missa oferecida por um falecido, o Rosário rezado com essa intenção, uma indulgência ganha com esse propósito, chegam até aquelas almas. A Igreja sempre soube disso. Santa Cristina voltou do além para confirmar, com sua própria vida de sofrimento, que vale a pena.

 

Não espere.

 

Acenda uma vela virtual por eles agora e inscreva o nome de quem você quer lembrar diante do altar.

 

Acesse: https://www.resgatedasalmas.com.br/public/veladasalmas/

 

Que Santa Cristina, a Admirável, interceda por nós e pelas almas que aguardam no Purgatório.

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