China: a perseguição aos cristãos continua sob o regime comunista

Milhões de cristãos continuam vivendo sob vigilância e repressão na China comunista

 

Durante décadas, muitos acreditaram que o crescimento econômico da China acabaria conduzindo o país a uma maior abertura política e religiosa. O tempo mostrou outra realidade.

Em artigo publicado pelo portal italiano Corrispondenza Romana, o historiador Roberto de Mattei explica que a perseguição contra os cristãos continua profundamente presente no regime comunista chinês.

Segundo De Mattei, ainda que hoje assuma formas diferentes daquelas vistas nos tempos de Mao Tsé-Tung, existe uma continuidade entre o totalitarismo revolucionário do passado e o controle ideológico exercido atualmente por Xi Jinping, o atual mandatário chinês.

A violência religiosa nos tempos de Mão

Durante a Revolução Cultural iniciada em 1966, igrejas foram destruídas, sacerdotes presos e milhares de cristãos enviados para campos de trabalhos forçados.

O Partido Comunista Chinês procurava eliminar toda autoridade espiritual independente do Estado. A fidelidade religiosa era vista como ameaça ao poder absoluto do regime.

Muitos católicos passaram anos em prisões ou desapareceram nos chamados processos de “reeducação”.

A Igreja sobrevivia na clandestinidade.

Xi Jinping e o novo sistema de controle

Roberto de Mattei observa que, sob Xi Jinping, a repressão religiosa tornou-se mais sofisticada e tecnológica.

O governo chinês utiliza sistemas avançados de vigilância digital para acompanhar atividades religiosas, monitorar comunidades cristãs e limitar práticas consideradas incompatíveis com os interesses do Partido Comunista.

Cruzes são removidas de igrejas. Imagens religiosas desaparecem dos templos.

Crianças e jovens recebem restrições para participar da vida religiosa. 

Sacerdotes considerados “não alinhados” sofrem pressões constantes.

Em diversas regiões da China, autoridades exigem que símbolos do Partido Comunista ocupem lugar central nos ambientes religiosos.

O caso Jimmy Lai

O artigo da Corrispondenza Romana também menciona o caso de Jimmy Lai, empresário católico de Hong Kong e fundador do jornal Apple Daily.

Jimmy Lai tornou-se uma das vozes mais conhecidas em defesa da democracia e da liberdade em Hong Kong após o fortalecimento do controle chinês sobre a região.

Com a imposição da Lei de Segurança Nacional pelo regime comunista, o empresário passou a sofrer forte perseguição política. Seu jornal foi fechado pelas autoridades, e ele acabou preso sob acusações ligadas à chamada “segurança nacional”.

Muitos observadores internacionais enxergam o caso como símbolo da repressão promovida pelo Partido Comunista Chinês contra vozes independentes e opositores políticos.

Roberto de Mattei recorda que Donald Trump chegou a abordar o caso de Jimmy Lai junto a Xi Jinping durante contatos diplomáticos com Pequim. Segundo o próprio presidente americano, a resposta chinesa “não foi positiva”.

O ponto de De Mattei é justamente este: apesar dos contatos diplomáticos e das conversas entre grandes líderes mundiais, milhões de cristãos continuam vivendo sob vigilância, censura e forte controle estatal.

A tentativa de submeter a religião ao Partido

O regime chinês procura construir uma religião subordinada aos interesses ideológicos do Estado.

A chamada “sinicização” das religiões pretende reinterpretar a fé segundo os princípios do comunismo chinês, submetendo a vida espiritual à autoridade política.

Roberto de Mattei recorda que os regimes totalitários sempre enxergaram o Cristianismo como obstáculo perigoso, porque a fidelidade a Jesus Cristo estabelece limites que o poder político não consegue controlar completamente.

A fidelidade dos cristãos chineses

Mesmo diante das pressões do regime, milhões de cristãos continuam praticando sua fé na China.

Muitos frequentam igrejas clandestinas, rezam em segredo e aceitam enormes riscos para permanecer fiéis.

A situação dos cristãos chineses recorda que a cristofobia continua existindo no mundo atual, ainda que muitas vezes seja ignorada pelas grandes potências e pelos meios de comunicação internacionais.

A história da Igreja mostra, porém, que nenhuma perseguição conseguiu destruir o Cristianismo.

O sangue dos mártires continua sendo semente de novos cristãos.

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