O exemplo de São José e a história do pai católico que entregou a vida para salvar o filho.

Em plena madrugada, um homem despertou às pressas. Sem fazer perguntas, tomou seu Filho e Sua Esposa e partiu rumo a uma terra desconhecida.
Deixou para trás a casa e o trabalho para proteger a família que Deus lhe havia confiado.
Esse homem era São José.
Ao longo da História, muitos homens compreenderam o mesmo que São José, que a autoridade de um pai não nasce da força ou do medo, mas do sacrifício.
Homens que não fugiram diante da responsabilidade e enfrentaram de peito aberto as exigências de sua vocação.
Há menos de vinte anos, um desses pais seria colocado diante de uma decisão semelhante.
Em poucos segundos, precisaria escolher entre preservar a própria vida ou entregá-la para salvar a do filho.
O último gesto de uma vida inteira de sacrifícios

Thomas Vander Woude vivia com a esposa, Mary Ellen, numa fazenda no estado da Virgínia.
Veterano da Guerra do Vietnã e antigo piloto comercial, ele e Mary Ellen tiveram sete filhos, todos homens. O caçula, Joseph, nasceu com síndrome de Down.
Desde o nascimento de Joseph, Thomas procurou incluí-lo nas atividades da família.
Não queria que o filho permanecesse à margem nem permitia que suas limitações definissem toda a sua vida.
Thomas era católico, rezava o Rosário com a família, frequentava a Missa e fazia adoração eucarística semanalmente, chegando a assumir o horário das duas às três horas da madrugada.
Seu modo de viver poderia ser resumido numa frase que repetia frequentemente:
“Faça sempre a coisa certa.”
No dia 8 de setembro de 2008, ele seria chamado a cumprir essa máxima até as últimas consequências.
Naquela manhã, Thomas trabalhava em sua propriedade ao lado de Joseph, que estava com vinte anos.
Subitamente, a cobertura metálica de um tanque séptico cedeu sob os pés de Joseph. Ele caiu dentro da fossa, que tinha aproximadamente dois metros de profundidade.
Agindo com prontidão e o instinto protetor de São José, Tom mergulhou imediatamente no tanque para salvar o filho. O problema é que a fossa era funda demais; não dava para os dois ficarem com a cabeça fora da água.
Sem hesitar, Tom forçou o próprio corpo para baixo de Joseph, usando-se como apoio para manter o filho próximo à abertura.
Segurou a respiração debaixo d’água o máximo que suportou, lutando contra o peso, enquanto a esposa e um funcionário chamavam o resgate.
Os gases tóxicos começaram a vencê-lo. Tom perdeu a consciência e afundou, mas, de algum modo, ainda permaneceu sustentando Joseph, permitindo que o filho continuasse respirando.
Quando as equipes de emergência chegaram, retiraram Joseph com vida. Ele foi hospitalizado, recuperou-se e não sofreu sequelas permanentes.
Tom, porém, não pôde ser reanimado.
As palavras de Nosso Senhor ganharam ali uma força especial:
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos.”
Atualmente, a Diocese de Arlington investiga e reúne documentos e testemunhos para solicitar a abertura formal de sua causa de canonização.
Tom ainda não recebeu oficialmente o título de Servo de Deus, e a Igreja ainda não emitiu um julgamento definitivo sobre sua santidade. Contudo, seu exemplo já recorda aos pais até onde pode chegar o amor por um filho.

Os Heroísmos Escondidos no Dia a Dia
Pouquíssimos pais serão chamados a atravessar o deserto para fugir de uma perseguição, como São José.
Pouquíssimos precisarão entrar em um tanque para salvar um filho, como Tom Vander Woude.
Mas isso não significa que não entreguem a própria vida.
O sacrifício paterno acontece dentro de casa, no trabalho, num ônibus lotado ou ao lado da cama de um filho doente.
Também existe sacrifício quando um pai corrige o filho, embora fosse mais fácil permanecer calado.
Ser pai é dar a vida pelos filhos: algumas vezes em um gesto extremo, mas quase sempre nos pequenos sacrifícios de cada dia.
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Entre esses dois exemplos estão milhares de pais cujos nomes talvez nunca sejam conhecidos, mas que todos os dias oferecem a vida pelas famílias que Deus lhes confiou.
Neste Dia dos Pais, não deixe essa gratidão apenas no pensamento.
Se ele está vivo, peça que Deus lhe conceda saúde, força, conversão e perseverança.
Se já faleceu, ofereça essa vela em sufrágio por sua alma e agradeça a Deus por tudo o que recebeu através dele.
E, se ainda existem feridas, peça a graça do perdão, da cura e da reconciliação.
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Agradecemos à organização Tom Vander Woude Guild pela autorização para utilizar as fotografias de Tom e de sua família e por seu trabalho em tornar conhecido seu exemplo de fé, serviço e amor à família.
Referências:
TOM VANDER WOUDE GUILD. His Story. Biografia de Thomas S. Vander Woude e relato de sua morte ao salvar Joseph. Disponível em: Tom Vander Woude Guild — His Story.
BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo São Mateus, 2,13-15 — fuga da Sagrada Família para o Egito.
BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo São João, 15,13 — “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”.
JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Redemptoris Custos: sobre a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja. Vaticano, 15 ago. 1989. Disponível em: Vaticano — Redemptoris Custos.





