As duas coroas que Nossa Senhora ofereceu a São Maximiliano Kolbe

No dia 14 de agosto, a Igreja celebra São Maximiliano Kolbe, apóstolo da Imaculada e mártir da caridade. Sua história começou a ser traçada muitos anos antes de Auschwitz. 

Quando ainda era menino, Maximiliano Kolbe entrou em uma igreja e se ajoelhou diante de uma imagem de Nossa Senhora.

Naqueles dias, sua mãe o havia repreendido por um comportamento errado e, preocupada com o futuro do filho, perguntou-lhe:

— “Meu filho, o que será de você?”

Aquelas palavras penetraram profundamente no coração do pequeno Maximiliano. Diante da imagem da Santíssima Virgem, ele também começou a se perguntar o que seria de sua vida.

Foi então que Nossa Senhora lhe apareceu trazendo duas coroas nas mãos. Uma era branca e simbolizava a pureza; a outra era vermelha e representava o martírio.

A Virgem perguntou qual delas ele desejava receber. Maximiliano respondeu que queria as duas.

Naquele momento, o menino não poderia compreender inteiramente o alcance de sua resposta. Nossa Senhora, porém, já lhe mostrava o caminho que percorreria: uma vida consagrada a Deus e, ao final, a entrega do próprio sangue.

Muitos anos depois, no campo de concentração de Auschwitz, aquelas duas coroas seriam finalmente colocadas sobre sua cabeça.

Um cavaleiro da Imaculada

Maximiliano nasceu na Polônia, em 1894. Ainda jovem, ingressou na Ordem dos Frades Menores Conventuais e recebeu o nome religioso de Frei Maximiliano Maria.

Ao acrescentar “Maria” ao seu nome religioso, revelava o centro de sua vocação. Não desejava apenas venerar Nossa Senhora ou recorrer a Ela nos momentos de dificuldade: queria tornar-se um instrumento dócil em suas mãos e trabalhar para conduzir as almas a Jesus.

Para São Maximiliano, a verdadeira devoção mariana conduz necessariamente a Nosso Senhor. Por isso, escreveu:

“Quanto mais uma alma pertence à Imaculada, tanto mais livremente pode aproximar-se das chagas do Salvador, da Santíssima Eucaristia, do Sagrado Coração de Jesus e de Deus Pai.”

Seu amor a Nossa Senhora transformou-se, assim, em um infatigável desejo de torná-la conhecida e amada.

Conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio da Imaculada

Em 1917, enquanto estudava em Roma, Frei Maximiliano presenciou manifestações agressivas contra a Igreja Católica.

Em vez de desanimar diante dos ataques à fé, perguntou a si mesmo o que poderia fazer para defender a Igreja e reconduzir as almas a Deus. Sua resposta foi fundar a Milícia da Imaculada.

Seu objetivo era grandioso: conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio de Nossa Senhora.

Maximiliano desejava reunir católicos dispostos a se consagrar à Imaculada e a trabalhar pela conversão dos pecadores, pela santificação das almas e pelo triunfo da Igreja.

Essa consagração não deveria permanecer apenas em palavras. Cada membro da Milícia colocaria nas mãos da Santíssima Virgem suas orações, seus trabalhos, seus sacrifícios, seus sofrimentos e todos os meios legítimos de apostolado.

São Maximiliano ensinava:

“Deixemo-nos conduzir por Ela, tanto na vida interior como exterior, e Ela mesma conduzirá tudo da melhor maneira.”

Essa confiança estava muito longe de ser passividade. São Maximiliano tornou-se um dos maiores apóstolos de seu tempo.

A imprensa a serviço de Nossa Senhora

Padre Kolbe compreendeu que, para alcançar as almas, era necessário utilizar os meios de comunicação disponíveis em sua época.

Fundou a revista O Cavaleiro da Imaculada, que rapidamente alcançou extraordinária circulação. Criou também jornais, oficinas, gráficas e centros de formação.

Na Polônia, fundou Niepokalanów, cujo nome significa Cidade da Imaculada.

Ali viviam centenas de religiosos dedicados à oração, ao trabalho e ao apostolado. Suas máquinas imprimiam milhares de publicações católicas, levando a fé e o amor a Nossa Senhora a inúmeras famílias.

Mais tarde, embora tivesse a saúde frágil e quase nenhum recurso, Padre Kolbe partiu como missionário para o Japão.

Sem dominar a língua e enfrentando grandes dificuldades, estabeleceu outra Cidade da Imaculada e começou a publicar uma revista mariana em japonês.

Sonhava utilizar os meios modernos de comunicação para difundir a verdade católica. Se vivesse hoje, certamente recorreria às novas formas de comunicação para fazer Nossa Senhora chegar aos lares e aos corações.

Os instrumentos mudaram, mas a missão permanece: fazer a Imaculada conhecida e amada, para que Ela conduza as almas a Nosso Senhor Jesus Cristo.

É também nessa missão que trabalha a Associação Regina Fidei, utilizando os meios atuais para propagar a devoção a Nossa Senhora e aproximar de seu Divino Filho um número cada vez maior de almas.

A prisão do apóstolo da Imaculada

Com a invasão da Polônia pela Alemanha nazista, começou um novo capítulo na vida de Padre Kolbe.

A Cidade da Imaculada passou a acolher refugiados, feridos e perseguidos, entre os quais muitos judeus que fugiam da violência nazista. Padre Kolbe sabia que essa atuação poderia levá-lo à prisão, mas não abandonou sua missão.

Em fevereiro de 1941, a polícia nazista voltou a Niepokalanów. Dessa vez, ele foi preso definitivamente.

Depois de passar por uma prisão em Varsóvia, foi enviado para Auschwitz, onde recebeu o número 16670.

Ali, os prisioneiros eram privados do nome, da liberdade, dos bens e, muitas vezes, da própria dignidade. Padre Kolbe, porém, permaneceu sacerdote e cavaleiro da Imaculada.

Mesmo submetido à fome, aos espancamentos e às humilhações, consolava os prisioneiros, ouvia confissões, repartia sua escassa alimentação e os ajudava a conservar a esperança.

Nenhum carrasco poderia retirar-lhe a capacidade de elevar a inteligência e o coração até Deus. Seu corpo estava encarcerado, mas sua alma permanecia livre.

“Quero morrer no lugar desse homem”

No final de julho de 1941, um prisioneiro fugiu do campo. Como represália, os guardas escolheram dez homens para morrer de fome.

Entre os condenados estava Francisco Gajowniczek, sargento do exército polonês e pai de família. Ao ouvir seu nome, ele exclamou desesperado:

— “Minha pobre mulher! Meus pobres filhos!”

Então aconteceu algo inesperado. Padre Maximiliano Kolbe saiu de sua fila e caminhou em direção ao comandante.

Era proibido a qualquer prisioneiro mover-se sem autorização. Ele poderia ter sido morto naquele mesmo instante.

Surpreso, o comandante perguntou o que desejava. Padre Kolbe respondeu que queria ocupar o lugar do condenado. Explicou que era sacerdote católico e que o outro homem tinha esposa e filhos.

O comandante aceitou a troca. Francisco retornou à fila, e Padre Maximiliano foi conduzido com os outros nove condenados ao bunker da fome.

A coroa vermelha, apresentada por Nossa Senhora em sua infância, estava prestes a ser colocada sobre sua cabeça.

O bunker transformado em capela

Os condenados ao bunker da fome geralmente eram dominados pelo desespero. Seus gritos e lamentos podiam ser ouvidos pelos guardas e pelos demais prisioneiros.

Dessa vez, porém, aconteceu algo diferente. Do interior da cela começaram a sair orações, cânticos religiosos e invocações a Nossa Senhora. Padre Kolbe preparava aqueles homens para a morte.

O lugar criado para destruir toda esperança transformou-se em uma espécie de capela.

À medida que os dias passavam, os prisioneiros morriam um após o outro. Padre Kolbe permanecia sereno, rezando e sustentando espiritualmente seus companheiros.

Depois de aproximadamente duas semanas, apenas quatro homens continuavam vivos. Como os guardas queriam esvaziar a cela, decidiram matá-los com uma injeção de ácido carbólico. Padre Kolbe ofereceu serenamente o braço ao carrasco.

Era 14 de agosto de 1941, véspera da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Naquele dia, o cavaleiro da Imaculada terminou sua missão nesta terra. Aquele que passara a vida conduzindo almas à Santíssima Virgem estava pronto para encontrá-la no Céu.

Seu martírio começou muito antes de Auschwitz

O gesto de São Maximiliano Kolbe costuma ser lembrado como um extraordinário ato de heroísmo. E realmente foi. Sua entrega, contudo, não nasceu de um impulso repentino.

Ele pôde oferecer a vida por outro homem porque já havia colocado nas mãos da Imaculada sua inteligência, sua vontade, seus projetos, sua saúde, seus sofrimentos e seu apostolado.

Seu martírio começou muitos anos antes de Auschwitz, quando um menino se ajoelhou diante de Nossa Senhora e aceitou as coroas da pureza e do sacrifício.

Prosseguiu quando o jovem religioso decidiu não viver para si mesmo e quando o sacerdote se fez apóstolo incansável da Imaculada.

Nossa Senhora o preparou para que, no momento decisivo, ele fosse capaz de amar até o fim.

Padre Kolbe e Padre Pio: duas vidas oferecidas pelas almas

Embora tenham recebido missões muito diferentes, São Maximiliano Kolbe e Padre Pio foram formados na mesma escola espiritual: a entrega total a Deus pelas mãos de Nossa Senhora.

Padre Pio exerceu principalmente seu apostolado no altar e no confessionário; Padre Kolbe serviu-se da imprensa, das missões e, por fim, do próprio martírio.

Ambos, porém, desejavam conduzir as almas a Jesus e aceitaram oferecer por elas seus trabalhos, suas enfermidades e seus sofrimentos.

Nenhum dos dois se tornou santo apenas no momento dos grandes acontecimentos pelos quais seria recordado.

A entrega de Padre Kolbe no bunker da fome e os extraordinários sofrimentos de Padre Pio foram preparados por muitos anos de oração, obediência, sacrifício e fidelidade cotidiana.

Antes de serem chamados às grandes provas de suas vidas, ambos aprenderam a dizer “sim” a Deus nas pequenas renúncias de cada dia.

O que São Maximiliano Kolbe nos ensina?

Talvez nunca sejamos chamados a oferecer a vida da mesma maneira que São Maximiliano Kolbe. Todos, porém, somos convidados a entregá-la pouco a pouco, nas circunstâncias de cada dia.

Podemos confiar a Nossa Senhora nossas preocupações, enfermidades, trabalhos, contrariedades e sacrifícios. Podemos pedir-lhe que sustente nossa fé nas provações e colocar nossos talentos, nosso tempo e nossos recursos a serviço do apostolado.

A verdadeira devoção mariana não nos afasta das exigências da vida cristã. Ao contrário, dá-nos forças para cumpri-las.

Nossa Senhora não prometeu a São Maximiliano uma vida sem cruzes. Mostrou-lhe as coroas da pureza e do martírio. Ele aceitou ambas porque confiava naquela que as oferecia.

Essa confiança fez de um menino um grande missionário, de um frade enfermo um incansável apóstolo e de um prisioneiro de Auschwitz um mártir da caridade.

São João Paulo II o canonizou em 1982 e o apresentou ao mundo como mártir do amor.

Sua vida continua proclamando que a fé pode sobreviver mesmo nos lugares mais sombrios e que uma alma entregue a Nossa Senhora pode realizar obras que parecem impossíveis.

Na festa de São Maximiliano Kolbe, peçamos a graça de também nos tornarmos instrumentos da Imaculada. Que Ela receba nossas orações, nossos trabalhos e nossos sofrimentos, para a maior glória de Deus e a salvação das almas.

Ligue 0800 006 1223 para solicitar sua estampa digital de São Maximiliano.

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