Dia dos Pais: Deus confiou aos pais a missão de formar santos

Neste domingo, celebramos o Dia dos Pais. Mais do que uma homenagem, esta data é um convite para redescobrir a grandeza da paternidade cristã.

E recordar os pais que, por sua fé, seu exemplo e seus sacrifícios, ajudaram a formar grandes santos.

 

Neste domingo, milhões de famílias celebrarão o Dia dos Pais. Haverá encontros, almoços, presentes e manifestações de carinho. Tudo isso é justo e belo.

Para os católicos, porém, esta data possui um significado ainda mais profundo.

O Dia dos Pais é uma ocasião para agradecer a Deus pelo dom da paternidade e refletir sobre a missão que Ele confiou aos homens chamados a ser pais.

Essa missão não consiste apenas em sustentar materialmente a família, proteger os filhos ou prepará-los para uma profissão. O pai cristão recebe de Deus a responsabilidade de ajudar a formar almas para a eternidade.

Por isso, São Paulo escreve:

“Por essa razão, dobro os joelhos diante do Pai, de quem recebe o nome toda paternidade no céu e na terra” (Ef 3,14-15).

Toda verdadeira paternidade tem sua origem em Deus. O pai terreno é chamado a refletir, ainda que de maneira limitada, a autoridade, a bondade, a providência e o amor do Pai celeste.

Ele deve ser o primeiro mestre da fé, o primeiro exemplo de virtude e aquele que ensina os filhos, principalmente pela própria vida, a amar a Deus, a Santíssima Virgem e a Igreja.

A história da Igreja confirma a importância dessa missão. Por trás de muitos grandes santos, encontramos pais que rezaram, trabalharam, sofreram e fizeram sacrifícios para que a graça de Deus pudesse florescer na vida de seus filhos.

São José: o pai escolhido pelo próprio Deus

Entre todos os homens da história, apenas um recebeu de Deus a missão de exercer a autoridade paterna sobre Jesus Cristo: São José.

Embora não fosse pai de Jesus segundo a carne, exerceu uma paternidade verdadeira, fundada na missão que lhe foi confiada pelo próprio Deus.

Coube-lhe proteger o Menino Jesus e Nossa Senhora, sustentar a Sagrada Família, conduzi-la nos momentos de perigo e ensinar ao Filho de Deus o trabalho cotidiano.

O silêncio de São José, tão marcante nos Evangelhos, revela um homem atento à vontade divina, inteiramente disponível para obedecer assim que Deus lhe manifestasse Seus desígnios.

Quando foi avisado em sonho de que Herodes desejava matar o Menino Deus, José levantou-se durante a noite, tomou Jesus e Maria e partiu para o Egito. Não discutiu, não adiou e não colocou a própria comodidade acima da segurança de sua família.

Em São José encontramos o modelo perfeito do pai cristão: um homem que protege sem dominar, exerce a autoridade sem egoísmo, trabalha sem buscar reconhecimento e conduz sua família para Deus.

São Louis Martin: o pai que ajudou a formar uma Doutora da Igreja

Quando pensamos em Santa Teresinha do Menino Jesus, recordamos sua confiança absoluta em Deus, sua “Pequena Via” e seu ardente desejo de amar Jesus e salvar almas.

A santidade de Santa Teresinha floresceu em um lar profundamente cristão.

Seu pai, São Louis Martin, exerceu uma influência decisiva em sua formação espiritual. Joalheiro de profissão, era um homem de intensa vida de oração, fiel à Santa Missa, devoto do Santíssimo Sacramento e inteiramente dedicado à família.

Sua autoridade não se apoiava na dureza, mas na coerência de sua vida. As filhas viam nele um homem que acreditava verdadeiramente naquilo que ensinava.

Santa Teresinha nutria por seu pai uma profunda admiração. Em seus escritos, declarou que Deus lhe havia concedido “um pai mais digno do Céu do que da terra”.

Depois da morte de sua esposa, Zélia Martin, Louis assumiu com ainda maior dedicação a educação das filhas. Também soube oferecê-las a Deus quando elas manifestaram o desejo de ingressar na vida religiosa.

Não procurou retê-las para si. Compreendeu que os filhos pertencem, antes de tudo, a Deus.

Louis Martin foi canonizado juntamente com sua esposa, Zélia, em reconhecimento à maneira heroica como ambos viveram sua vocação matrimonial e familiar.

Seu exemplo mostra que a paternidade, quando vivida segundo a vontade de Deus, é um verdadeiro caminho de santidade.

Grazio Forgione: o pai que se sacrificou pela vocação de Padre Pio

Padre Pio também encontrou em seu pai um exemplo de fé e sacrifício.

Grazio Forgione era um agricultor simples e pobre. Quando percebeu que seu filho Francesco desejava tornar-se sacerdote, compreendeu que a família não possuía recursos suficientes para custear seus estudos.

Para tornar possível a vocação do filho, Grazio emigrou em busca de trabalho. Esteve nos Estados Unidos e na Argentina, realizando trabalhos pesados e enviando dinheiro para a família. Foi um sacrifício imenso.

Enquanto Francesco se preparava para o sacerdócio, seu pai trabalhava longe de casa, suportando a saudade, o cansaço e as dificuldades próprias de um imigrante.

Muitos conhecem os estigmas de Padre Pio, seus dons extraordinários, suas longas horas no confessionário e os numerosos milagres atribuídos à sua intercessão.

Poucos, porém, se recordam do pai que aceitou tantos sofrimentos para que o filho pudesse responder ao chamado de Deus.

De certo modo, o sacrifício de Grazio está presente em cada Santa Missa celebrada por Padre Pio, em cada pecador que ele reconciliou com Deus e em cada alma que, ainda hoje, recebe graças por sua intercessão.

Um pai talvez nunca veja todos os frutos de seus sacrifícios. Mas aquilo que oferece a Deus pela santificação dos filhos pode produzir frutos durante muitas gerações.

Alberto Beretta: o pai que fez de sua casa uma escola de santidade

Santa Gianna Beretta Molla, médica, esposa e mãe de família, tornou-se conhecida em todo o mundo por ter oferecido a própria vida para salvar a filha que trazia no ventre.

Essa extraordinária fidelidade a Deus teve suas raízes na profunda formação cristã que recebeu dentro de casa.

Seu pai, Alberto Beretta, era um homem de fé sólida e vida espiritual intensa. Juntamente com sua esposa, Maria de Micheli, procurou fazer do lar uma verdadeira igreja doméstica.

A oração em família, a participação na Santa Missa, a devoção a Nossa Senhora, a leitura espiritual e a prática da caridade faziam parte da vida cotidiana dos Beretta.

A religião não era apresentada aos filhos como uma obrigação exterior ou como um conjunto de costumes sociais. Era vivida como o centro da existência.

Alberto não ensinava a fé apenas por palavras. Seus filhos viam nele um homem que rezava, confiava na Providência, ajudava os necessitados e procurava cumprir a vontade de Deus.

Santa Gianna conservou durante toda a vida uma grande admiração pelo pai e pela formação que recebeu.

Foi dentro desse ambiente profundamente cristão que aprendeu a unir a fé à vida profissional, à vocação matrimonial, à maternidade e ao serviço aos doentes.

A decisão heroica que marcou o fim de sua vida não pode ser separada dessa educação.

Ao colocar a vida da filha que trazia no ventre acima da própria segurança, Gianna levou até as últimas consequências os princípios cristãos que aprendera desde a infância.

Seu exemplo mostra que a formação dada por um pai pode preparar os filhos para atos de extraordinária fidelidade a Deus.

A missão dos pais é conduzir os filhos para o Céu

Ao longo da história da Igreja, Deus quis servir-Se da família para preparar muitos de Seus santos.

A santidade é sempre fruto da graça divina, mas essa graça floresce com abundância nos lares onde a fé é vivida, a oração ocupa um lugar central e os pais conduzem os filhos pelo caminho de Deus.

É por isso que, por trás de tantas grandes vocações, encontramos pais que rezaram, sacrificaram-se e educaram seus filhos para amar Nosso Senhor acima de todas as coisas.

Isso não significa que um pai precise ser perfeito. Nenhum homem o é. Significa que ele deve compreender a responsabilidade que recebeu.

O pai cristão não pode limitar sua missão a oferecer conforto material, bons estudos e segurança financeira. Tudo isso tem importância, mas não é suficiente.

De pouco adiantará a um filho conquistar o mundo inteiro se perder a própria alma.

Por isso, cabe ao pai ensinar a verdade, corrigir com caridade, formar a consciência, incentivar a oração, conduzir os filhos aos sacramentos e ajudá-los a discernir a vontade de Deus.

Sua autoridade não deve ser exercida para satisfazer o orgulho ou impor caprichos pessoais.

O pai é chamado a ser firme sem perder a ternura, misericordioso sem se tornar permissivo e presente não apenas fisicamente, mas também espiritualmente.

A maior herança que um pai pode deixar

Neste domingo, muitos pais receberão presentes de seus filhos. No entanto, o Dia dos Pais também deve levar cada homem a perguntar qual presente está deixando para sua família.

Um pai pode transmitir bens, propriedades, conhecimentos e oportunidades. Pode preparar os filhos para uma profissão e ajudá-los a alcançar uma posição respeitada na sociedade.

Mas nenhuma herança se compara à fé. A maior vitória de um pai não é ver o filho rico, famoso ou poderoso. É vê-lo permanecer fiel a Deus.

Neste Dia dos Pais, agradeçamos a Deus pelos pais que rezam, trabalham e se sacrificam silenciosamente por suas famílias.

Rezemos também pelos pais falecidos, por aqueles que se encontram afastados de Deus e pelos que enfrentam dificuldades para cumprir sua missão.

Que São José lhes ensine a fidelidade e a coragem.

Que São Louis Martin lhes mostre a força do exemplo.

Que Grazio Forgione lhes recorde o valor do sacrifício realizado pela vocação dos filhos.

Que Alberto Beretta os inspire a transformar o próprio lar numa verdadeira escola de santidade.

E que Deus conceda à nossa sociedade uma nova geração de pais que compreendam que sua maior responsabilidade não é apenas criar bons cidadãos, mas formar filhos para o Céu.

 

 

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