Antes de qualquer decreto, antes de qualquer discurso de posse, um governante fez o gesto que poucos líderes ainda têm coragem de fazer em público.

No dia 9 de julho, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá recebeu uma multidão diferente do costume.
Entre os fiéis que chegaram para a festa da padroeira da Colômbia, estava o presidente eleito do país, Abelardo de la Espriella, ao lado da esposa, Ana Lucía Pineda.
Ele não foi para discursar. Foi para se ajoelhar diante de uma imagem que já foi, um dia, apenas um trapo sujo largado num celeiro.
A pintura que quase desapareceu
Em 1562, o pintor espanhol Alonso de Narváez retratou a Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços, ladeada por Santo Antônio de Pádua e pelo Apóstolo Santo André.
Usou tintas naturais, extraídas do solo e de plantas da região, sobre um tecido rústico de algodão.
Com o tempo, a pintura foi exposta às intempéries numa capela precária em Sutamarchán. O tecido se desgastou. As cores desapareceram.
A imagem ficou tão arruinada que virou apenas um pano sujo e rasgado, usado até para secar trigo.
Uma promessa antiga, cumprida em público
Em 1586, uma mulher espanhola chamada María Ramos levou o que restava da pintura para Chiquinquirá. Colocou-a numa capela improvisada.
Todos os dias, María Ramos rezava diante daquele tecido apagado. Pedia que a Virgem se manifestasse ali.
No dia 26 de dezembro de 1586, aconteceu o que os colombianos chamam até hoje de Milagrosa Renovação. A pintura brilhou intensamente. As cores, os traços e o próprio tecido foram restaurados, sem qualquer intervenção humana.
Foi diante dessa mesma imagem, renovada há mais de quatro séculos, que o presidente eleito escolheu se ajoelhar antes de assumir o governo de um país inteiro.
O que ele disse à Virgem
Depois da Missa presidida por Dom Ramón Alberto Rolón, bispo local, o presidente eleito entrou no santuário com a esposa.
Leu uma oração escrita por ele mesmo. Consagrou a Colômbia à Virgem de Chiquinquirá. Pediu que ela fizesse de cada lar colombiano uma pequena Igreja doméstica, onde Cristo reine nos corações.
Consagrou também as instituições e as autoridades civis e militares do país. Pediu retidão de consciência, amor à verdade e compromisso com a justiça para quem exerce o poder.
Pediu ainda pela vida. Que toda vida humana seja respeitada, protegida e defendida desde a concepção até a morte natural.
Terminou pedindo à Virgem que ajudasse a construir uma cultura da vida, do amor e da solidariedade.
Consagrar uma nação não é gesto vazio
A Igreja sempre soube que os povos, e não apenas as pessoas, podem ser confiados à intercessão de Maria.
A consagração de nações à Virgem tem raízes profundas na tradição católica, presente em Fátima, em Guadalupe, em tantos outros lugares onde reis, presidentes e bispos entregaram seus territórios à Mãe de Deus.
Não é superstição. É reconhecer, diante de todos, que nenhum governo se sustenta sem a graça.
O gesto de um governante ajoelhado diante de Maria é lembrança para qualquer cristão, exerça cargo público ou não.
Toda autoridade recebida é passageira. O que permanece é a fidelidade a Deus.
Quem consagra sua casa, sua família ou seu trabalho à Virgem faz, em escala menor, o mesmo que este presidente fez diante de toda a Colômbia. E faz o mesmo que María Ramos fez, séculos atrás, diante de um pano que ninguém mais queria.
Nossa Senhora, seja qual for o nome da nação ou do lar que se põe sob teu manto, intercede para que a justiça e a fé andem juntas. Que nenhum poder na terra esqueça a quem deve prestar contas.
Antes de assinar um único decreto, um homem se ajoelhou diante da Mãe de Deus e pediu que Cristo reinasse primeiro. É um começo que vale a pena lembrar.
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Fontes consultadas
InfoCatólica/ACI Prensa, “El presidente electo de Colombia consagra el país a la Virgen de Chiquinquirá” (https://www.infocatolica.com/?t=noticia&cod=55499)
ACI Prensa, “Colombia: presidente electo Abelardo de la Espriella se consagra a la Virgen de Chiquinquirá” (https://www.aciprensa.com/noticias/126765/presidente-electo-de-colombia-se-consagra-a-la-virgen-de-chiquinquira-y-le-pide-por-su-gobierno)
El Tiempo, “Los detalles de la consagración de Colombia que hizo el presidente electo Abelardo De La Espriella en Chiquinquirá” (https://www.eltiempo.com/colombia/otras-ciudades/los-detalles-de-la-consagracion-de-colombia-que-hizo-el-presidente-electo-abelardo-de-la-espriella-en-chiquinquira-esta-es-la-historia-detras-3570489)




