Conheça o esforço heróico do jesuíta para ser “apenas mais um” em São Leopoldo, escondendo dons extraordinários sob o manto da obediência e da rotina simples, fugindo de qualquer glória que não fosse a de Deus.

Viver cercado por fenômenos místicos como levitação, bilocação e leitura de mentes poderia facilmente levar uma alma ao orgulho, mas no caso do Padre Réus, o efeito era o oposto.
Ele vivia em uma luta constante para ocultar o que Deus realizava através dele.
Para o Padre Réus, ser considerado um “santo” era uma provação que ele tentava evitar a todo custo, buscando o refúgio do anonimato jesuítico.
A “Vila de Nazaré” em São Leopoldo
O Padre Réus não queria ser tratado como um taumaturgo ou uma celebridade religiosa. No Colégio Conceição, ele se esforçava para cumprir as tarefas mais simples e rotineiras:
- O Cumprimento das Regras: Ele era o primeiro a chegar aos atos comunitários e o último a se servir à mesa, tratando seus superiores e irmãos com uma reverência que ocultava sua própria estatura espiritual.
- A Recusa de Privilégios: Mesmo quando sua saúde estava debilitada pelos jejuns e pelos estigmas invisíveis, ele evitava tratamentos especiais ou celas mais confortáveis. Ele queria viver a pobreza absoluta de Santo Inácio.
Escondendo os Dons Sobrenaturais
Muitas vezes, quando percebia que um êxtase estava prestes a acontecer em público, o Padre Réus fazia um esforço físico violento para se retirar e se esconder na sacristia ou em sua cela.
Ele tinha pavor de que as pessoas olhassem para ele em vez de olharem para Jesus Cristo.
Quando alguém o questionava sobre um milagre ou uma bilocação, ele costumava dar respostas curtas ou atribuir o fato a uma “impressão errada” do observador. Essa “santa dissimulação” era sua forma de proteger a pureza de sua missão.
A Obediência como Escudo
O Padre Réus só escreveu seus diários – hoje fonte de tanta riqueza espiritual – porque foi obrigado por seus superiores.
Por ele, sua vida mística morreria no segredo entre ele e o Sagrado Coração. Ele via na obediência o porto seguro contra as ciladas do inimigo; se o superior mandava escrever, ele escrevia; se mandava silenciar, ele mergulhava no mais profundo esquecimento de si mesmo.
O Exemplo para os Fiéis
Para o povo que o procurava, ele nunca se apresentava como um místico, mas como um confessor zeloso e um professor atento.
Ele ensinava que a verdadeira santidade não está nos fenômenos extraordinários, mas no cumprimento fiel do dever cotidiano por amor a Deus.
Ao se esconder, o Padre Réus permitia que a luz de Cristo brilhasse sem obstáculos, provando que quanto menor o homem se faz, maior Deus pode agir através dele.




