Um pouco da história do Dr. Sanguinetti, o construtor do Hospital do Padre Pio.

Em post anterior falamos do Dr. Sanguinetti, e de uma profecia que o Pe. Pio fez sobre sua morte. Vale a penas lê-lo antes de continuar.

“O Doutor”, como era chamado, deve ter recebido uma acolhida extremamente calorosa quando Deus o levou de volta para Sua casa porque, por longos anos, ele foi o escudo, o cajado e o incansável suporte de uma de Suas mais preciosas criaturas.

Padre Pio sabia que podia contar com ele totalmente e em qualquer circunstância.

Seu afeto e sua lealdade eram absolutos. Nunca recusou uma tarefa. Sua sinceridade e sua espontaneidade eram tais, que ele nunca provou nenhuma inibição ou reserva na presença de Padre Pio como ocorria, em maior ou menor grau, com a maior parte das pessoas. Assim, Padre Pio podia ficar tranquilo em sua companhia, o que acontecia somente com pouquíssimas outras pessoas.

Dr. Sanguinetti não se curvava diante de homem nenhum, com exceção de Padre Pio; nem diante de mulher nenhuma, com exceção de sua gentil esposa, Da. Emília, que ele amava dedicadamente. Essa última grande inspiração de sua vida foi quem o conduziu à primeira.

Dr. Sanguinetti era um médico do interior, expansivo e direto. Pode-se ter uma ideia do quanto seus pacientes gostavam dele por sua dedicação e seu sincero bom humor; e ele também apreciava sua vida rural no meio deles.

Havia apenas duas sombras em sua existência.

Tinha se tornado anticlerical por ter-se desgostado com alguma infeliz experiência no mundo eclesiástico. Isto e o fato de não ter filhos constituíam duas pesadas cruzes para Da. Emília.

Ela decidiu fazer uma tentativa radical para eliminar a primeira delas, não se dando conta de que, no âmbito espiritual, iria dessa forma também eliminar a segunda e criar para eles uma família que seria numerosa, exigente e muito compensadora.

Quando chegava a época de seu aniversário de casamento, o Doutor costumava perguntar a sua adorada “Mi” que presente gostaria de receber. Nessa ocasião em particular, ela se encheu de coragem e disse:

– Uma viagem para visitarmos Padre Pio!

O marido ficou aturdido.

– Não, não, Mi! -exclamou -Isso não é justo!

Mas depois, por ser o homem que era e por amá-la muito, continuou:

– Desculpe-me, Mi, retiro o que disse. Se isso é o que você quer, e’ isso que vai receber.

Eles foram juntos para San Giovanni Rotondo, no aniversário de casamento, e o inevitável aconteceu.

Esse homem duro e firme nos seus preconceitos olhou nos olhos de Padre Pio, viu neles algo que nunca vira antes em sua vida e cedeu sem resistir.

Depois de sua confissão e comunhão, ele entendeu que seu estilo de vida iria mudar; mas não imaginou, nem de longe, até que ponto.

Padre Pio falou-lhe de seu desejo de fundar um grande hospital ali, naquela região muito pobre, primitiva e esquecida. Depois veio a bomba.

– Você, Doutor; é o homem que virá aqui para construí-lo.

O Dr. Sanguinetti olhou para ele estupefato.

E disse: mas eu sou um médico, um médico do interior. O senhor necessita de um arquiteto ou de um engenheiro.

– De jeito nenhum! É você que vai construí-lo, você verá.

– Mas, Padre, mesmo se tivesse as qualificações, ainda assim não poderia fazê-lo porque o único dinheiro que tenho é o que ganho com meu trabalho.

– Isso será providenciado, replicou Padre Pio.

Quando, alguns meses mais tarde, o Doutor recebeu uma grande soma em dinheiro com um bilhete da loteria nacional, ele logo soube o porquê e compreendeu o que deveria fazer.

Com parte do dinheiro comprou uma propriedade agrícola, não distante de Florença, e alugou-a para poder ter um rendimento. Com o restante,  construiu sua nova casa em San Giovanni Rotondo e começou a organizar a construção do Hospital.

Grande, claro e nobre, o Hospital não é somente um monumento a Padre Pio mas, ao menos no que se refere ao esforço humano, também ao Dr. Sanguinetti.

Isso inclui ainda a vegetação na encosta acima do Hospital, da igreja e do convento, onde ele plantou e escorou milhares e milhares de árvores para cobrir a aridez vermelha e rochosa.

Um arquiteto de Milão, de índole romântica, que esteve uma vez em San Giovanni Rotondo , assim que viu os altos ciprestes verde-escuro que circundavam o jardim do convento disse:

– Que contraste! Este é um cantinho da Úmbría que São Francisco deixou cair aqui, nestas elevações pedregosas!

Assim também o Dr. Guglielmo Sanguinetti encontrou tempo para criar uma encosta com folhagens verdes acima do convento. E hoje, por entre suas árvores, os peregrinos seguem seu caminho acompanhando as estações da Via Sacra, esculpidas maravilhosamente em bronze por aquele outro famoso discípulo de Padre Pio, Francesco Messina.

Ao contemplar aquele vasto e isolado local, o Dr. Sanguinetti deve ter precisado de toda a sua fé renovada para empreender tão gigantesco trabalho.

É claro que teve quem o ajudasse. Vieram Angelo Lupi, o gênio da arquitetura que desenhou o Hospital nas suas proporções imponentes e funcionais; Carlo Kisvarday, o contador; Massimiliano Malaguti, que, entre outras coisas, teve a criativa ideia de “acender uma estrela” no firmamento de Padre Pio, doando um leito; e outros espíritos voluntários, cujo número era sempre crescente.

Houve também homens ativos em outros lugares como: Giovanni Sacchetti e Bernardo Patrizi, dois nobres romanos extraordinários, e Mano Sanvico, de Perugia, que trabalharam muito, de várias maneiras, para que o sonho de Padre Pio se tornasse realidade.

Dirigia caminhões, dirigia operários e, sobretudo, dirigia a si mesmo. Nada estava além ou aquém de sua capacidade. Desenvolveu uma série de novas habilidades; rodeou-se de conselheiros técnicos e consultores; tornou-se especialista em aliar a moderação à sensatez e ao valor na seleção dos materiais; e para garantir que não houvesse exploração na qualidade ou nos preços, era como um tigre.

A firme e resoluta personalidade do Dr. Sanguinetti desempenhou papel de destaque por tanto tempo no cenário externo, durante a metamorfose de San Giovanni Rotondo, que, naqueles dias, não se podia imaginar o local sem ele. Estava ali sempre e por toda a parte.

No inverno: de boina, jaqueta impermeável, calça folgada, meias grossas de lã e botas de montanha; no verão: com capacete, camisa de mangas curtas com o colarinho aberto e calça estilo colonial. Ele era verdadeiramente “um homem de todas as estações”?

Foi ele quem lançou as bases editoriais e administrativas do boletim de notícias, que progrediu e se desenvolveu tornando-se a excelente publicação de hoje. Naturalmente, também para isto precisou de colaboradores dispostos e capazes. É impossível falar do Bollettino e do seu sucessor atual sem fazer uma menção honrosa a seu editor de longa data, Pio Trombetta. Esse homem extremamente dedicado tornou-se a alma do Bollettino.

O Dr. Sanguinetti exerceu um papel importante não apenas fora do convento mas também dentro dele. Ele foi “um homem de todas as estações” para o próprio Padre Pio. Quando o Doutor morreu tão inesperadamente, Douglas Woodruff escreveu:

– Que estranho! Qualquer um poderia imaginar que o bom Doutor morreria depois de Padre Pio, e que envelheceria relembrando e contando as coisas extraordinárias que havia visto.

Certamente o Doutor teria podido relatar episódios fascinantes porque, além dos muitos acontecimentos dos quais foi testemunha direta, Padre Pio tinha-lhe pagado por sua total dedicação com uma extrema confiabilidade.

Com o Doutor, assim como com seu confessor, e por algum tempo seu superior, Padre Agostino, Padre Pio não sentia necessidade de manter aquela defesa habitual contra a curiosidade das pessoas (com suas chagas), mesmo das mais bem-intencionadas.

 

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