Era 1919. Um jornalista estava presente. O que ele viu naquele dia mudou para sempre a história do Santo de Pietrelcina.

Há milagres que acontecem no silêncio de um quarto, testemunhados apenas por Deus e por quem os recebe. E há milagres que acontecem em plena luz do dia, diante de uma multidão, registrados por um jornalista com caderno na mão – como se o Céu quisesse que não houvesse dúvida.
O milagre de Pasquale de Kiara foi desse segundo tipo.
O Jovem Santo que o Mundo Ainda Não Conhecia
Em 1919, o Padre Pio tinha 32 anos. Havia recebido os estigmas há apenas um ano – as chagas nas mãos, nos pés e no lado que sangravam como as feridas de Cristo na Cruz. A notícia havia começado a se espalhar pela Itália, e os primeiros peregrinos já encontravam o caminho até San Giovanni Rotondo.
Mas o mundo ainda não sabia o que estava diante dele.
Renato Trevizani, jornalista do jornal Il Mattino, foi até lá com o ceticismo natural de quem apurou muitas histórias e aprendeu a desconfiar de todas. Voltou com algo que não esperava encontrar: uma reportagem que ele mesmo havia visto acontecer diante dos seus olhos.
Em 6 de novembro de 1919, o Il Mattino publicou o primeiro relato jornalístico de um milagre de cura atribuído ao Padre Pio. Há mais de cem anos, esse texto ainda existe. E a história que ele conta ainda arrepia.
O Homem que Caminhava com Dor
Pasquale de Kiara chegou ao convento como chegavam tantos outros — com dificuldade. Duas muletas sustentavam o peso de um corpo que as pernas já não conseguiam sustentar sozinhas. Cada passo era uma negociação entre a vontade de seguir em frente e a dor que insistia em dizer pare.
Renato Trevizani estava presente quando o Padre Pio viu Pasquale atravessar o pátio naquele jeito penoso, oscilante, que quem nunca usou muletas não consegue imaginar direito.
O santo parou. Olhou. E disse com uma simplicidade desconcertante:
“Larga essas muletas.”
Mas Como Eu Vou Fazer Isso?
Pasquale não era um homem sem fé. Mas era um homem com memória. E sua memória lhe dizia, com toda a clareza de décadas de experiência, que sem aquelas muletas ele cairia.
“Como eu vou fazer isso? Eu caio sem elas.”
A resposta do Padre Pio não veio com explicações. Não veio com teologia, nem com consolação, nem com a gentileza de quem está pedindo um favor. Veio com a autoridade de quem está transmitindo uma ordem que não é sua.
“Larga.”
E Pasquale largou.
Uma Sensação de Ardor
Ele não caiu.
Ficou de pé – sozinho, sem apoio, sem as muletas que havia largado no chão – e começou a caminhar. Renato Trevizani registrou o que viu: várias pessoas presentes aplaudiram com admiração. O jornalista que havia chegado com ceticismo saiu com uma história que não tinha como não publicar.
Pasquale descreveria depois o que sentiu no momento em que largou as muletas: uma sensação de ardor percorrendo a pele, atravessando o corpo inteiro – e então a certeza súbita, inexplicável, de que os pés sustentariam o que as muletas sustentavam antes.
Ele caminhou. Sem ajuda. Sem apoio. Sem dor.
O jornalista foi para a redação. E no dia 6 de novembro de 1919, o mundo leu pela primeira vez que o jovem frade capuchinho de San Giovanni Rotondo havia curado um paralítico diante de testemunhas.
O Milagre Que Não Terminou Ali
Mas a história de Pasquale de Kiara tem uma segunda parte que poucos conhecem.
Sua filha também carregava o peso da paralisia infantil – não com muletas, mas com aparelhos ortopédicos nas pernas, aqueles dispositivos de metal que sustentavam o que os ossos não conseguiam. Ela os usava desde criança. Eram parte do seu corpo tanto quanto qualquer outro membro.
Quando ela se encontrou com o Padre Pio em San Giovanni Rotondo, o santo pediu que ela jogasse os aparelhos fora.
Ela jogou.
E foi capaz de caminhar, sem jamais precisar deles novamente.
Pai e filha. Duas muletas, dois aparelhos, duas curas. O mesmo santo. O mesmo poder. A mesma ordem simples que o mundo racional não sabe como arquivar.
Por Que Deus Faz Isso?
Há uma pergunta que esse milagre levanta e que não é possível ignorar: por que Deus escolhe curar alguns e não outros? Por que Pasquale e sua filha, e não os milhares de outros que chegavam com as mesmas muletas e voltavam com elas?
Não temos a resposta completa. Mas temos uma pista.
O Padre Pio não escolhia quem curar com base em mérito, em santidade ou em nível de fé. Ele simplesmente obedecia ao que via, e o que via, ninguém mais via. Ele enxergava o momento em que o Céu havia decidido intervir. E nesse momento, ele apenas transmitia a ordem.
Para Pasquale, aquele foi o momento.
Para cada um de nós, existe um momento assim. A questão não é se ele virá, é se estaremos dispostos a largar as muletas quando ele chegar.
Acompanhe os conteúdos da Associação Regina Fidei e coloque suas intenções nas mãos do Padre Pio. Ele ainda intercede. Ele ainda age.




