O sacerdote italiano don Stefano Bimbi recorda que a Ascensão não é uma despedida de Cristo, mas o início de uma presença ainda mais profunda junto da Igreja.

A festa da Ascensão costuma ser vista apenas como o momento em que Jesus deixa a terra diante dos Apóstolos e sobe ao Céu.
No entanto, o sacerdote italiano don Stefano Bimbi, conhecido na Itália por suas homilias e trabalhos de formação católica, explica que essa visão é incompleta.
A Ascensão não representa a ausência de Cristo, mas uma nova forma de presença junto dos homens.
Segundo don Stefano Bimbi, os próprios Apóstolos compreenderam isso. Depois da Ascensão, não voltaram para Jerusalém dominados pela tristeza, mas cheios de alegria, porque perceberam que Nosso Senhor continuava vivo e presente junto deles.
O homem foi criado para o Céu
O sacerdote recorda que muitos homens modernos vivem como se esta vida fosse tudo. Trabalho, dinheiro, aparência, saúde e sucesso ocupam completamente o horizonte das pessoas.
Por isso tantos acabam esmagados pela ansiedade, pelo medo e pelo vazio interior.
A Ascensão recorda justamente o contrário. Jesus Cristo entrou no Céu com sua humanidade glorificada. Isso significa que a própria natureza humana já entrou na glória eterna.
Essa verdade muda completamente a visão cristã do sofrimento e da morte. A dor continua existindo, mas deixa de possuir a última palavra. Nem mesmo a morte é definitiva para aquele que vive unido a Cristo.
Don Stefano Bimbi insiste que o cristão precisa manter os pés na terra, mas o coração voltado para o alto.
Quem vive apenas para as preocupações materiais acaba inevitavelmente aprisionado pelas coisas passageiras.
“Ide e fazei discípulos”
A Ascensão marca também o início da missão da Igreja. Cristo ordena aos Apóstolos: “Ide e fazei discípulos todos os povos”.
A fé cristã, portanto, não pode ser reduzida a algo privado ou escondido dentro de casa.
O sacerdote italiano observa que muitos católicos vivem hoje uma fé tímida, quase envergonhada. Evitam falar de Deus, têm receio de defender o Evangelho e escondem a própria identidade cristã.
Os Apóstolos fizeram exatamente o contrário.
Antes da Ressurreição estavam fechados no Cenáculo por medo; depois passaram a anunciar Cristo publicamente porque tinham certeza de que Ele estava vivo.
Segundo don Stefano Bimbi, o apostolado começa frequentemente nas pequenas fidelidades cotidianas.
Pais que ensinam os filhos a rezar, jovens que não escondem a fé diante dos amigos e trabalhadores que recusam desonestidades para permanecer fiéis à consciência.
Com o coração voltado para o alto
Na parte final da reflexão, don Stefano Bimbi cita o exemplo de São Filipe Néri, que repetia frequentemente: “Paraíso, Paraíso!”.
O santo vivia alegremente entre as pessoas, mas conservava o coração desapegado das ambições terrenas porque sabia que a verdadeira pátria do cristão está no Céu.
Talvez esteja aí uma das maiores lições da Ascensão para o homem contemporâneo.
O cristianismo não é apenas um conjunto de valores morais ou tradições religiosas. É a certeza sobrenatural de que Cristo ressuscitou, venceu a morte e prepara um lugar eterno para aqueles que permanecem fiéis.
Num mundo cada vez mais preso às coisas materiais, a Ascensão recorda uma verdade essencial: o homem foi criado para o Céu, e somente Deus pode preencher plenamente o coração humano.




