Nossa Senhora, a Capitana e o Preço de uma Alma

O papel de Maria no Purgatório, a Consagração segundo São Luís Grignion de Montfort e o relato que nenhuma alma deveria ignorar

No Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso, no Equador, uma freira chamada Soror Mariana de Jesus Torres recebeu, em determinada hora, uma revelação que a paralisou. 

Uma religiosa do mesmo convento – a líder de um movimento de divisão interna, chamada pelas demais de “a Capitana” – estava a caminho do Inferno.

Soror Mariana implorou. Rezou. Intercedeu com toda a força de que era capaz. E a resposta que recebeu foi esta: para que a Capitana não fosse ao Inferno, seria necessário que a alma de Soror Mariana padecesse, durante cinco anos, os tormentos do Inferno – vivendo no meio das outras, mas sofrendo continuamente as suas penas, inclusive a ideia de ter sido condenada para a eternidade. Excetuando apenas o fato de não deixar de amar a Deus.

Ela aceitou. E durante cinco anos, enquanto a Capitana a injuriava, se queixava e correspondia mal a toda a bondade que recebia, Soror Mariana carregou em silêncio o peso daquilo que havia aceitado.

Quando a Capitana morreu, veio a revelação: foi salva. Ficará no Purgatório até o fim do mundo.

Este relato não é piedade popular. É um documento da misericórdia de Deus – e das suas condições.

Nossa Senhora e o Purgatório

No meio da severidade que o Purgatório representa, Deus introduziu uma flexibilidade que nenhuma lei humana conhece. Ele criou o Purgatório – e criou, ao mesmo tempo, uma Advogada de poder extraordinário que tem toda espécie de predileção pelos que lá estão.

Nossa Senhora desce ao Purgatório. Autores espirituais de grande credibilidade afirmam que nos dias das suas festas ela desce pessoalmente, com uma revoada de anjos, e leva quantidades de almas para o Céu. Não todas. Não a pequeno preço. Mas leva.

Aos que ela não leva naquele momento, diminui os tormentos. E mesmo daqueles cuja pena não diminui no grau, ao menos alivia enquanto está presente. A sua passagem pelo Purgatório é, para as almas, o que a brisa é para quem arde.

Deus é absoluto. Mas no reger as coisas dos homens, Ele é cheio de conformes admiráveis. Criou o Purgatório – e deixou a Sua Mãe com o poder de interceder pela diminuição das penas das almas que lá estão. A intransigência e a ternura coexistem, no Purgatório, com uma perfeição que só Deus poderia orquestrar.

A Consagração a Nossa Senhora e o mistério do Purgatório

São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu Tratado da Verdadeira Devoção, propõe uma Consagração que tem implicações diretas sobre o Purgatório – e que poucos compreendem na sua radicalidade.

O natural seria que os méritos acumulados nesta terra atenuassem, na balança da justiça divina, o rigor dos pecados cometidos. Que os bons atos pesassem a favor da alma no momento em que ela fosse julgada. É a lógica esperada.

Na Consagração segundo São Luís Grignion, a alma entrega isso a Nossa Senhora. Diz, na prática: Minha Mãe, sou vossa escrava. Nem esses méritos – por mais minguados que sejam – quero dispor deles. Se Vós quiserdes aplicá-los a outra alma, a diminuir o Purgatório de uma Capitana, estou à disposição. E esperarei no Purgatório o tempo que Vós entenderdes.

Quem lê isso pela primeira vez sente um sobressalto. E logo depois, um surto de esperança. Porque São Luís Grignion acrescenta que Nossa Senhora nunca se deixa vencer em generosidade por alguém.

Mas ele é deliberadamente sibilino quanto às consequências práticas para o Purgatório de quem assim se consagra. Não promete abreviação. O que diz é que Nossa Senhora pode retribuir de outras maneiras – graças de santidade nesta terra, frutos que repercutirão eternamente. O mistério permanece aberto. E o que se encontra nessa abertura não é imprecisão: é confiança.

O que fazer com o tempo que resta

A série que este artigo encerra começou com uma distinção teológica – o Purgatório não é Novíssimo. Passou pelas suas penas, pelo seu lugar, pelas almas que expiam fora dele, pela intransigência adorável de Deus. E termina aqui, diante do rosto de Nossa Senhora e da história de uma freira que aceitou o Inferno para salvar uma inimiga.

O que une todos esses pontos é uma única conclusão prática: não há tempo a perder.

Rezar pelas almas do Purgatório é uma obra de misericórdia com efeitos eternos. Receber com equanimidade as censuras justas evita matéria para novas penas. Detestar o pecado venial – não por medo do fogo, mas pelo amor a Deus ofendido – é começar agora a pagar o que se deve.

E confiar a Nossa Senhora os próprios méritos, as próprias penas futuras, o próprio Purgatório – com a disposição de Soror Mariana, que aceitou o que lhe foi pedido sem saber o fim da história – é o ato mais alto a que esta doutrina convida.

Minha Mãe, eu sei que provavelmente terei de passar pelo Purgatório. Ajudai-me desde já a dar glória a Deus pelos meus pecados e defeitos que lá serão purificados. Ensinai-me a detestá-los agora – não para não sofrer, mas para não ofender. E lembrai-vos de mim quando descerdes.

Este artigo faz parte da série “Vozes do Purgatório”, no canal Regina Fidei no YouTube. Partilhe com quem precisa ouvir. Inscreva-se e acompanhe o Canal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inscreva-se grátis

para receber os melhores conteúdos e orações

Últimos Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inscreva-se grátis

para receber os melhores conteúdos e orações

Últimos Posts

Search

Para mais informações ligue:

Ligação gratuita


Atendimento: segunda a sexta, das 8:00 às 18:00.

A ligação é grátis para todo o Brasil.

INSCRIÇÃO REALIZADA

Se você gosta dos conteúdos da Regina Fidei e deseja manter esta obra na internet, por favor, faça uma doação simbólica.

Acesse esta página 100% segura 

Dependemos unicamente da generosidade de pessoas como você para continuar este trabalho de apostolado.

Sua pequena contribuição, aqui, será um combustível para estimular ainda mais os voluntários, religiosos e colaboradores que se dedicam fielmente a resgatar a Fé Católica.

Obrigado e conte com nossas orações.

Equipe de Conteúdo Apostólico
Associação Regina Fidei