Três moedas escondidas, um monge arrependido e uma aparição no dia da trigésima Missa. Conheça a origem das Missas Gregorianas e descubra como participar do Oitavário de Finados.

No século VI, durante uma grave doença, um monge contou ao irmão que guardava três moedas de ouro escondidas, contrariando o compromisso de pobreza que havia assumido.
Sua história deu origem às Missas Gregorianas, uma tradição de oferecer trinta Santas Missas, durante trinta dias consecutivos, em sufrágio de uma única pessoa falecida.
São Gregório Magno, papa naquele tempo, registrou o episódio em seus Diálogos, obra na qual trata da vida após a morte.
As três moedas escondidas
No mosteiro de Santo André, em Roma, vivia um religioso chamado Justo, que conhecia a medicina e costumava assistir São Gregório Magno durante suas frequentes enfermidades, velando ao seu lado.
Quando Justo adoeceu gravemente, passou a receber os cuidados de seu irmão, Copioso, que também exercia a medicina.
Durante a doença, Justo contou ao irmão Copioso que guardava três moedas de ouro escondidas.
São Gregório não esclarece como os demais religiosos tomaram conhecimento disso, mas relata que, ao examinarem os medicamentos de Justo, encontraram as três moedas.
Os monges professavam a pobreza religiosa, renunciando à propriedade particular.
Ao guardar aquele dinheiro para seu uso pessoal, Justo havia cometido uma grave falta contra a pobreza e a obediência próprias de sua consagração a Deus.
A punição de Justo
A descoberta entristeceu profundamente São Gregório, que chamou o prior e determinou a pena: enquanto Justo estivesse morrendo, os confrades deveriam permanecer afastados, sem visitá-lo nem lhe dirigir palavras de consolação.
Com essa medida, desejava despertar no enfermo o arrependimento antes da morte.
Quando percebeu que seu fim se aproximava, Justo pediu que chamassem os confrades, pois desejava confiar-se às suas orações, mas eles permaneceram afastados.
Copioso então lhe explicou que aquela ausência era a punição pelo dinheiro guardado em segredo, em violação à pobreza monástica.
Segundo São Gregório, ao compreender o motivo do afastamento, Justo gemeu profundamente ao reconhecer sua culpa e morreu arrependido.
Gregório também havia determinado que o corpo fosse sepultado separado dos demais religiosos, como advertência à comunidade contra a avareza.
Assim, abriram uma cova e nela depositaram o corpo de Justo. Antes de cobrirem a sepultura com terra, lançaram sobre ele as três moedas de ouro, pronunciando juntos:
“Teu dinheiro pereça contigo”.
O sepultamento impressionou profundamente os monges, que, temendo cometer uma falta semelhante, começaram a entregar até pequenos objetos que a própria regra lhes permitia conservar.
O que aconteceu no dia da trigésima Missa
Um mês após a morte de Justo, São Gregório conta que pensava com grande dor nos sofrimentos que aquele irmão padecia no Purgatório.
Movido pela compaixão e pelo desejo de socorrer sua alma, chamou novamente o prior e pediu um gesto de caridade: durante trinta dias consecutivos, o Santo Sacrifício da Missa deveria ser oferecido em sufrágio de Justo.
O prior cumpriu a determinação, enquanto Gregório, ocupado com outros assuntos, não acompanhava a contagem dos dias.
Certa noite, Justo apareceu em visão a seu irmão, Copioso, que lhe perguntou como se encontrava. Segundo o relato, o monge revelou que havia sofrido até então, mas agora estava livre daquelas penas.
Copioso foi ao mosteiro contar o que acontecera, sem saber das Missas que estavam sendo oferecidas pelo irmão.
Ao ouvirem seu relato, os religiosos fizeram as contas e perceberam a coincidência: aquele era precisamente o dia da trigésima Missa.
Desse episódio nasceu a tradição das Missas Gregorianas, perpetuando o gesto de caridade de São Gregório: oferecer o Santo Sacrifício da Missa para socorrer as almas que ainda aguardam a plena alegria do Céu.
Confie seus falecidos às Missas do Oitavário
Você também pode fazer um gesto de caridade por seus familiares e amigos falecidos, pedindo que o Santo Sacrifício da Missa seja oferecido em sufrágio de suas almas.
Com a aproximação do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, a Igreja nos convida a recordar nossos falecidos e a oferecer orações pelo descanso de suas almas.
Desde os primeiros séculos do cristianismo, desenvolveu-se na Igreja a tradição das oitavas, que prolongavam por oito dias a celebração de determinadas festas religiosas.
Seguindo a tradição de dedicar oito dias à oração por uma intenção especial, a Liga de Resgate das Almas do Purgatório realizará um Oitavário de Santas Missas em sufrágio dos falecidos confiados às suas orações.
Pense nas pessoas por quem você gostaria de rezar. Pode ser seu pai, sua mãe, um amigo querido ou alguém que já não tenha quem se lembre de rezar por ele.
Conheça a Liga e saiba como se cadastrar para incluir seus falecidos nas intenções dessas Missas.
QUERO CONHECER A LIGA E INCLUIR MEUS FALECIDOS
Fontes:
São Gregório Magno. Diálogos, livro IV, capítulo 55. Relato do monge Justo e das trinta Missas oferecidas por sua alma.
Consultar o texto — em inglês. tertullian.org
Catecismo da Igreja Católica, números 1030–1032. Ensinamento sobre o Purgatório e os sufrágios pelos falecidos, especialmente o Sacrifício eucarístico.
Consultar no site do Vaticano — em português.





