A coragem dos santos missionários

Conheça três episódios que mostram o zelo de São Paulo, São Francisco Xavier e São José de Anchieta pela salvação das almas.

Imagem de São José de Anchieta relacionada à missão evangelizadora no Brasil

Com os pés presos a um tronco e o corpo ferido pelos açoites, Paulo e Silas começaram a rezar e cantar na prisão.

Naquela mesma noite, o homem encarregado de vigiá-los lhes perguntaria como alcançar a salvação. O que aconteceu entre esses dois momentos?

Essa história de Paulo e Silas na prisão de Filipos é um dos episódios que mostram até onde os santos missionários chegaram para levar o Evangelho a outras pessoas.

Na Índia, uma tradição conta como São Francisco Xavier se colocou diante de tropas que ameaçavam a população.

No Brasil, um testemunho recolhido por um biógrafo de São José de Anchieta narra um pedido de Batismo quando o sepultamento já estava preparado.

O que tornava a salvação de uma pessoa tão importante para esses homens? Os acontecimentos a seguir ajudam a encontrar a resposta.

São Paulo Apóstolo: o prisioneiro que converteu seu carcereiro

Nascido em Tarso, na atual Turquia, Paulo chegou a perseguir os cristãos. O encontro com Jesus Cristo no caminho de Damasco mudou sua vida: aquele que combatia a Igreja passou a dedicar suas forças à propagação do Evangelho.

Conhecido como Apóstolo dos Gentios, por sua missão entre os povos não judeus, Paulo levou o Evangelho a territórios que hoje pertencem a países como Turquia, Grécia e Itália.

Em Filipos, na Macedônia, Paulo encontrou uma escrava possuída por um espírito maligno, que se manifestava por meio da adivinhação.

Os homens que a mantinham como escrava ganhavam dinheiro com as consultas das pessoas que a procuravam para conhecer o futuro.

Paulo ordenou que o espírito saísse daquela mulher, e ela ficou livre.

Ao perceberem que haviam perdido sua fonte de lucro, seus senhores agarraram Paulo e seu companheiro Silas e os levaram às autoridades.

Os dois foram açoitados e lançados na prisão. O carcereiro recebeu ordens de guardá-los com segurança e prendeu seus pés a um tronco.

Foi ali que começaram a rezar e cantar. Segundo os Atos dos Apóstolos, enquanto louvavam a Deus, um forte terremoto abalou os alicerces da prisão, abrindo as portas e soltando as correntes dos presos.

Ao despertar e ver as portas abertas, o carcereiro julgou que todos haviam fugido e desembainhou a espada para tirar a própria vida.

Paulo o impediu, gritando que todos continuavam ali.

O carcereiro pediu uma luz para iluminar o interior da prisão, entrou e lançou-se tremendo aos pés de Paulo e Silas. Depois, conduziu-os para fora e perguntou o que deveria fazer para alcançar a salvação.

Os missionários lhe anunciaram a fé em Jesus e ensinaram a Palavra de Deus a todos os de sua casa.

Naquela mesma noite, o carcereiro lavou as feridas dos dois prisioneiros. Depois, recebeu o Batismo com os seus e lhes ofereceu alimento.

As mãos encarregadas de mantê-los presos passaram a cuidar de suas chagas.

São Francisco Xavier: o sacerdote que enfrentou um exército com um crucifixo

Francisco Xavier nasceu em 1506, em Navarra, no norte da atual Espanha. Durante seus estudos em Paris, conheceu Santo Inácio de Loyola e integrou o grupo que daria origem à Companhia de Jesus.

Em 1541, partiu de Lisboa para o Oriente. Sua missão o levaria à Índia, às ilhas do Sudeste Asiático e ao Japão.

Além de ensinar a doutrina e administrar os sacramentos, dedicou-se ao cuidado dos doentes e à assistência das comunidades cristãs.

Entre os episódios transmitidos sobre sua passagem pelo sul da Índia, há um relato extraordinário apresentado pelo biógrafo J. M. S. Daurignac.

Um exército avançava sobre Travancor, ameaçando as populações da região. O rei reuniu suas tropas para enfrentar os invasores.

Ao receber a notícia, Francisco Xavier se ajoelhou e pediu a Deus que protegesse os cristãos confiados aos seus cuidados.

Depois, tomou o crucifixo e seguiu em direção ao inimigo, acompanhado por cristãos da região.

Diante das tropas, ergueu a cruz e ordenou, em nome de Deus, que interrompessem o avanço e se retirassem.

Segundo a narrativa de Daurignac, os soldados da primeira linha pararam.

Os que vinham atrás exigiam que continuassem, mas receberam uma resposta assustadora: diante deles havia um gigante vestido de negro, cujos olhos pareciam lançar fogo.

Outros soldados avançaram para verificar o que estava acontecendo. Também teriam visto aquela figura ameaçadora.

O medo se espalhou pelas fileiras. Os invasores fugiram em desordem, e as ordens do comandante já não conseguiram detê-los.

Conforme o biógrafo, o rei procurou Xavier para agradecer, mas o missionário atribuiu a Jesus Cristo o auxílio recebido.

A história preservada pela Catedral de Kottar também recorda a intervenção do santo diante das tropas, embora sem os detalhes da visão descrita por Daurignac.

Segundo esse registro, o rei, agradecido, concedeu-lhe um terreno para a construção de uma igreja.

Francisco Xavier continuaria suas viagens missionárias até morrer, em 1552, na ilha de Sancião, quando procurava entrar na China.

A Igreja o venera como padroeiro das missões, juntamente com Santa Teresinha do Menino Jesus.

São José de Anchieta: um Batismo entre a vida e a morte

José de Anchieta chegou ao Brasil em 1553 e dedicou sua vida à evangelização. Aprendeu a língua tupi, ensinou a doutrina cristã e percorreu diferentes regiões para assistir as populações.

Entre os relatos extraordinários associados ao seu apostolado, um deles mostra o valor que Anchieta atribuía à salvação de uma única alma.

O episódio foi contado por Grácia Rodrigues, em cuja casa, na vila de Santos, morreu um indígena chamado Diogo.

Segundo ela, o corpo já estava envolvido no tecido preparado para o sepultamento, e a cova estava aberta quando, cerca de duas horas depois, Diogo começou a se mover.

Pediu que Grácia o desenrolasse e mandasse chamar Anchieta.

Ela respondeu que o missionário estava em São Vicente, a alguns quilômetros dali.

Diogo, porém, afirmou que Anchieta já estava chegando. Contou que sua alma havia acompanhado o missionário até um pequeno riacho próximo de Santos.

Grácia mandou procurá-lo, e os enviados encontraram o sacerdote no lugar indicado. Ao chegar à casa, Anchieta ouviu de Diogo o pedido para receber o Batismo.

Anchieta administrou o sacramento. Comovido, afirmou que, mesmo se tivesse vindo ao Brasil apenas para ganhar aquela alma para Deus, consideraria bem empregados a viagem e todos os sofrimentos que enfrentara.

Depois, Diogo pediu que seus poucos pertences fossem dados a um pobre e que Anchieta permanecesse ao seu lado. Morreu na presença do sacerdote e das outras pessoas que estavam na casa.

Para Anchieta, uma única alma já fazia valer a travessia do oceano e todos os sofrimentos da missão. E se o Brasil de hoje precisasse ouvir novamente aquilo que ele veio ensinar?

Assista ao vídeo e descubra por que o Apóstolo do Brasil está sendo chamado de volta.


Assista ao vídeo

Fontes:

Bíblia Sagrada, Atos dos Apóstolos 16,16-34.

J. M. S. Daurignac, São Francisco Xavier, Apóstolo das Índias, livro segundo, capítulo sexto.

Diocese de Kottar, histórico da Catedral de São Francisco Xavier.

Vatican News, biografia de São Francisco Xavier.

Pero Rodrigues, Vida do Padre José de Anchieta, livro quarto, capítulo quinto.

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