Celebrado em 25 de outubro, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão dedicou sua vida à oração, ao cuidado dos aflitos e à salvação das almas.

Pobres, enfermos e pessoas que precisavam de orientação procuravam Frei Galvão. Encontravam um sacerdote disposto a ouvir, aconselhar e ajudá-los a se aproximar de Deus.
Conhecido pelas pílulas que levam seu nome, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão foi o primeiro santo nascido no Brasil. Sua história reúne caridade, profunda devoção a Nossa Senhora e graças extraordinárias atribuídas à sua intercessão.
De Guaratinguetá à vida franciscana
Antônio nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior paulista. Recebeu dos pais uma formação católica que marcou sua vocação.
Aos treze anos, foi estudar com os jesuítas na Bahia. Mais tarde, escolheu a vida franciscana e, em 1760, ingressou no noviciado do Convento de São Boaventura de Macacu, no Rio de Janeiro.
Foi ordenado sacerdote em 1762 e passou a viver em São Paulo. No Convento de São Francisco, exerceu as funções de pregador, confessor e porteiro. O contato com quem chegava à porta tornou-se uma oportunidade constante de acolhimento e apostolado.
Um sacerdote procurado pelos aflitos
A confiança em Frei Galvão cresceu com seu trabalho de confessor e conselheiro. Pessoas de localidades distantes viajavam até São Paulo para receber orientação, apresentar suas dificuldades e encontrar auxílio espiritual.
Sua caridade também o levou a intervir em favor de um soldado condenado à morte.
Em 1780, Caetano José da Costa, conhecido como Caetaninho, envolveu-se num desentendimento com o filho do governador de São Paulo, Martim Lopes Lobo de Saldanha. Depois de receber uma bofetada, o soldado reagiu e o feriu levemente.
Caetaninho havia sido condenado à prisão perpétua. Entretanto, o governador fez com que um novo conselho de guerra o condenasse à forca.
Frei Galvão uniu sua voz à do bispo e de outras autoridades que protestavam contra a execução. Apesar dos apelos, o soldado foi morto.
O governador então se voltou contra o religioso: ordenou que deixasse São Paulo em apenas 24 horas e seguisse para o Rio de Janeiro.
Antes de partir, Frei Galvão escreveu às religiosas do Recolhimento da Luz. Na carta, procurou fortalecê-las diante da separação. Recomendou que confiassem em Deus e repetiu: “Vivam unidas”.
O frade começou a viagem a pé. Mas a notícia de seu afastamento espalhou-se pela cidade, e a população reagiu. Os moradores cercaram a residência do governador e exigiram a revogação da ordem.
Diante da pressão, o governador cedeu. Frei Galvão pôde retornar ao convento e continuar seu apostolado.
A devoção a Nossa Senhora e o Mosteiro da Luz
Frei Galvão tinha profunda devoção à Imaculada Conceição e consagrou-se à Santíssima Virgem.
Como confessor, conheceu a irmã Helena Maria do Espírito Santo, que lhe apresentou o desejo de fundar uma nova casa religiosa. Em 1774, foi fundado o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Luz da Divina Providência, origem do atual Mosteiro da Luz, em São Paulo.
O religioso participou do projeto, buscou doações e trabalhou na construção. Ao mesmo tempo, orientava espiritualmente as religiosas e ajudava a organizar sua vida de oração.
Uma de suas recomendações era rezar pela conversão dos pecadores. A preocupação com as almas acompanhava tanto o atendimento aos fiéis quanto a formação daquela casa religiosa.
Como surgiram as pílulas de Frei Galvão?
Segundo o relato tradicional, um jovem sofria com fortes dores provocadas por cálculos renais e pediu ajuda ao frade.
Frei Galvão escreveu num pequeno papel uma oração à Santíssima Virgem, enrolou-o em forma de pílula e o entregou ao rapaz. Ele ingeriu o papel e expeliu os cálculos.
Depois, um homem procurou o religioso porque sua esposa corria perigo durante o parto. Frei Galvão entregou novamente os pequenos papéis com a oração, e a mulher deu à luz sem dificuldades.
Assim começou a devoção às pílulas de Frei Galvão, confeccionadas e distribuídas pelas religiosas do Mosteiro da Luz. São pequenos papéis com uma invocação a Nossa Senhora, usados como expressão de fé e oração. Não são medicamentos nem substituem o tratamento médico.
Os relatos de bilocação
As biografias também conservam relatos de bilocação, isto é, da presença extraordinária do santo em dois lugares ao mesmo tempo.
Um deles conta que um enfermo, em Taubaté, afirmou ter recebido a visita de Frei Galvão e se confessado com ele. Como o religioso estava longe dali, os familiares não acreditaram. O doente então apresentou um lenço que, segundo o relato, o frade havia deixado junto dele.
Da morte à canonização
Frei Galvão morreu em 23 de dezembro de 1822, aos 83 anos, e foi sepultado na igreja do Mosteiro da Luz. A devoção continuou, e seu túmulo tornou-se lugar de peregrinação.
Para sua beatificação, a Igreja reconheceu a cura de Daniela Cristina da Silva, de quatro anos. Em 1990, a menina estava gravemente enferma, com hepatite fulminante e outras complicações. Sua recuperação foi atribuída à intercessão do religioso.
O milagre da canonização envolveu Sandra Grossi de Almeida e seu filho Enzo. Após perdas gestacionais e diante de uma malformação uterina, Sandra recorreu a Frei Galvão. A gravidez chegou às 32 semanas, e Enzo nasceu em 1999. O conjunto do caso foi reconhecido pela Igreja como milagroso.
Beatificado em 25 de outubro de 1998, Frei Galvão foi canonizado por Bento XVI em 11 de maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo. Sua festa é celebrada em 25 de outubro.
A oração e o cuidado com as almas continuam
Frei Galvão dedicou sua vida a acolher os aflitos e aproximá-los de Deus. Esse mesmo zelo pela salvação das almas marcou o apostolado de Padre Pio, que também dedicou sua vida a conduzir os fiéis à oração, à confissão e à confiança em Nosso Senhor.
A Associação Regina Fidei trabalha para levar a devoção ao santo de Pietrelcina a mais famílias por meio dos Filhos Protegidos do Padre Pio.
Com uma contribuição mensal, os participantes ajudam a sustentar esse trabalho de evangelização. Como expressão de gratidão e união espiritual, a Associação inclui suas intenções e as de seus familiares nas Santas Missas oferecidas pelos Filhos Protegidos do Padre Pio.
Quem deseja apoiar essa obra e confiar suas intenções à intercessão de Padre Pio pode conhecer o programa e participar.
TORNE-SE UM FILHO PROTEGIDO DO PADRE PIO
Fontes:
Santa Sé: biografia de Frei Galvão e homilia de sua canonização.
Mosteiro da Luz: fundação do recolhimento, trajetória do santo e milagres reconhecidos para a beatificação e a canonização.
Museu de Arte Sacra de São Paulo: origem e significado das pílulas de Frei Galvão.
Traços Biográficos de São Frei Galvão, disponibilizado pelo Mosteiro da Luz: relatos de bilocação e assistência aos enfermos.





