Uma palavra de Nosso Senhor a Santa Faustina que poucos conhecem, mas que nenhum católico deveria ignorar.

Era um dia comum no convento de Cracóvia.
Santa Faustina estava enferma, enfraquecida por febre e suores, e não havia conseguido descer à capela para a Missa. Um padre jesuíta subiu até ela e trouxe a Sagrada Comunhão.
Havia quatro irmãs naquele corredor. O sacerdote as foi comungando. Quando chegou a Santa Faustina, pensou que ela era a última, e deu-lhe duas Hóstias. Depois percebeu que havia esquecido uma noviça em outra cela, e foi buscá-la.
Foi nesse instante preciso que Nosso Senhor falou.
E o que Ele disse mudou para sempre a forma como Santa Faustina entendia a Eucaristia.
- “Com Relutância Entro Naquele Coração. Recebeste essas duas Hóstias, porque não Me apresso em vir à alma que se opõe à Minha graça. Não Me agrada permanecer numa alma assim.”
Isso está no Diário de Santa Faustina Kowalska, parágrafo 1658.
Não é uma ameaça disfarçada de misericórdia. É Nosso Senhor Jesus Cristo revelando, com palavras simples e diretas, algo que a devoção açucarada dos nossos dias prefere não ouvir: Ele não entra por força.
A Eucaristia é o maior ato de amor que existe. Mas o amor nunca se impõe.
E quando a alma opõe resistência à graça, quando fecha as portas por dentro, por tibieza, por pecado não confessado, por hábito que não quer largar, Nosso Senhor não força a entrada. Ele espera. Mas com uma dor que a santa percebeu naquele momento como jamais havia percebido antes.
O Que Significa “Opor-Se à Graça”
Não é preciso ser um grande pecador para se opor à graça de Deus. Às vezes basta ser um pequeno teimoso.
A alma que se opõe à graça é aquela que comunga por rotina e não por desejo.
Que sabe o que precisa mudar e escolhe não mudar. Que tem no coração um rancor que não quer soltar, um apego que não quer entregar, uma mentira que não quer confessar.
Nosso Senhor não a abandona. Mas tampouco Se alegra em entrar. E isso, dito pelo próprio Cristo, é uma das palavras mais sóbrias e necessárias de todo o Diário.
Já Se manifestou assim antes. No Apocalipse, falou à comunidade de Laodiceia, a comunidade tíbia, nem fria nem quente: “Não és frio nem quente. Ser frio ou quente preferiria. Mas, porque és morno, vou vomitar-te da Minha boca” (Ap 3, 15-16). E no mesmo livro do Apocalipse, disse: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei na sua casa” (Ap 3, 20).
Ele bate. Não arromba.
O Que Santa Faustina Viu Depois
Imediatamente após essas palavras, algo aconteceu em sua alma.
Ela escreve no parágrafo 1659:
- “Nesse momento a minha alma foi atraída para perto d’Ele, e recebi uma profunda luz interior para compreender, em espírito, toda a misericórdia. Foi como o clarão de um relâmpago, mas mais claro do que se eu tivesse olhado, por horas inteiras, com os olhos do corpo.”
A santa recebe uma iluminação sobre toda a misericórdia divina, justamente depois de compreender que Nosso Senhor entra com relutância em certos corações. Os dois fatos não se contradizem. Completam-se.
A misericórdia de Deus é imensurável. Mas ela só opera plenamente onde há abertura. A graça não trabalha no vácuo. Ela trabalha com a vontade da alma. E quando a vontade resiste, quando prefere o conforto do pecado à dor da conversão, a misericórdia aguarda do lado de fora.
A Pergunta inevitável
Quantas Comunhões foram recebidas assim?
Com as mãos abertas e o coração fechado.
Com o corpo na fila e a alma ocupada com o que não deveria estar.
Com a boca que recebe o Corpo de Cristo e a vida que, hora a hora, O contradiz.
Padre Pio dizia que muitas almas se perdiam por comungar indignamente. Não porque a Eucaristia seja um perigo, mas porque receber o Senhor sem preparo, sem arrependimento, sem desejo de mudar, é tratar como ordinário aquilo que é o cume da criação.
A palavra de Nosso Senhor a Santa Faustina não deve assustar. Deve acordar.
Quem está em pecado grave, que se confesse antes de comungar. Quem tem resistências mais sutis, que as traga à luz da oração e peça a Nosso Senhor que as dissolva. Quem sente que o coração está fechado, que peça exatamente isso: Senhor, abre o que está fechado em mim.
Porque Ele, que bate à porta, é o mesmo que, quando a porta se abre, entra e faz a alma arder como nenhuma outra coisa neste mundo pode fazer arder.
Se Há Alguém que Você Quer Apresentar a Nosso Senhor
Talvez você conheça alguém que se afastou da Confissão. Que parou de comungar. Que está com Deus à distância por uma ferida, por uma dúvida, por um hábito que virou corrente.
Uma das obras mais concretas de caridade que um católico pode fazer por essas almas é levá-las à Missa, oferecer sufrágios, pedir por elas.
Que Nossa Senhora interceda por cada alma que ainda hesita em se abrir à graça.
Que Padre Pio, apóstolo do Purgatório, reze por todos nós.
Na Liga de Resgate das Almas do Purgatório, celebramos uma Missa semanal pelas almas dos membros falecidos inscritos. Se você tem um familiar que partiu e deseja que ele seja lembrado no altar, acenda aqui uma vela com nome dele. É um gesto simples que tem peso eterno.
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