Uma carta de 1912 revela o que o santo escreveu ao seu diretor espiritual sobre ataques físicos que o deixavam sem saber a que santo pedir ajuda

Era 18 de janeiro de 1912. Padre Pio tinha 24 anos e escrevia ao Padre Agostino, seu diretor espiritual, com a urgência de quem precisa contar algo que não cabe no silêncio.
“O Barba Azul não quer ser derrotado“, começou. Essa era a alcunha que ele usava para o demônio: irônica, desafiadora, como quem recusa dar ao inimigo a seriedade que ele busca.
O que veio a seguir, porém, não era leve.
O que a carta descreve
Padre Pio relatou que o demônio chegava a ele “assumindo todas as formas.”
Durante vários dias seguidos, vinha acompanhado de espíritos infernais armados com bastões de ferro e pedras. O pior, escreveu ele, era que vinham “com os seus próprios semblantes”, as faces horrendas e repugnantes sem disfarce.
E então a frase que congela: “Várias vezes eles me tiraram da cama e me arrastaram pelo quarto.”
Padre Pio estava descrevendo o que acontecia ao seu corpo. O ser humano que havia se oferecido como vítima pelos pecadores e pelas almas do Purgatório sofria no corpo a consequência disso.
A carta consta do Epistolario I° (1910-1922), publicado pelas Edições “Padre Pio da Pietrelcina” do Convento de San Giovanni Rotondo. É fonte primária, escrita de próprio punho.
O que a Igreja ensina sobre isso
A demonologia católica, fundada em séculos de teologia e experiência mística, distingue diferentes graus de ação demoníaca sobre a pessoa humana.
Os ataques físicos externos, como os sofridos por Padre Pio, pertencem a uma categoria específica que os teólogos chamam de “vexação” ou “opressão”: o demônio age sobre o corpo, mas não domina a alma.
São Tomás de Aquino ensina que os demônios podem mover corpos físicos. Deus permite. A teologia católica nunca negou isso.
O que precisa ficar claro é que Deus permitiu aquilo. O demônio não venceu. Foi Deus quem escolheu Padre Pio para suportar aquela guerra.
Por que Padre Pio era atacado com tamanha ferocidade
A resposta não está nas trevas. Está na luz.
Quanto mais uma alma se oferece a Deus como vítima, quanto mais ela intercede por pecadores e pelas almas do Purgatório, mais ela se torna alvo do demônio. O ataque feroz é, paradoxalmente, sinal da eficácia da missão.
Em outras cartas desse mesmo período, Padre Pio escreveu palavras que explicam tudo:
- “Jesus me disse: Não se preocupes em Eu tê-lo feito sofrer. Não te assustes se Eu permito ao diabo atormentar-te, porque ninguém ganhará contra essas pessoas que sofrem abaixo da cruz por meu amor.”
O demônio sabia o que estava em jogo.
Cada Missa, cada confissão, cada alma salva por intermédio de Padre Pio era uma derrota infernal. Os ataques eram a raiva de quem perde.
O que ele escreveu depois dos ataques
Padre Pio não terminou a carta no desespero. Depois de descrever o que havia sofrido, ele acrescentou esta frase:
- “Mas Jesus, Nossa Senhora, o Anjo da Guarda, São José e São Francisco estão frequentemente comigo.”
Frequentemente. Não sempre. Com aquela honestidade desconcertante que os santos têm, ele não exagerou o consolo. Disse o que era verdade: às vezes eles chegavam. E isso bastava.
Em outras correspondências do mesmo período, contou que chegou a ralhar com o próprio Anjo da Guarda por ter demorado a socorrê-lo durante um ataque. Uma cena de intimidade mística surpreendente, quase doméstica, que revela o quanto aquela relação com o céu era real e viva para ele.
Padre Pio sofria por almas que ninguém lembrava
Padre Pio era um apóstolo das almas do Purgatório. Ele sofria pelos pecadores, pelos mortos que ainda precisavam de purificação, por almas que ninguém mais lembrava.
Os ataques que sofria eram, de certo modo, o preço espiritual do que ele intercedia. E cada fiel que o invocava, que pedia sua intercessão, que confiava a ele os seus mortos, entrava nessa corrente.
A Liga de Resgate das Almas do Purgatório existe porque Padre Pio entendeu algo que muitos cristãos esquecem: os mortos ainda precisam de nós. A Missa semanal pelas almas é exatamente o tipo de sufrágio que ele mesmo buscava garantir com seu sofrimento.
Se você deseja que um familiar falecido seja lembrado nessa Missa, entre em contato com a Regina Fidei e envie o nome. Não é gesto simbólico. É caridade com os que não podem mais interceder por si mesmos.
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São Pio de Pietrelcina, apóstolo do Purgatório, intercede por nós.
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.




