Um advogado venezuelano ficou soterrado sob uma viga, no último andar de um hotel que desabou num terremoto. Sobreviveu quase ileso. E, quando foi se recompor, encontrou algo no bolso que não sabia como havia chegado ali.

Era quarta-feira, 24 de junho, dia de São João Batista, feriado nacional na Venezuela. Kamar Galíndez, advogado de 53 anos, estava no último andar do Hotel Chipi’s Beach, no bairro de Playa Grande, em La Guaira, prestes a começar o treino diário na academia. A vista para o mar era a última coisa tranquila que ele veria por muito tempo.
Às 18h05, dois terremotos atingiram a região em sequência, com uma violência que ninguém esperava. Os aparelhos pesados da academia começaram a deslizar de um lado para o outro, como se fossem peças leves sobre gelo. Em segundos, o desastre se consumou.
Uma oração no meio do desabamento
Kamar contou depois que só conseguiu se proteger junto a uma parede próxima. Ao sentir o prédio cedendo, veio à sua mente a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como apareceu a Santa Faustina Kowalska, em 22 de fevereiro de 1931. Lembrou-se do Cristo Misericordioso e orou: “Senhor, tende piedade.”
Em seguida, sentiu o edifício desabar por completo. Nunca perdeu a consciência. Sentiu cada impacto, mas, como ele mesmo descreveu, em meio ao choque e ao medo, as sensações físicas passam para segundo plano.
Quando a confusão do colapso cessou, percebeu que estava vivo, mas completamente soterrado nos escombros, com uma viga enorme pressionando o peito. Muitas pessoas que estavam no mesmo hotel não conseguiram sair.
Preso, mas não em silêncio
Kamar fez sinais como pôde para chamar atenção. Não sabe precisar quanto tempo ficou ali embaixo, mas garante que pareceu uma eternidade. Finalmente, um homem que havia escalado a montanha de escombros ouviu os sinais e conseguiu localizá-lo. Começou então o trabalho cuidadoso para libertá-lo.
Quando finalmente saiu, Kamar constatou a magnitude da tragédia. Praticamente ileso, com exceção de um braço fraturado, ele não teve dúvidas sobre o que havia acontecido. Para ele, sobreviver não foi apenas um resgate. Foi a misericórdia de Deus agindo através da intercessão da Virgem Milagrosa, de quem é devoto há anos.
A medalha que sumiu e reapareceu
Kamar usava uma correntinha com um crucifixo e uma medalha da Virgem Milagrosa. No meio do caos do desabamento, a corrente se rompeu, mas ele nem percebeu naquele instante. A prioridade era sobreviver.
A caminho de casa, também completamente destruída, dois jovens o ajudaram com os primeiros socorros. Foi enquanto cuidavam dele que Kamar precisou tirar o relógio para imobilizar o braço fraturado, e pediu que guardassem o objeto no bolso do calção. Foi aí que percebeu. A medalha da Virgem Milagrosa, que ele nem sabia que havia se soltado do pescoço, estava ali dentro do bolso, junto ao relógio.
Não havia explicação lógica para isso. A corrente havia se rompido em algum momento do colapso, em meio a toneladas de concreto e metal retorcido. E, ainda assim, a pequena medalha percorreu o caminho até um bolso fechado com zíper, sem que ninguém a colocasse ali.
Para Kamar, foi um daqueles pequenos milagres que passam despercebidos para o coração desatento, mas carregam um significado profundo para quem tem fé sincera. Como ele mesmo resumiu, há um Deus que cuida de cada detalhe no momento da aflição, até o de lembrar a alguém de Sua presença através de uma medalhinha pendurada num bolso.
O maior presente
Kamar hoje se declara profundamente grato por estar vivo. Disse que o maior dom que recebeu de Deus Pai foi justamente esse, a própria vida. O terremoto que devastou a Venezuela deixou milhares de mortos, feridos e desaparecidos, uma das maiores tragédias recentes do país. Em meio a tanta dor, o testemunho de Kamar se tornou motivo de esperança para muitas famílias que ainda aguardam notícias de seus entes queridos.
A Medalha Milagrosa nasceu das aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em Paris, no ano de 1830. Desde então, milhões de fiéis a carregam como sinal de confiança na proteção maternal da Virgem, lembrando a promessa feita naquela ocasião, de que quem a portasse com fé receberia graças abundantes.
Quase duzentos anos depois, debaixo de uma montanha de escombros na Venezuela, essa promessa se fez concreta outra vez.
Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, que nunca abandona aqueles que a invocam, interceda por todas as vítimas dos terremotos na Venezuela, pelos que ainda sofrem, pelos que perderam tudo, e por todos nós, para que jamais deixemos de confiar na proteção materna que ela oferece a cada um de seus filhos.
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