No México e na Espanha, forças revolucionárias perseguiram a Igreja e assassinaram católicos que permaneceram fiéis a Nosso Senhor. Conheça três histórias de coragem diante da violência anticristã.

No México dos anos 1920, o governo revolucionário de Plutarco Elías Calles aplicou uma política severamente anticlerical. Impôs restrições ao clero, fechou igrejas e conventos e reprimiu a oposição católica. A perseguição contribuiu para o surgimento da resistência dos Cristeros.
Na Espanha de 1936, a violência revolucionária atingiu comunidades religiosas que viviam na zona republicana. A condição de sacerdote ou religioso podia bastar para motivar a prisão e a execução.
Foi nesses ambientes que um adolescente, um sacerdote e uma comunidade de missionários enfrentaram a morte. Seus perseguidores puderam aprisioná-los e tirar-lhes a vida, mas não conseguiram arrancar deles a fidelidade a Jesus Cristo.
São José Sánchez del Río: o menino que os soldados não conseguiram fazer apostatar

José Sánchez del Río cresceu em Sahuayo, no México, em uma família católica. Conhecido como Joselito, frequentava o catecismo, participava da vida paroquial e rezava o Rosário com seus familiares.
Enquanto crescia, via a perseguição avançar. Sacerdotes escondiam-se para celebrar a Santa Missa e administrar os sacramentos. Os fiéis precisavam procurar discretamente o auxílio espiritual que antes recebiam em suas paróquias.
A resistência dos Cristeros nasceu nesse cenário de repressão à Igreja. Depois de insistir com seus pais, José recebeu autorização para acompanhar o movimento. Servia como porta-bandeira e desempenhava tarefas auxiliares.
Em janeiro de 1928, durante um confronto com as tropas governamentais, cedeu seu cavalo a um dos responsáveis cristeros para ajudá-lo a escapar. José acabou prisioneiro.
Tinha apenas 14 anos.
Levado de volta a Sahuayo, foi encarcerado na igreja paroquial, transformada pelos soldados em prisão e estábulo. A profanação do templo tornava visível o desprezo dos perseguidores por aquilo que os católicos consideravam sagrado.
Seus algozes procuraram fazê-lo abandonar a fé. A prisão tornou-se uma prova de sua fidelidade a Nosso Senhor.
José escreveu à mãe, procurando prepará-la para sua possível morte. Manifestava confiança em Deus e disposição de aceitar Sua vontade. A fé aprendida em família sustentava-o no cativeiro.
Na noite de 10 de fevereiro de 1928, os soldados o torturaram para obrigá-lo a apostatar. Feriram as plantas de seus pés e o fizeram caminhar até o cemitério.
Diante daquela violência, o adolescente permaneceu firme. Segundo os relatos conservados pela Igreja, antes de ser morto voltou a aclamar Cristo Rei e Nossa Senhora de Guadalupe.
A perseguição revolucionária havia encontrado um menino que não aceitava renegar Nosso Senhor para salvar a própria vida.
José Sánchez del Río foi canonizado em 16 de outubro de 2016.
Beato Miguel Agustín Pro: executado por um governo que queria enfraquecer a Igreja
A perseguição mexicana procurava impedir que os sacerdotes continuassem exercendo sua missão. O padre Miguel Agustín Pro respondeu perseverando no ministério.
Jesuíta, ordenado em 1925, regressou ao México no ano seguinte. Encontrou um país em que a vida da Igreja estava submetida a severas restrições.
Para continuar atendendo os fiéis, passou a agir clandestinamente. Usava disfarces para circular sem ser identificado e organizava encontros em casas particulares, onde os católicos podiam receber a Sagrada Comunhão.
O governo restringia a presença pública da Igreja; padre Pro procurava os fiéis onde ainda era possível alcançá-los. Sua dedicação estendia-se também aos pobres e desamparados.
A vigilância e o perigo não o fizeram abandonar o sacerdócio.
Em novembro de 1927, um atentado contra Álvaro Obregón, candidato à presidência, foi usado para acusar o religioso e seus irmãos de envolvimento. Padre Pro foi preso.
A Comissão para as Causas dos Santos da Arquidiocese do México registra que não havia provas de sua culpa e que ele foi condenado sem julgamento. O presidente Calles ordenou sua execução.
Na manhã de 23 de novembro, o sacerdote foi colocado diante de um pelotão de fuzilamento.

Durante os meses de clandestinidade, havia procurado preservar a vida para continuar servindo aos fiéis. Agora, diante da morte, permaneceu unido a Nosso Senhor e proclamou: “Viva Cristo Rei!”
Foi fuzilado aos 36 anos.
Sua execução revelou a violência de um poder que tratava o exercício fiel do sacerdócio como uma ameaça. Em vez de conseguir apagar sua memória, os perseguidores fizeram daquele sacerdote um dos testemunhos mais conhecidos da resistência católica no México.
Padre Miguel Agustín Pro foi beatificado em 25 de setembro de 1988.
Os mártires de Barbastro: presos por serem religiosos, mortos por permanecerem fiéis

Em julho de 1936, a perseguição revolucionária alcançou a comunidade dos Missionários Claretianos de Barbastro, na Espanha.
No dia 20, milicianos armados invadiram a casa religiosa e procuraram armas. Nada encontraram. Mesmo assim, prenderam os membros da comunidade.
A condição religiosa daqueles homens bastou para torná-los alvos.
Entre os prisioneiros estavam sacerdotes, irmãos e numerosos jovens que se preparavam para o sacerdócio. Até então, estudavam e se formavam para a missão. De um dia para o outro, precisaram preparar-se para enfrentar o martírio.
Três responsáveis pela comunidade foram levados à prisão municipal. Muitos dos demais ficaram encerrados no salão de um colégio dos escolápios.
Ali sofreram ameaças, humilhações e simulações de fuzilamento. Segundo a Postulação Claretiana, foi-lhes proposta a liberdade em troca da renúncia à fé. Eles permaneceram fiéis.
Nos primeiros dias do cativeiro, conseguiram receber a Comunhão clandestinamente. Rezavam o Rosário e o Ofício Divino. Encorajavam-se enquanto aguardavam o desfecho.
Em 2 de agosto, os três superiores foram fuzilados sem julgamento. Outros grupos seriam executados ao longo daquele mês. Ao todo, 51 claretianos sofreram o martírio.
Os perseguidores tentaram dobrá-los pelo medo. Os religiosos responderam com a perseverança na vocação e a oração pelos próprios inimigos.
Uma carta de despedida à congregação, escrita por Faustino Pérez em nome dos companheiros, preservou esse testemunho. Nela, os prisioneiros relatavam como se preparavam para morrer e como os religiosos conduzidos ao cemitério aclamavam Cristo Rei.
Na mesma carta, expressavam o desejo de que seu sangue contribuísse para o crescimento e a missão da congregação. Mesmo diante da execução, continuavam pensando na obra à qual haviam entregado a vida.
Os mártires de Barbastro foram beatificados em 25 de outubro de 1992.
A fé precisa continuar sendo transmitida
Os perseguidores procuravam silenciar os sacerdotes e impedir que a fé chegasse às novas gerações. Os mártires permaneceram fiéis porque reconheciam um bem pelo qual valia a pena entregar a própria vida: pertencer a Jesus Cristo e à Sua Igreja.
Conservar essa herança exige compromisso. A formação católica, a divulgação da vida dos santos e o incentivo à oração precisam de pessoas dispostas a sustentar esse trabalho com constância.
É nesse propósito que se inserem os Filhos Protegidos do Padre Pio, uma iniciativa da Associação Regina Fidei que reúne devotos em torno da oração, da devoção ao santo e do apoio à evangelização.
Por meio de uma contribuição financeira regular, os participantes ajudam a manter e ampliar esse apostolado, para que mais famílias recebam ensinamentos católicos e conheçam exemplos de fidelidade a Nosso Senhor.
A obra também oferece acompanhamento espiritual por meio de mais de 130 Santas Missas ao longo do ano, nas quais são apresentadas as intenções dos participantes, além de materiais que incentivam a devoção a Padre Pio.
Participar representa um compromisso concreto com a continuidade dessa missão: ajudar a transmitir a fé recebida e sustentar um trabalho dedicado ao bem das almas.
TORNE-SE UM FILHO PROTEGIDO DO PADRE PIO
Fontes:
Universidade do Texas em Austin. History of the Cristiada. Contexto da política anticlerical do governo mexicano, restrições à Igreja e resistência cristera.
Dicastério para as Causas dos Santos. José Sánchez del Río. Biografia, participação entre os Cristeros, prisão, martírio e canonização.
Arquidiocese Primaz do México, Comissão para as Causas dos Santos. Beato Miguel Agustín Pro Juárez. Ministério clandestino, acusação sem provas e execução por ordem de Calles.
Dicastério para as Causas dos Santos. Miguel Agustín Pro. Apostolado, circunstâncias do martírio e beatificação.
Postulação Geral dos Missionários Claretianos. Beatos Mártires Claretianos de Barbastro. Prisão, propostas de renúncia à fé e execução dos 51 religiosos.
Missionários Claretianos. Beatos Mártires Claretianos de Barbastro. Vida no cativeiro, oração e carta de despedida à congregação.





