Um relato ligado à Irmã Amália de Jesus Flagelado recorda a importância da oração nas famílias e da devoção a Nossa Senhora.

Em maio de 1935, segundo um relato preservado pelos divulgadores da devoção a Nossa Senhora das Lágrimas, Irmã Amália de Jesus Flagelado teria recebido uma mensagem dirigida especialmente ao povo brasileiro. Entre suas passagens mais marcantes, há um pedido de surpreendente simplicidade: que a Ave-Maria volte a ser ouvida diariamente nos lares.
Quase um século depois, esse convite conserva uma força especial. Afinal, quantas famílias ainda encontram alguns minutos do dia para rezar juntas? Quantos pais ensinam aos filhos as primeiras orações?
Uma religiosa e uma devoção nascida em Campinas
Irmã Amália fez parte do Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, fundado em Campinas por Dom Francisco de Campos Barreto e Madre Maria Villac, em 1928. Nos anos seguintes, a religiosa relatou experiências místicas associadas à Paixão de Nosso Senhor e às lágrimas de sua Santíssima Mãe.
Segundo a tradição ligada a esses acontecimentos, a Coroa de Nossa Senhora das Lágrimas foi apresentada à religiosa em 1930. A devoção recebeu apoio para sua divulgação, inclusive por meio de autorizações eclesiásticas de publicação. Essas autorizações devem ser distinguidas de uma confirmação definitiva, pela Igreja, da origem sobrenatural de cada mensagem atribuída à religiosa.
É nesse contexto que se situa o relato de maio de 1935, divulgado como uma mensagem de Nossa Senhora ao Brasil.
O pedido que se dirige às famílias
A mensagem publicada pelos responsáveis pelo site Coroa das Lágrimas Oficial associa a proteção materna da Virgem à oração e à vida cristã do povo brasileiro. Um dos trechos destaca a recitação diária da Ave-Maria nas casas. Outro convida as famílias a conservarem uma breve invocação da Coroa das Lágrimas.
A imagem é comovente: famílias de diferentes regiões do Brasil, em suas casas, recorrendo à Mãe de Deus com a oração que atravessou gerações. Para atender a esse convite espiritual, não é preciso organizar grandes acontecimentos. Pode-se começar com um gesto humilde: reunir a família, fazer o sinal da cruz e rezar uma Ave-Maria.
O mais importante nessa tradição devocional é o chamado à conversão pessoal, à confiança em Deus e à fidelidade à vida cristã. Seu significado não depende de disputas entre grupos ou acontecimentos políticos. Trata-se de um convite à oração, aberto a todos os brasileiros.
Por que as lágrimas de Nossa Senhora?
A devoção a Nossa Senhora das Lágrimas conduz o olhar do fiel ao sofrimento da Virgem Maria, especialmente junto à Paixão de Jesus Cristo. A piedade católica contempla a Mãe que permaneceu fiel ao Filho no sofrimento e que intercede maternalmente por seus filhos.
Ao rezar, o católico apresenta a Deus suas preocupações concretas: os filhos, os enfermos, os familiares afastados da fé, os que sofrem e aqueles que perderam a esperança. Pode igualmente pedir pela paz, pela justiça e pela vida religiosa de nosso País.
A fé que começa dentro de casa
Há uma lição que vale a pena recuperar. Uma família que reza forma hábitos espirituais, transmite palavras de fé e aprende a enfrentar as provações com confiança na Providência. Nem sempre todos podem estar reunidos; mesmo assim, uma oração feita com perseverança encontra seu lugar na rotina.
Que tal retomar hoje esse costume? Antes do jantar, ao despertar ou antes de dormir, reze uma Ave-Maria pelo seu país e pela sua família. Se puder, convide os que vivem com você a acompanhá-lo. E ofereça essa oração também por quem está distante, por quem atravessa dificuldades e por todos os que mais necessitam da misericórdia de Deus.
Sob o olhar materno de Nossa Senhora, a renovação espiritual de um país começa também nas escolhas discretas de cada lar.




