Estudantes divulgaram um encontro chamado “Baphomet – Rito da Lua Eclipsada” para o campus da UEFS, em Feira de Santana. O ato não era institucional e acabou cancelado depois que a divulgação ganhou repercussão nas redes sociais.

Um anúncio feito nas redes sociais provocou reação em Feira de Santana, na Bahia: estudantes divulgaram a realização de um ritual ligado à figura de Baphomet dentro do campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
O encontro estava marcado para 27 de agosto, ao pôr do sol, na Praça do Borogodó, espaço de convivência localizado dentro da universidade. A divulgação o apresentava como “Baphomet – Rito da Lua Eclipsada” e descrevia a atividade como um rito de encerramento, gratidão e passagem pelo fim do semestre.
A notícia circulou nas redes sociais e foi repercutida pela imprensa baiana. É importante, porém, fazer uma distinção essencial: não encontramos evidência de que a UEFS tenha organizado, patrocinado ou incluído oficialmente o ritual em sua programação. As reportagens consultadas afirmam expressamente que a atividade não era apresentada como evento institucional da universidade.
O que estava previsto
Segundo o material divulgado e reproduzido pela imprensa, o encontro faria referência a Baphomet, figura historicamente associada, em diferentes contextos, ao ocultismo ocidental. A realização estava prevista para uma área aberta do campus, a Praça do Borogodó.
A própria existência desse local dentro da UEFS é confirmada por documentos e páginas ligados à universidade, que registram a praça como espaço utilizado para convivência e atividades acadêmicas e culturais.
A proposta do ritual, portanto, não era apenas uma discussão acadêmica sobre ocultismo ou história das religiões. Pelo anúncio divulgado, tratava-se da realização de um rito propriamente dito, organizado por um grupo de estudantes ou participantes identificados posteriormente como ligados à chamada “Tradição da Cabra Sábia”.
Evento foi cancelado
O ritual, entretanto, não chegou a acontecer.
No próprio dia 27 de agosto, depois que a divulgação alcançou repercussão muito maior do que a esperada, foi anunciado o cancelamento. Segundo nota atribuída ao grupo responsável e reproduzida pela imprensa, a exposição pública teria comprometido o que os organizadores chamaram de “campo energético de resguardo” necessário à cerimônia.
O grupo pediu ainda que as pessoas não fossem até a Praça do Borogodó, informando que nenhuma atividade relacionada ao ritual seria realizada naquele local.
Dias depois, o episódio chegou à Câmara Municipal de Feira de Santana. Em 1º de setembro, o vereador Edvaldo Lima criticou publicamente o anúncio do ritual no campus e comemorou seu cancelamento, ao mesmo tempo em que pediu um posicionamento da direção da universidade.
Uma questão que vai além de um episódio isolado
Para os católicos, a notícia naturalmente causa preocupação. A fé católica ensina que o homem deve prestar culto somente a Deus e rejeitar práticas de magia, adivinhação e tentativas de recorrer a poderes ocultos. O Catecismo da Igreja Católica trata dessas práticas especialmente nos números 2115 a 2117, ao explicar as exigências do Primeiro Mandamento.
Isso não autoriza, evidentemente, hostilidade contra pessoas. O cristão deve responder com firmeza na fé, mas também com caridade, prudência e respeito pela dignidade de cada ser humano.
Há ainda uma questão pública legítima a ser discutida: quais critérios devem orientar o uso de espaços de uma universidade pública para atividades religiosas, espirituais ou ritualísticas promovidas por integrantes de sua comunidade?
Essa discussão precisa ser feita sem distorcer os fatos. Até o momento, os dados encontrados permitem afirmar que houve divulgação de um ritual ligado a Baphomet previsto para acontecer dentro do campus da UEFS e que ele foi posteriormente cancelado. Não permitem afirmar que a universidade tenha promovido ou apoiado oficialmente a iniciativa.
Como os católicos devem reagir?
O episódio pode servir de alerta para algo muito concreto: a resposta católica ao avanço de práticas contrárias à fé não deve ser o medo nem a curiosidade pelo ocultismo. Deve ser uma vida cristã mais séria.
Isso significa oração, frequência aos sacramentos, formação doutrinária e confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo. Significa também que pais e avós conversem com os jovens sobre aquilo que encontram nas universidades, nas redes sociais e na cultura contemporânea, sem ingenuidade e sem transformar o mal em espetáculo.
São Paulo oferece uma orientação particularmente apropriada: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12,21).
Diante de acontecimentos como esse, o católico não precisa alimentar pânico. Precisa conhecer sua fé, vivê-la e transmiti-la.
Fontes consultadas
- Portal Massa, “Culto a Baphomet na UEFS é cancelado após repercussão”, 27 de agosto de 2026.
- Rota da Informação, “Vereador repudia anúncio de ritual na Uefs e comemora cancelamento de evento”, 1º de setembro de 2026.
- Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), materiais institucionais que identificam a Praça do Borogodó como espaço do campus.
- Catecismo da Igreja Católica, §§ 2115–2117.




