Santa Clara de Assis: a nobre que escolheu a pobreza

Como uma jovem da alta nobreza de Assis abandonou tudo em uma noite e fundou uma das maiores ordens religiosas femininas da história da Igreja

 

No Domingo de Ramos de 1212, na catedral de Assis, todos os fiéis avançaram para receber um ramo de oliveira. Uma jovem tímida ficou parada em seu lugar. O bispo desceu e levou o ramo até onde ela estava.

 

Naquela mesma noite, ela fugiu de casa.

 

Clara tinha 18 anos, família nobre, futuro garantido. Seus pais já tinham escolhido o marido. Mas ela havia ouvido São Francisco pregar naquela Quaresma e sabia que Deus queria outra coisa dela.

 

Chegou à Porciúncula de madrugada. Francisco esperava. Ela trocou o vestido de seda pelo hábito de lã áspera. Francisco cortou seu cabelo.

 

Quando a família foi buscá-la à força no convento onde havia sido abrigada, Clara se agarrou ao altar com tal força que rasgou as toalhas quando tentaram arrancá-la. Descobriu a cabeça para que vissem o cabelo cortado. Disse que Deus a havia chamado.

 

Nenhum parente conseguiu movê-la.

 

A primeira mulher a escrever uma regra religiosa aprovada pelo papa

 

Oito séculos de história da Igreja. Um único nome de mulher entre os fundadores de regras aprovadas pelo Papa.

 

O de Clara.

 

O papa Bento XVI recordou isso em 2010: Clara foi a primeira e única mulher a compor uma regra de vida religiosa para mulheres, submetida à aprovação papal. Proibiu toda forma de propriedade, individual ou coletiva. Viveu aquilo que escreveu.

 

O papa Inocêncio IV a assinou dois dias antes da morte de Clara.

 

Uma doente que viu o que ninguém via

 

Clara ficou doente em 1224. Por 27 anos suportou o sofrimento no convento de São Damião sem sair.

 

Numa noite de Natal, não conseguia se levantar para a Missa. Deus lhe deu outra coisa: ela viu, projetadas nas paredes de sua cela, a celebração que acontecia na Igreja de Santa Maria dos Anjos. Via o presépio. Ouvia os cânticos.

 

Mais tarde, em 1240, quando o exército turco-muçulmano atacou Assis, foi Clara, doente, quem saiu ao encontro deles. Nas mãos, o ostensório com o Santíssimo Sacramento.

 

O exército recuou.

 

O pão que não acabou

 

Um dia havia um único pão para cinquenta irmãs. Clara o abençoou. Rezaram o Pai-nosso. O pão alimentou a todas e ainda sobrou metade para os irmãos menores.

 

“Aquele que multiplica o pão na Eucaristia”, disse Clara, “por acaso lhe faltará o poder para abastecer suas esposas pobres?”

 

Quem aprende a confiar assim, aprende de verdade.

 

O que ela dizia no leito de morte

 

São Francisco já havia morrido. Três de seus discípulos prediletos leram para Clara a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto ela agonizava.

 

Clara repetia: 

  • “Desde que me dediquei a pensar e meditar sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, as dores e os sofrimentos não me desencorajam, mas me confortam.”

 

Morreu no dia 11 de agosto de 1253, aos 60 anos.

 

Em 1255, o papa Alexandre IV a inscreveu no livro dos santos. Menos de dois anos depois da morte.

 

Cardeais e bispos que a foram consultar ao longo dos anos sabiam o que faziam. Aquela mulher imóvel num leito de convento via mais longe do que muitos que andavam.

 

A intercessão que vale pedir

 

Santa Clara intercedeu por Assis diante de um exército. Multiplicou o pão. Viu a Missa quando não podia sair.

 

Ela pode interceder por você e pela sua família.

 

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