Em dezembro de 1917, com milhões de mortos nos campos de batalha, o frade de San Giovanni Rotondo suplicou por clemência. A resposta que recebeu é das mais desconcertantes de toda a sua correspondência

Dezembro de 1917. A Primeira Guerra Mundial entrava no seu quarto ano. Os campos da França e da Bélgica acumulavam cadáveres. A Itália havia sofrido em outubro, em Caporetto, uma das derrotas mais humilhantes de sua história militar. Mais de trezentos mil soldados italianos foram feitos prisioneiros em poucos dias.
Padre Pio estava em San Giovanni Rotondo. Não empunhava armas. Mas intercedia.
O que ele pediu
Numa das aparições de Nosso Senhor durante esse período, Padre Pio não hesitou. Perguntou a Jesus se Ele poderia ter compaixão das nações que sofriam pela guerra. Pediu que a Clemência Divina prevalecesse sobre a Justiça Divina.
Era um pedido enorme. E vinha de alguém que tinha crédito para fazê-lo: um homem que carregava no corpo as chagas de Cristo, que passava horas no confessionário, que oferecia o próprio sofrimento pelas almas.
Jesus respondeu. Mas não com palavras.
Fez um gesto com a mão. O sentido era: espere. Tenha paciência. Ainda não.
Padre Pio conta que insistiu. Perguntou: “Mas quando?”
Nosso Senhor ficou sério. Deixou escapar um leve sorriso. Olhou para Padre Pio. E foi embora sem falar.
A carta ao Padre Benedetto, datada de 17 de dezembro de 1917, registra esse momento. Consta do Epistolario I° (1910-1922), Edições “Padre Pio da Pietrelcina”, Convento S. Maria delle Grazie, San Giovanni Rotondo.
O silêncio de Deus não é ausência
Há uma tentação muito antiga de interpretar o silêncio divino como indiferença. Os salmos já combatiam isso. Jó combatia isso. A cruz inteira é uma resposta a isso.
O que Padre Pio recebeu não foi uma negativa. Foi um “ainda não” sem data marcada. E isso é das respostas mais difíceis de aceitar, especialmente diante de uma guerra que matava aos milhares por dia.
A Igreja sempre ensinou que Deus não é indiferente ao sofrimento humano. Mas também sempre ensinou que os tempos de Deus não são os tempos dos homens. Que a misericórdia divina age dentro de uma providência que a inteligência humana não alcança inteiramente.
Padre Pio sabia disso na teoria. Aquele gesto de Jesus o confrontou com isso na prática.
O que fazer quando Deus pede paciência
Padre Pio não parou de interceder. Não concluiu que a oração era inútil porque Jesus não respondera com um sim imediato.
Continuou no confessionário. Continuou celebrando a Missa. Continuou oferecendo o sofrimento. A resposta que recebeu não era uma porta fechada. Era um convite a perseverar sem garantia de prazo.
Isso tem um nome na espiritualidade católica: a prova da confiança. Não é fé cega. É fé que continua a agir mesmo quando os sinais externos tardam.
A guerra terminou em novembro de 1918. Padre Pio havia intercedido. O “ainda não” de Jesus tinha uma data, que ele não conhecia quando escreveu a carta.
Rezar quando a resposta demora
Há pedidos que você faz há anos. Por um familiar doente. Por um filho que se afastou. Por uma situação que não muda.
O gesto de Jesus a Padre Pio é também uma palavra para esses pedidos. Não é rejeição. É espera com sentido, mesmo que o sentido ainda não esteja visível.
Peça a Padre Pio que interceda por você nas esperas longas. Ele também esperou. E continuou rezando.
A Liga de Resgate das Almas do Purgatório sustenta uma Missa semanal por almas que também esperam. Pelos seus mortos, que aguardam o sufrágio dos vivos.
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