O equilíbrio perfeito entre a Justiça e o Amor de Deus

 

Uma das maiores tragédias espirituais do nosso tempo é a tentativa de separar aquilo que Deus uniu em Sua própria natureza.

Fala-se muito da misericórdia divina. Fala-se pouco da justiça divina.

Fala-se do amor de Deus. Quase nunca de Sua severidade.

Criou-se a imagem de um Deus indulgente, incapaz de castigar, incapaz de exigir reparação, incapaz de rejeitar o pecado. Um Deus moldado à sensibilidade moderna.

Mas esse não é o Deus revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo.

O verdadeiro Deus é infinitamente misericordioso e infinitamente justo.

Sua bondade não elimina Sua justiça. Sua justiça não diminui Seu amor.

As duas perfeições brilham juntas numa harmonia que ultrapassa a compreensão humana.

O Purgatório é uma das mais belas demonstrações dessa verdade.

A severidade que merece adoração

A mentalidade moderna costuma enxergar o castigo como algo incompatível com o amor. A doutrina católica ensina exatamente o contrário.

Deus corrige porque ama. Deus pune porque é justo.

Deus exige reparação porque Sua santidade é perfeita.

O Purgatório manifesta essa realidade de modo admirável.

As almas que ali se encontram são amadas por Deus.

São almas salvas. São almas predestinadas ao Céu.

Receberam a graça da perseverança final. Morreram reconciliadas com Deus.

Mesmo assim, não podem entrar imediatamente na Visão Beatífica.

Por quê?

Porque diante da santidade infinita de Deus não pode permanecer qualquer mancha, qualquer apego desordenado, qualquer dívida temporal não reparada.

A justiça divina exige purificação.

Não por crueldade. Não por rigor excessivo.

Mas porque Deus é perfeitamente santo.

Sua severidade é tão perfeita quanto Sua misericórdia.

E aquilo que é perfeição em Deus merece amor, veneração e adoração.

A alma que se curva diante do castigo

O espírito revolucionário sempre se revolta contra a correção.

A alma católica faz o contrário. Ela reconhece a justiça de Deus mesmo quando essa justiça a fere. Há uma diferença profunda entre sofrer e revoltar-se.

A alma verdadeiramente unida a Deus aceita a correção porque sabe que ela vem das mãos de um Pai infinitamente sábio.

Uma imagem ajuda a compreender essa verdade. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo expulsou os vendilhões do Templo, utilizou o açoite para restaurar a ordem profanada. Imagine se um daqueles homens tivesse caído de joelhos diante d’Ele e dissesse:

  • “Senhor, eu mereço este castigo. Eu ofendi a santidade da Casa de Deus.”

Nesse momento haveria ali um verdadeiro ato de amor. Não amor sentimental. Não amor interessado. Mas amor à justiça divina.

Algo semelhante acontece no Purgatório.

As almas não murmuram. Não protestam. Não acusam Deus. Elas reconhecem plenamente a justiça da própria purificação.

Sabem que mereciam muito mais. Sabem que poderiam ter perdido Deus para sempre. Por isso, no meio da dor, adoram. No meio do sofrimento, agradecem.

No meio das chamas purificadoras, bendizem a justiça dAquele que as prepara para o Céu.

O problema das pequenas faltas

Outro erro muito comum consiste em tratar os pecados veniais como algo sem importância. Não são. O pecado venial não destrói a amizade com Deus. Não faz a alma perder o estado de graça. Mas continua sendo uma ofensa real à ordem estabelecida pelo Criador.

Cada impaciência alimentada. Cada vaidade cultivada. Cada omissão voluntária. Cada apego desordenado. Cada tibieza aceita.

Tudo isso constitui uma desordem que precisa ser reparada. A cultura moderna ensina que basta evitar os grandes pecados.

A espiritualidade católica ensina algo mais elevado. Ensina que Deus deseja santos. Não apenas pecadores perdoados.

O Purgatório existe justamente porque muitas almas chegam ao fim da vida reconciliadas com Deus, mas ainda carregando imperfeições que não foram suficientemente combatidas.

Ali completa-se a reparação que foi negligenciada na Terra. Ali a honra de Deus é desagravada. Ali a alma aprende, pela experiência mais profunda possível, o valor da santidade.

Uma advertência para os vivos

A existência do Purgatório é uma advertência cheia de misericórdia. Ela recorda que o pecado nunca é algo pequeno. Recorda que a santidade não é opcional. Recorda que Deus leva a sério aquilo que nós frequentemente tratamos com leviandade.

Quanto mais nos purificamos nesta vida, menos teremos de reparar na próxima. A oração, a penitência, a confissão frequente, os sacrifícios oferecidos com amor e a fidelidade aos deveres de estado não são práticas antiquadas. São tesouros espirituais que preparam a alma para encontrar Deus.

Quem aprende a aceitar as cruzes desta vida com espírito sobrenatural já começa aqui a própria purificação. E quem aprende a amar a justiça divina já experimenta algo da verdadeira sabedoria dos santos.

Assista ao Seriado Vozes do Purgatório

O Purgatório não é apenas uma doutrina para ser estudada. É uma realidade que deveria transformar nossa maneira de viver, de rezar e de encarar a eternidade.

Se esta reflexão ajudou você a compreender melhor a justiça e a misericórdia de Deus, continue aprofundando esse tema no seriado “Vozes do Purgatório”, no canal Regina Fidei.

Cada episódio apresenta ensinamentos da tradição católica sobre a purificação das almas, os Novíssimos, a reparação dos pecados e a preparação para o encontro definitivo com Nosso Senhor Jesus Cristo.

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