Acompanhe a jornada de sacrifício do jovem jesuíta que deixou a Alemanha para encontrar sua verdadeira missão no Rio Grande do Sul, onde o clima tropical foi o cenário para o florescimento de seus maiores êxtases.

A chegada de João Batista Reus ao Brasil não foi um simples ato de escolha pessoal, mas o resultado de uma perseguição religiosa e de um chamado sobrenatural irresistível.
Em setembro de 1900, o jovem jesuíta desembarcava em Porto Alegre, trazendo consigo apenas uma pequena mala, seu breviário e uma alma que ardia pelo desejo de salvar almas em terras distantes.
Mas o que o esperava em São Leopoldo ultrapassava qualquer expectativa humana.
O Sacrifício do Exílio
Naquela época, a Alemanha vivia sob a sombra da Kulturkampf (Luta pela Cultura), onde os jesuítas eram perseguidos e expulsos.
Padre Reus viu nisso a mão da Providência. Ao pisar em solo gaúcho, ele não buscou conforto. Pelo contrário, sua primeira ação foi beijar o chão e oferecer sua vida pelo povo que o recebia.
O clima úmido e o calor intenso de São Leopoldo foram seus primeiros instrumentos de penitência. Ele sofria com as febres e a exaustão, mas escrevia em suas notas que “cada gota de suor era uma pérola oferecida ao Sagrado Coração”.
O “Choque Místico” no Colégio Conceição
Foi no Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo, que os fenômenos extraordinários começaram a se tornar impossíveis de esconder.
O “choque místico” aconteceu quando o Padre Reus, ao celebrar suas primeiras missas na capela do colégio, começou a experimentar uma união tão violenta com o divino que seu corpo físico mal conseguia suportar.
Testemunhas da época — outros padres jesuítas e alunos — relatavam fatos perturbadores e belos:
- O Peso da Glória: Durante a consagração, o Padre Reus por vezes parecia “colado” ao chão, como se seu corpo pesasse toneladas sob a pressão da presença de Deus.
- A Transfiguração: Seu rosto, normalmente pálido e austero, tornava-se rubro e emitia uma luminosidade suave durante a elevação da Hóstia. Alunos relatavam que era impossível olhar diretamente para ele sem sentir um temor reverencial.
A Primeira Visão em Solo Brasileiro
Foi em São Leopoldo que o Padre Reus teve uma de suas visões mais decisivas.
Enquanto rezava diante do Santíssimo Sacramento, ele viu Nosso Senhor apontando para o mapa do Brasil e dizendo que seu sofrimento naquele país seria a “chuva de graças” para muitas almas que estavam se perdendo.
A partir desse momento, ele compreendeu que não era apenas um professor ou um pároco, mas uma vítima expiatória pela nação brasileira.
A Luta contra o Clima e a Saúde
A saúde do Padre Reus era precária, mas ele se recusava a qualquer privilégio.
Ele dormia em uma cama de tábuas e passava as noites em vigília, mesmo sob o ataque de insetos e o desconforto do calor gaúcho. Ele dizia que o Brasil precisava de “santos de fogo”, e que ele estava disposto a ser consumido por esse incêndio de amor.
Este período em São Leopoldo marcou a transição do Padre Reus de um missionário disciplinado para um místico de classe mundial, cujos pés estavam no Rio Grande do Sul, mas cuja mente já habitava as mansões celestiais.




