Entenda por que esta aparição, de que pouco se fala, antecipou um drama enfrentado atualmente.

Muitos conhecem o Milagre do Sol ocorrido em Fátima no dia 13 de outubro de 1917, há mais de um século.
Poucos, porém, sabem ou se lembram que, enquanto o sol bailava, São José apareceu com o Menino Jesus e a Santíssima Virgem.
Essa visão extraordinária, testemunhada pela Irmã Lúcia, por São Francisco e Santa Jacinta Marto, parece carregar uma mensagem crucial, mas infelizmente desconhecida por muitos.
O padre João de Marchi, em seu livro ‘Era uma Senhora mais brilhante que o sol’, descreve o ocorrido com detalhes:
“À esquerda do sol, São José apareceu segurando o Menino Jesus no braço esquerdo [tendo ao seu lado Nossa Senhora, vestida de branco com um manto azul].
Ele emergiu de entre as nuvens brilhantes, mas apenas até o peito, o suficiente para que pudesse levantar a mão direita e fazer, junto com o Menino Jesus, o sinal da cruz três vezes para abençoar o mundo.”
Mas por qual motivo São José teria aparecido abençoando o mundo de forma tão solene? Por que carregava o Deus Menino ao colo e tinha ao lado Sua Castíssima Esposa?
O Que Esta Aparição Tem a Nos Dizer?
Monsenhor Joseph Cirrincione, estudioso da mensagem de Fátima por mais de 40 anos, faz uma surpreendente afirmação no seu livro ‘São José, Fátima e a Paternidade’:
“O Milagre do Sol representa não tanto uma ameaça de males futuros, mas um presságio do destronamento de Deus Pai e uma indicação das terríveis consequências que se seguirão”.
A presença de São José no Milagre do Sol encerra um presságio e indica uma missão que se tornariam cada vez mais evidentes com o passar do tempo.
Pois, no parecer de Monsenhor Cirrincione, nos nossos tempos “a verdadeira paternidade de Deus e o tradicional forte papel do pai da família são rechaçados pela humanidade”.
Para avaliar quão certeira é essa afirmação, basta observar o colapso que, como um tornado, atinge a vida familiar em nossos dias.
Na mídia e nas redes sociais, as figuras paternas são frequentemente retratadas nas suas piores facetas: pais que se afastam dos filhos, maridos infiéis às suas esposas, sacerdotes que faltam ao compromisso firmado com Deus e a Igreja.
A santidade da família é continuamente maculada, particularmente pelo divórcio e pela contracepção. Como consequência, muitos homens se casam sem nutrir o natural desejo de serem pais, e outros já não desejam assumir o compromisso do matrimônio ou do sacerdócio.
Os números revelam a profundidade da tragédia: o alto índice de crianças criadas sem a presença do pai, por exemplo, expõe uma crise de irresponsabilidade masculina.
Tudo isso é resultado da cultura que tem criado homens egoístas, incapazes de formar uma família, pois isso exigiria deles atitudes como sacrifício e renúncia que não aprenderam ou não querem exercitar.
O mundo perdeu a referência de paternidade. Os homens, por isso, já não sabem ou não querem ser pais; os governantes já não conduzem à ordem social cristã o povo que lhes foi confiado; os sacerdotes já não gastam a vida para santificar e proteger o rebanho que deveriam guardar.
Monsenhor Cirrincione explicou o porquê:
“A paternidade humana, como reflexo da paternidade de Deus, foi desenhada para ser o pilar da família. O desaparecimento da estima pela paternidade levou ao colapso desse pilar e à desintegração da família”.
Ante esse cenário de orfandade afetiva e espiritual, a figura de São José surge como um modelo urgente e necessário.
Deus Pai, que outrora lhe deu o papel de educador do próprio Deus feito homem, agora o convida a reassumir essa missão junto aos homens do século XXI.
É preciso que os homens aprendam com São José como vivenciar o seu papel na Igreja, na família e na sociedade: como pais, maridos, avôs, sacerdotes, governantes.
Afinal, quem melhor para formá-los, inspirá-los e interceder por eles do que o Pai Virginal de Jesus? A paternidade de São José é um reflexo perfeito da paternidade divina, como toda a paternidade humana deveria ser se fosse exercida como Deus a pensou.
Por isso, a mensagem de Fátima, nesse particular, traz um convite: olhai para São José e aprendei a ser pais.
É justamente para responder a esse chamado que nasceu o grupo Missionários de Fátima. Inscreva-se e faça parte dessa missão.
O Que Está em Jogo? Pais Ausentes, Filhos Reféns
Para entender por que o papel de São José é tão vital, é preciso compreender o que está em jogo.
A infância não é uma fase neutra, plástica ao sabor do ambiente, mas um terreno sagrado no qual Deus já depositou sementes profundas.
A Igreja ensina que cada criança nasce criada à imagem e semelhança de Deus. Na alma infantil existe um primeiro senso do bem e do mal, do belo e do feio, do verdadeiro e do falso.
Esse senso inicial precisa ser protegido, esclarecido, fortalecido. A missão paterna consiste exatamente em cultivar esse tesouro invisível.
É com os pais que os meninos aprendem a ser homens e, também, que meninos e meninas reconhecem que no mundo há ordem, dever, hierarquia, certo e errado.
Quando essa presença paterna falha, o espaço deixado vazio é rapidamente ocupado pelo mundo e o demônio que deformam ao invés de formar.
Basta voltar o olhar para o noticiário: os índices de violência são alarmantes, a música, a arte, a literatura estão cada vez mais degradadas.
Não é coincidência, portanto, que São José tenha sido colocado em evidência em Fátima.
São José apareceu com o Menino Jesus ao colo para relembrar que cabe ao pai proteger, guiar, orientar e também formar os homens que terão a missão de conduzir os rumos que o mundo seguirá.
Que cabe aos sacerdotes serem os educadores e o escudo de suas paróquias, assim como São José foi para Jesus e Maria, protegendo sua grei dos lobos das ideologias e das seitas.
Por isso, o exemplo de São José como pai zeloso e esposo fiel parece ser um dos únicos capazes de ser apresentado em um mundo que perdeu ou sequer teve sadios referenciais.
A Missão de São José na Batalha Final
Numa carta ao Cardeal Carlo Caffara, arcebispo de Bolonha, a Irmã Lúcia afirmou: “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimônio e da Família”, como não pensar que São José tem um papel essencial nesse combate?
O demônio sabe que, para destruir a civilização, basta corromper a figura do pai; porque para remover Deus do horizonte da humanidade, basta apagar a imagem do Pai no coração dos homens.
Eis porque São José apareceu em Fátima: para levantar os homens e se colocar como modelo para que eles reaprendam e reocupem seus papéis na família, na Igreja e na direção da sociedade.
Onde o pai terreno falta, omite-se ou a figura paterna é desprezada, os homens não aprendem a educar outros homens, e, sobretudo, homens e mulheres crescem incapazes de reconhecer e se render a um Deus Criador e Pai.
Por isso, ter São José como espelho é permitir que, através dele, cada homem redescubra a sua vocação paterna: ser o rosto visível do próprio Deus e de Seu amor providente e paternal.
Se a batalha final será travada na família, é primordial a restauração da figura paterna e da sua autoridade para que a vitória definitiva seja de Deus.
A reconstrução da figura paterna começa quando cada homem contempla a imagem de São José e entende que é o primeiro responsável pela salvação de sua família.
Se a paternidade não é vivida como doação e serviço, como fez São José, ela se torna uma tirania que oprime e destrói, que será fatalmente rejeitada.
Assim, Fátima, através da aparição de São José, revela que restaurar a paternidade segundo o coração de Deus é um dos modos de preparar o caminho para o triunfo final do Imaculado Coração de Maria.
Se esse chamado ressoa no seu coração, inscreva-se no grupo Missionários de Fátima.




