São José e as Almas do Purgatório

Um episódio impressionante revela o poder da intercessão do Patrono da Boa Morte.

A Misericórdia do Pai Adotivo de Jesus

Quando falamos sobre a misericórdia para com as almas do Purgatório, é comum que o pensamento se volte imediatamente para a Santíssima Virgem Maria.

Contudo, ao lado da Mãe de Deus, brilha também seu castíssimo esposo. São José, venerado pela Igreja como poderoso intercessor, possui uma compaixão imensa pelas almas purgantes.

A sua intercessão é tão eficaz que, muitas vezes, quando ele é invocado a favor de alguma das benditas almas, esta é quase prontamente liberta de seus sofrimentos.

Mas como podemos ter certeza disso? A resposta está nos relatos dos santos, que nos deixaram testemunhos vivos dessa verdade.

Um dos exemplos mais belos e tocantes vem do diário de uma humilde religiosa italiana, e nos revela um lado pouco conhecido, mas profundamente consolador, do Glorioso Patriarca.

Uma Alma Agraciada: Quem foi a Venerável Consolata Betrone?

Para compreender a grandeza desse episódio, precisamos conhecer, ainda que brevemente, a alma que o viveu.

A Venerável Maria Consolata Betrone nasceu em 1903, em uma numerosa e modesta família italiana. Em 1917, mudaram-se para Turim, cidade que testemunharia mais tarde a sua entrega total a Deus.

Foi nessa cidade que, em 17 de abril de 1929, ela cruzou os umbrais do mosteiro das Clarissas Capuchinhas.

Apesar de ser favorecida por Deus com grandes dons espirituais e falar familiarmente com Nosso Senhor, Sóror Consolata passava despercebida aos olhos da pequena comunidade.

Assim como Santa Teresinha do Menino Jesus, ela recebeu do Céu a vocação de tornar concreta a “Pequena Via da Infância Espiritual”.

Em sua simplicidade, recorria a São José em todas as necessidades, cultivando com ele uma confiança filial.

Essa devoção singela, justamente, seria a chave para um dos episódios mais impressionantes de sua vida.

A Morte do Pai e um Pedido a Jesus

No dia 20 de março de 1935, Franca, uma irmã da Sóror Consolata, escreveu-lhe anunciando a doença do pai e sua própria angústia diante do sofrimento dele.

A Madre Priora do convento, conhecendo o coração da religiosa, pediu-lhe que rezasse com especial fervor em favor de seu pai enfermo.

Na manhã de 17 de abril, uma Quarta-Feira Santa, Sóror Consolata ofereceu a sua comunhão pelo pai.

Em uma prece cheia de amor, pediu a Jesus que, se fosse da Sua vontade, o levasse para Si antes do fim daquele ano.

O que ela não sabia é que, naquele exato momento, seu pedido já havia sido atendido. Seu pai acabara de falecer.

Enquanto rezava o terço na fila para se confessar, alheia a tudo, ela fez a pergunta que mudaria sua tarde:

— Jesus, onde está meu pai?

A resposta veio direta e serena:

— Está no purgatório, Consolata.

Por um momento, Sóror Consolata Betrone se perguntou: por que Jesus não lhe havia informado da morte de seu pai?

Seu coração se apertou. Conhecendo os tormentos daquele lugar de purificação, ela suplicou imediatamente:

— Jesus, libertai-o, eu vos peço!

— Libertá-lo-ei no sábado de manhã — respondeu-lhe Nosso Senhor.

A Angústia de Consolata e a Intransigência Divina

Para Sóror Consolata, fazer a alma de seu querido pai esperar até sábado parecia um castigo duro demais.

Uma de suas grandes tristezas era ver a angústia das almas, seja nessa vida, seja na eternidade.

Por isso, continuou a insistir com ainda mais fervor para que seu pai fosse rapidamente libertado do Purgatório.

Na tarde do dia seguinte, um arrepio percorreu sua espinha. Ela ouviu, nitidamente, a voz angustiada de seu pai, que dizia em dialeto: «Sofro tanto!»

Desesperada, ela voltou a implorar a Jesus, mas o Salvador mantinha-se firme:

— Não, não! Até sábado não o posso libertar.

Diante daquela aparente intransigência, a religiosa sentiu que era impossível persuadir o Salvador com seus argumentos.

Foi então que, movida pelo Espírito Santo, ela tomou uma decisão: recorrer ao seu protetor, o glorioso São José.

A Intervenção Poderosa de São José

Com a simplicidade de uma criança, Sóror Consolata Betrone invocou São José.

Ela sabia que o Patrono da Boa Morte possui uma especial compaixão pelas almas que ainda se purificam naquele “cárcere expiatório”.

Mal terminou sua oração, uma luz suave tomou conta do ambiente e diante dela estavam São José e a Santíssima Virgem Maria.

O santo Patriarca, com um olhar paternal e preocupado, perguntou:

— Consolata, que tens? Estás triste?

Entre lágrimas, ela respondeu:

— São José, meu pai está no purgatório e Jesus não quer libertá-lo até sábado de manhã.

A resposta do Glorioso Patriarca foi imediata e cheia de autoridade:

— Não te preocupes, libertá-lo-á amanhã, Sexta-Feira Santa.

Surpresa, Sóror Consolata retrucou:

— Mas Jesus não quer, pedi-Lhe tanto…

Foi então que São José pronunciou a frase que ecoa até hoje como um bálsamo para todos os devotos:

— Oh, Jesus nunca me nega nada! Amanhã, Ele libertará teu pai.

A Libertação na Sexta-Feira Santa

Na tarde da Sexta-Feira Santa, durante a solene celebração da Parasceve (a cerimônia das 15h00), o pai de Sóror Consolata apareceu-lhe, acabado de sair do Purgatório.

Seu rosto, embora marcado pelos sofrimentos da purificação, irradiava uma paz profunda e serena.

Ele falou em dialeto com sua filha, explicando que subia, finalmente, para o Paraíso.

E, com a gratidão de quem foi salvo, prometeu que rezaria por ela e por toda a sua família na presença de Deus.

O Santo Patriarca havia cumprido sua promessa e Sóror Consolata verificava que aquele que tivera autoridade sobre Jesus na Terra continuava a gozar de grande favor junto d’Ele no Céu.

Se também deseja ajudar almas que aguardam essa mesma libertação, clique aqui e inscreva-se na Liga de Resgate das Almas do Purgatório.

Sua oração pode abreviar o sofrimento de muitas delas.

São José, Libertador das Almas do Purgatório

Mais uma razão, então, temos para nos colocarmos sob a proteção de São José.

Através deste episódio, compreendemos que ele continua exercendo no Céu aquela autoridade paternal que Deus lhe confiou na terra.

Por isso, invoquemos a São José com fervor, especialmente pelas almas do Purgatório.

Assim como atendeu ao clamor da Venerável Consolata Betrone, ele ouvirá também as súplicas daqueles que recorrem a ele com confiança.

O Santo Patriarca obterá para essas almas uma redução de suas penas e as conduzirá mais rapidamente à luz da glória eterna.

Porque Jesus, seu Filho adotivo, que lhe foi obediente na Terra, continua a acolher com amor a sua intercessão no Céu.

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