A Apresentação do Senhor no Templo e a Purificação de Maria Santíssima

Dois mistérios celebrados no mesmo dia e o cumprimento fiel da Lei no início da vida de Jesus Cristo.

São dois os mistérios celebrados neste dia 2 de fevereiro pela Igreja: a Apresentação de Jesus no Templo e a Purificação de Nossa Senhora.

Trata-se de uma das festas mais antigas da tradição cristã. A sua origem remonta aos primeiros séculos e está diretamente ligada ao relato evangélico da infância de Jesus.

Com essa festa, encerra-se o Tempo do Natal e a liturgia começa a orientar o olhar dos fiéis para o mistério pascal.

Conforme o Evangelho, quarenta dias após o nascimento, a Virgem Santíssima e São José levaram o Menino Jesus ao Templo de Jerusalém.

O objetivo era duplo: cumprir o ritual de purificação de Maria após o parto e realizar a redenção do primogênito, conforme prescrevia a Lei judaica.

A Lei da purificação e a da Consagração

A Lei mosaica determinava que a mulher que tivesse dado à luz permanecesse em estado de impureza ritual por quarenta dias, se o filho fosse homem, período durante o qual não podia entrar no Templo.

Decorrido esse o tempo legal, deveria apresentar uma oferta: um cordeiro e um pombo.

No entanto, caso fosse pobre, a Lei permitia uma alternativa: dois pombos. Após o sacrifício, o sacerdote declarava a mulher purificada, e ela podia novamente frequentar o Templo.

Além disso, outra norma estabelecia que todo primogênito do sexo masculino deveria ser consagrado a Deus, reconhecido como pertencente de modo especial ao Senhor.

Foi nesse contexto que Nossa Senhora e São José apresentaram Jesus no Templo, obedecendo integralmente às determinações legais.

Obediência sem obrigação

Nosso Senhor e Sua Mãe Santíssima não estavam sujeitos a essas leis. Ainda assim, ambos se submeteram a elas.

Esse gesto revela uma lição clara de humildade e respeito pela Lei de Deus. Ao obedecerem, não buscaram isenções nem dispensas, mas demonstraram o valor da obediência.

São Lucas registra de forma explícita que José e Maria escolheram a oferta permitida aos pobres, sacrificando “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2,24).

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O encontro com Simeão e Ana no Templo

No Templo, a Virgem Santíssima e São José encontraram Simeão, um velho sacerdote que havia recebido uma promessa: não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.

Ao tomar o Menino nos braços, ele entoou uma oração que ficaria conhecida como Nunc Dimittis. Nela, Simeão profetiza a redenção do mundo por Jesus:

“Agora tu, Senhor, podes deixar ir em paz o teu servo, segundo a tua palavra;
porque os meus olhos já viram a tua salvação,
a qual preparaste ante a face de todos os povos:
luz para revelação aos gentios
e glória do teu povo de Israel.”
(Lc 2,29–32)

Esta profecia da luz é a origem do antigo e piedoso costume da bênção e procissão das velas neste dia, que deu à festa o nome popular de “Candelária”.

Após essa oração, Simeão dirigiu-se a Maria e anunciou-lhe uma profecia direta: “Uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2,35).

O Evangelho registra ainda a presença da profetisa Ana, já idosa, que permanecia no Templo em orações e louvores a Deus.

Ela deu graças a Deus e falou sobre o Menino a todos os que aguardavam a redenção de Israel, reconhecendo em Jesus o cumprimento dessa esperança.

É à luz desse encontro, marcado pela luz da revelação e pela sombra da cruz, que a Igreja aprofunda o sentido mais alto desta celebração.

Maria e a participação na Redenção

O sentido mais profundo desta celebração está no fato de que Maria Santíssima oferece o seu próprio Filho ao Pai eterno.

Ao fazê-lo, ela toma parte na Redenção do mundo, pois Jesus Cristo, o Filho de Deus, entrou no mundo para ser sacrificado por toda a humanidade.

É nesse sentido que, na festa de hoje, a Igreja contempla Maria em seu papel de Corredentora.

A Santíssima Virgem não ignorava que Jesus era o Salvador do mundo. Pelas profecias, compreendia que sua missão se realizaria em um mistério de dor, do qual ela, como Mãe, participaria.

A profecia de Simeão confirmou essa compreensão.

No silêncio do seu coração, Maria devia ter renovado o seu sim:

“Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Ao oferecer o Filho no Templo, Ela antecipava a oferta de Jesus, o Cordeiro imaculado, na Cruz, unindo-se desde já e para sempre ao desígnio salvífico que se consumaria no Calvário.

Assim, a festa da Apresentação do Senhor é um convite à contemplação deste mistério que é o primeiro passo na obra Redentora de Jesus Cristo.

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