Senhor, eu não quero te trair! Dai-me a Vossa Misericórdia!

Nosso Senhor Jesus Cristo voltou a falar com a Irmã Faustina sobre as ofensas que mais o atingem, e as ações que mais afastam as pessoas Dele.

Os tíbios até tentam evitar o pecado mortal, mas como não veem problema em cometer pecados veniais, e até os cometem com vontade, acabam caindo naquilo que queriam evitar.

Como a maioria de nós, os tíbios têm problemas com o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a impaciência, a grosseria no trato com os outros, os mexericos, as distrações, mas não aceitam se corrigir ou serem corrigidos.

O tíbio não se apega realmente a Deus, e nem adere fortemente ao mundo, não se entrega por completo ao bem e nem ao mal, não se resolve entre um ou outro.

Impossível servir a dois senhores

E o próprio Jesus, nos Evangelhos, nos ensinou que é impossível servir a dois senhores.

Ou se serve a Deus, ou se serve a Mamon (deus pagão do dinheiro).

Não é possível acenar à Nossa Senhora com uma das mãos, e com a outra acariciar a serpente que Ela esmaga. O tíbio tenta fazer isso: ficar de bem com a luz e com as trevas.

E como Jesus deseja que o tíbio deixe de sê-lo?

“Aconselho-te a comprar de mim ouro purificado no fogo para que enriqueças, vestes brancas para que te cubras e não apareça a vergonha de tua nudez, e um colírio para que unjas teus olhos e possas enxergar” (Ap: 3,18).

Eis o remédio para combater a tibieza: comprar o amor de Deus com a moeda da oração, coisa que é penosa para a alma tíbia, mas na qual é preciso insistir sempre, mesmo com as dificuldades e enfrentando uma passageira falta de sabor nesse exercício de nos voltar às coisas do Alto.

Afinal, a misericórdia que Deus nos concede quando a pedimos serve também para isso: é um incentivo poderoso para criarmos gosto pela oração, fortalecendo com ela nossa filiação para com Jesus Cristo.

Por nossa condição de herdeiros do Pecado Original, não podemos dar a Deus nada de nossa natureza ou de nós mesmos, porque estamos maculados, todavia, sempre podemos devolver a Deus, com a oferta de nosso amor e gratidão, algo daquilo que ele nos deu. E é isso que Ele espera de nós.

Deus nos concede a misericórdia, mas com a expectativa de que movamos céus e terras para a manter e multiplicar, para assim devolver os bens a Ele.

E é a nossa parte que Jesus Cristo não tem recebido

Somos prontos a pedir, mas mesquinhos e indecisos para retribuir, e isso acrescenta mais dor às chagas de Jesus no madeiro da Cruz, o que tem como consequência o desperdício da misericórdia, a não aquisição de méritos de nossa parte para novos clamores e uma sobrecarga sobre o Cordeiro Divino, que se doou por inteiro para que ganhássemos a vida eterna.

Ouçamos Santa Faustina Kowalska

“Quando fui tranquilizada e instruída sobre a maneira como proceder nesses caminhos de Deus, o meu espírito alegrou-se no Senhor, e parecia-me que já não estava mais andando, mas correndo.

“As minhas asas abriram-se para o voo e comecei a elevar-me até o próprio Sol abrasador, e não hei de descer antes de repousar n’Aquele em quem minha alma mergulhou para sempre.

“Abandonei-me inteiramente à influência da graça; o abismo entre nós, Criador e criatura, como que desaparece” (Diário, 142)

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