Ao percorrer em silêncio as ruas de Assis ao lado de Frei Leão, São Francisco mostrou que o exemplo pode anunciar Jesus muito antes que uma palavra seja pronunciada.

Hoje, 4 de outubro, a Igreja celebra São Francisco de Assis, o fundador dos franciscanos, um homem de quem, como disse o Papa João Paulo II, o mundo tem saudades.
Neste dia, muitas de suas palavras, gestos e episódios voltam a ser recordados.
Entre eles, há uma pequena história que resume de maneira particularmente expressiva uma característica de sua vida: a força do exemplo.
O convite para uma pregação
Certa vez, São Francisco chamou Frei Leão e fez um convite simples:
— Frei Leão, vamos fazer uma pregação?
O irmão aceitou. Então, os dois deixaram o convento e começaram a caminhar pelas ruas de Assis.
Tudo indicava que, em algum momento, Francisco escolheria uma praça, reuniria as pessoas e começaria a falar. No entanto, isso não aconteceu.
E justamente aí estava a pregação.
Uma pregação sem púlpito
Francisco e Frei Leão caminharam durante longo tempo pela cidade. Passaram diante das pessoas, percorreram as ruas e, em determinado momento, entraram numa igreja.
Ali, São Francisco rezou. Permaneceu algum tempo em silêncio, recolhido em oração. Depois, levantou-se e retomou o caminho ao lado de Frei Leão.
Nenhum discurso havia sido feito. Nenhuma multidão tinha sido reunida. Nenhuma palavra pública havia sido pronunciada.
Por isso, quando já estavam regressando ao convento de Santa Maria dos Anjos, Frei Leão não conseguiu esconder sua perplexidade:
— Irmão Francisco, por que não pregamos? Não era esse o propósito da nossa saída?
A resposta de São Francisco revelaria que, desde o início, ele havia compreendido aquela caminhada de modo muito diferente.
Para o fundador dos franciscanos, anunciar o Evangelho não significava apenas falar sobre ele. Era preciso também vivê-lo diante dos outros.
Afinal de contas, Nosso Senhor disse:
“Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5,16).
A oração, a pobreza, a simplicidade e até o modo como os dois frades caminhavam juntos faziam parte daquela mensagem.
Quando a vida confirma as palavras
São Francisco explicou a Frei Leão que pregar não era apenas anunciar o Evangelho por meio de discursos. Era também viver com retidão, amar profundamente a Deus e oferecer aos outros um exemplo de virtude.
Naquele dia, portanto, eles haviam pregado.
Quem os encontrou pelas ruas viu dois religiosos caminhando com simplicidade. Quem os observou entrar na igreja viu homens de oração. Quem percebeu sua pobreza e sua maneira de conviver pôde encontrar, naquele comportamento, algo do que Francisco desejava anunciar.
Assim, antes mesmo de alguém escutar sua voz, já podia observar sua maneira de viver.
Esse detalhe ajuda a compreender a força do exemplo de São Francisco de Assis. Ele procurou viver aquilo que ensinava. Suas escolhas e seus gestos davam força às suas palavras.
A pregação que todos podiam ver
Ao final daquela caminhada, Frei Leão provavelmente esperava ter acompanhado uma missão que ainda não havia começado. Francisco, porém, mostrou-lhe que ela já tinha acontecido diante de seus olhos.
A caminhada, a oração na igreja e até a alegria e a amizade entre os dois haviam falado aos que os encontraram pelas ruas de Assis.
Francisco mostrava, assim, que a palavra e o exemplo eram inseparáveis na pregação do Evangelho.
A palavra pode explicar a fé, defendê-la e transmiti-la. Entretanto, o exemplo permite que os outros vejam aquilo que as palavras procuram anunciar.
Naquele dia, porém, São Francisco de Assis escolheu pregar sem subir a um púlpito. E Frei Leão descobriu assim que uma vida coerente pode dizer mais do que um longo discurso.




