Sábado Santo: Esperar como Maria, confiante nas Promessas de Deus

Saiba como vivenciar o dia em que Deus ensinou ao mundo que a esperança não depende do que se vê.

O Sábado Santo está no meio das celebrações Pascais.

É o único dia do ano litúrgico em que a Igreja fica em silêncio diante do mistério.

Entre a morte de Jesus na sexta-feira e Sua ressurreição no domingo, o sábado é o dia em que Deus parece ter desaparecido.

Diante disso, muitos têm a tentação de querer pulá-lo, avançar o relógio para gritar logo o Aleluia.

Entretanto, deixá-lo passar é perder uma das mais importantes lições que Nosso Senhor quis dar ao mundo.

O Sábado foi um dia perdido?

É muito comum, na semana santa, as pessoas verem o sábado como um dia perdido ou um dia ponte.

De fato, na sexta-feira santa estão as celebrações mais comoventes do ano todo e no domingo explode a alegria pela ressurreição. Mas e o sábado?

O Sábado Santo é um dia de oração, meditação e silêncio.

Jesus Cristo está no sepulcro. Desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo em que pode ir uma pessoa para resgatar os justos que esperavam ansiosos a Sua vinda.

Os apóstolos, decepcionados, caíram no desalento e deviam dizer como os discípulos de Emaús:

“E nós pensávamos que Ele era o Cristo que viria para resgatar Israel!” (Lc 24,21).

Essa, porém, não era a atitude de Maria Santíssima, aquela que aos olhos de todos deveria estar mais desolada.

Não porque a dor n’Ela fosse menor, mas porque sua esperança estava fundada em algo que os outros ainda não haviam compreendido.

O tesouro que Maria guardava no coração

Enquanto os discípulos de Jesus viam apenas um túmulo fechado, a Santíssima Virgem via o cumprimento da promessa de salvação.

Ao longo da Sua vida, como disse o evangelista, Ela guardara no coração cada palavra e cada promessa de Seu Divino Filho.

Por isso, Ela certamente se recordava que Jesus havia dito:

“O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos… deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia.” (Lc 9,22).

Mas não apenas: Ela conhecia as Escrituras e lembrava-se que Oséias havia profetizado: “Dar-vos-ei a vida ao terceiro dia” (Os 6,2).

Fundada nessas promessas, a Mãe de Deus não desanimou, pois estava convencida de que Deus não poderia faltar com a Sua palavra.

Esperança contra toda esperança

No silêncio do sábado há um convite a meditar pacientemente, na confiança de quem sabe que a última palavra não pertence à morte.

Se Nosso Senhor parece ausente, é porque essa ausência mesma quer ensinar a praticar a virtude da esperança.

Não uma esperança qualquer, mas aquela que nasce da certeza de que Deus, como se reza nas orações matinais, é onipotente, misericordioso e fiel às Suas promessas.

E justamente aí reside o maior desafio, pois suportar a espera, sofrer as demoras de Deus, sem saber o que virá, é, para muitos, torturante.

Desse desafio nascem duas atitudes: a dos apóstolos, que se deixaram abater por suas expectativas frustradas; e a de Maria Santíssima, que se sustentou no que sabia, não no que via.

E o Sábado Santo quer mostrar que a atitude da Virgem Santíssima deve ser a atitude de todo católico.

Há quem já decidiu viver assim, aprendendo com Nossa Senhora a esperar, confiar e perseverar na fé, mesmo nos momentos de silêncio.

Se você deseja trilhar esse caminho com Ela, conheça o grupo Missionários de Fátima e una-se a essa missão de propagar a mensagem de Nossa Senhora.

Transformar o silêncio em oração

Se queremos viver bem este dia, não basta apenas “não pulá-lo”; é preciso sintonizar o coração com o Coração de Maria.

Recolher-se junto ao sepulcro e aguardar ali, como Ela, o cumprimento das promessas de Deus, fazendo memória de Suas grandes maravilhas.

Uma maneira concreta de fazer isso é meditar os mistérios do Rosário — especialmente os gozosos — e rezá-los refletindo sobre aquilo que Nossa Senhora contemplava.

Alegrar-se com a Encarnação e o Nascimento do Redentor e relembrar que Sua Paixão havia sido profetizada também pelo velho Simeão no Templo.

Rezando assim, será possível olhar para o túmulo fechado e passar a enxergar, como Ela, que as promessas de Deus nunca falham.

E que o sofrimento de ontem dará lugar à glória de amanhã, ainda que agora tudo pareça escuro.

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