Conheça a identidade dos Magos do Oriente e o sentido de sua visita a Jesus em Belém.

Cada católico ao montar o seu presépio coloca três figuras em vestes régias, carregando preciosos tesouros, ajoelhadas diante do Menino Deus na manjedoura.
Os Três Reis Magos são parte essencial do mistério do Natal. Mas quem foram, verdadeiramente, estes personagens? E em que momento da infância de Jesus ocorreu esta visita?
Sua história, contada pelo Evangelho e interpretada pela santa Tradição da Igreja, é uma poderosa lição sobre a busca pela Verdade e a universalidade da salvação trazida por Jesus Cristo.
A Verdadeira Identidade: Sábios do Oriente
A Sagrada Escritura, no Evangelho de São Mateus, chama-lhes “magos” e “sábios do Oriente” (Mt 2,1).
Não eram, portanto, reis no sentido político estrito, mas sim homens sábios, estudiosos, muito provavelmente astrólogos e conselheiros de cortes orientais, possivelmente da Pérsia e Arábia.
Nestas culturas, tais homens ocupavam lugares de grande respeito, interpretando os sinais dos céus e orientando decisões importantes da vida pública e religiosa.
Contudo, a Tradição católica, iluminada por passagens do Antigo Testamento, passou a considerá-los como reis:
“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons” (Sl 71[72],10).
Esta interpretação não contradiz, antes cumpre e aprofunda a narrativa: a realeza de Jesus é reconhecida pelos representantes das nações gentias.
São Beda, o Venerável, no seu comentário ao Evangelho de São Mateus, atribuiu-lhes nomes e terras: Melchior (ou Belchior), ancião da Pérsia; Gaspar, jovem da Índia; e Baltazar, rei da Arábia.
Eles personificam toda a humanidade conhecida que vem adorar o Salvador do Mundo: Jesus Cristo.
Guiados por uma Estrela
Sua jornada começou com um sinal divino: uma estrela miraculosa. Movidos por uma graça interior que os impulsionava a decifrar aquele sinal, os santos Magos organizaram uma caravana.
Abandonaram a segurança de suas terras, lançando-se numa viagem incerta e perigosa, através de desertos e montanhas.
E então, a estrela os conduziu primeiramente à cidade do poder temporal, Jerusalém, e à presença do rei Herodes.
Ao perguntar com inocência: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” (Mt 2,2), tornam público o sinal que haviam recebido e despertam a inquietação profunda no coração do tirano.
Herodes, fingindo devoção, consulta os sumos sacerdotes e os escribas, que citam a profecia de Miqueias sobre o nascimento do Messias em Belém.
A partir desse encontro, a vida do Menino Jesus está ameaçada, mas os Magos, ainda ignorantes das verdadeiras intenções de Herodes, partem guiados novamente pela estrela, que agora os leva com alegria ao verdadeiro destino.
Os Presentes Proféticos: Ouro, Incenso e Mirra
E eis que a estrela para “sobre o lugar onde estava o menino” (Mt 2,9). O Evangelho é claro: eles entraram na casa e viram o menino com Maria, sua Mãe (Mt 2,11).
Este detalhe é precioso. A visita não ocorreu na noite do Natal, na gruta, mas algum tempo depois, quando a Sagrada Família já se encontrava estabelecida numa casa em Belém.
Em seguida, ofereceram os dons que a Tradição sempre leu como profecias claras sobre a missão de Nosso Senhor:
- O ouro para o “Rei dos Judeus”, reconhecendo sua soberania sobre o povo eleito.
- O incenso para o Deus verdadeiro, honrando sua divindade.
- A mirra para o Homem que morreria pela salvação do mundo, prefigurando sua Paixão.
Cada um dos presentes era um ato de fé e um reconhecimento público da identidade do Menino Jesus como Rei, Deus e Salvador da Humanidade.
Essa mesma confiança continua a ser vivida hoje por fiéis que confiam suas intenções à intercessão de São Pio de Pietrelcina, como acontece no grupo Filhos Protegidos do Padre Pio.
Tempo e circunstâncias de sua visita
Em que momento, afinal, ocorreu esta visita? A Sagrada Escritura e os Santos Padres nos dão indícios preciosos.
A cruel ordem de Herodes: mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo que haviam apurado junto aos Magos (Mt 2,16).
Isso indica que a visita ocorreu após a Apresentação do Menino Jesus no Templo, que ocorreu quarenta dias depois do seu nascimento.
Mas não aconteceu imediatamente após esse evento, pois, do contrário, a ordem de Herodes não abrangeria crianças com até dois anos de idade.
Alguns Padres, como Santo Epifânio, concluem que a estrela poderia ter aparecido até dois anos antes.
Somando-se o longo tempo de viagem e preparo, deduz-se que os Magos chegaram para adorar o Menino Jesus cerca de um ano ou pouco mais após o Seu Nascimento.
Seguir um Novo Caminho
Avisados em sonho – forma clara pela qual a Divina Providência age – para não voltarem a Herodes, os Magos regressaram à sua terra por outro caminho (Mt 2,12).
A Tradição da Igreja sempre viu nesse gesto mais do que uma precaução prática: trata-se do sinal de que o encontro com Nosso Senhor altera o rumo da própria história.
Assim, a visita dos Magos não se reduz a um episódio pitoresco do Natal, mas revela o alcance universal da Encarnação.
Nela se manifesta que Nosso Senhor Jesus Cristo não pertence a um povo apenas, mas se oferece como luz às nações, inaugurando uma história de salvação que ultrapassa fronteiras, culturas e épocas.
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Uma resposta
Muito bom esse conteudo