Uma fotografia guardada no convento, cartas enviadas a dois sacerdotes e uma vida oferecida em oração ajudam a compreender esse título.

A missão vista de dentro do Carmelo
Em julho de 1896, Santa Teresinha escreveu ao padre Adolfo Roulland sobre um privilégio recebido de sua superiora: poderia guardar a fotografia dele.
Uma carmelita normalmente não conservava nem mesmo retratos dos parentes mais próximos. Para Teresinha, a imagem daquele sacerdote seria uma lembrança do irmão espiritual que se preparava para partir em missão.
Ela jamais viajaria com Roulland. Sua vida seguiria no Carmelo de Lisieux, onde morreu aos 24 anos. Anos depois, a Igreja lhe daria um título que parece surpreendente à primeira vista: Padroeira das Missões.
A fotografia é uma primeira pista para entender o motivo. Teresinha guardava o retrato porque se importava com a pessoa retratada. Queria acompanhá-la com suas cartas, suas orações e o oferecimento de sua própria vida.
O desejo de fazer Jesus Cristo conhecido
Teresinha desejava que o Evangelho chegasse a pessoas que ainda não conheciam Jesus Cristo. Em seus escritos, expressou até o desejo de ser missionária em diferentes lugares do mundo.
Ao mesmo tempo, sabia qual era sua vocação e procurava vivê-la fielmente no Carmelo. A oração pelas missões fazia parte dessa vocação. Durante o dia, havia o ofício religioso, os trabalhos e a convivência com as outras irmãs.
Teresinha oferecia a Deus também o que lhe custava: o cansaço, as incompreensões e, mais tarde, os sofrimentos causados pela doença. Pedia que essa entrega ajudasse aqueles que anunciavam o Evangelho.
Por algum tempo, esse desejo permaneceu como uma intenção geral: rezar pelos sacerdotes e pela salvação das almas. Depois, ganhou os nomes de dois homens cujas preocupações ela passaria a conhecer.
Dois sacerdotes se tornaram seus irmãos
A superiora confiou a Teresinha o acompanhamento espiritual de Maurício Bellière e Adolfo Roulland.
O primeiro se preparava para o sacerdócio e para a missão na África; o segundo partiu para a China. Ela passou a chamá-los de irmãos espirituais e a corresponder-se com ambos.
Com Bellière, sua atenção se voltava especialmente à vocação sacerdotal que nele amadurecia. Teresinha compôs uma oração por ele e oferecia por essa intenção as orações e os sacrifícios de que dispunha.
Com Roulland, a correspondência acompanhou a partida e as primeiras dificuldades do ministério. Teresinha desejava saber de seu trabalho e rezava para que permanecesse fiel à vontade de Deus.
A fotografia que pôde conservar era um sinal discreto dessa proximidade: ao vê-la, lembrava-se do irmão e da missão confiada a ele.
Em fevereiro de 1897, já muito doente, Teresinha pediu a Bellière que lhe escrevesse as datas importantes de sua vida.
Queria unir-se a ele de maneira especial para agradecer a Deus pelas graças que havia recebido. Sua oração levava em conta a história daquele sacerdote, suas necessidades e o futuro que o esperava.
Na mesma carta, falou sobre a proximidade da morte. Prometeu continuar sendo sua irmã e acompanhando-o espiritualmente.
O compromisso que havia assumido com aquele missionário era tão importante para ela que desejava conservá-lo também no Céu.
A oração que sustenta o apostolado
Dom Jean-Baptiste Chautard escreveu em A Alma de Todo Apostolado: “A ação, para ser fecunda, carece da contemplação.”
A obra é posterior à vida de Teresinha, mas a frase ajuda a compreender o que suas cartas mostram na prática. Os sacerdotes precisavam estudar, partir, ensinar e enfrentar as dificuldades de seu trabalho. Teresinha rezava por sua fidelidade e pedia graças para as pessoas a quem serviriam.
Seu vínculo com eles nascia do amor por Jesus Cristo e do desejo de que outros O amassem. Ela mesma resumiu esse propósito ao escrever a Bellière que desejavam “amá-l’O e fazer com que seja amado”.
Por isso, as cartas ocupam um lugar tão importante nesta história. Elas mostram a quem Teresinha dirigia sua atenção e como levava a missão desses irmãos para sua vida de oração.
Por que a Igreja lhe deu esse título?
A vida de Santa Teresinha tornou visível uma participação nas missões realizada por meio da oração e do sacrifício.
Seu desejo missionário aparece nos escritos; sua dedicação a Bellière e Roulland pode ser acompanhada nas cartas.
Em 14 de dezembro de 1927, ela foi proclamada Padroeira das Missões, juntamente com São Francisco Xavier.
O título reconheceu a vida que Teresinha havia oferecido a Deus por aqueles que anunciavam o Evangelho.
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Fontes:
Arquivo do Carmelo de Lisieux, carta 193 a Adolfo Roulland.
Arquivo do Carmelo de Lisieux, carta 220 a Maurício Bellière.
Estudo sobre a correspondência de Teresinha com os dois missionários.
Documento sobre sua proclamação como Padroeira das Missões.
Dom Jean-Baptiste Chautard, A Alma de Todo Apostolado.




