Padre Pio:  Fatos extraordinários e o testemunho excepcional e comovente do Padre Jean Derobert

Segue abaixo o texto integral das legendas desse filme, com o depoimento do Pe. Derobert, em tradução livre, mas recomendamos que antes se assista ao filme.

*  *  *

 Padre Pio, então, meu querido Pai espiritual.

 Eu me lembrarei sempre daquela longínqua tarde de outubro de 1955, quando eu era estudante em Roma, e encontrei pela primeira vez o Padre Pio.

 Eu tinha sido levado por um Frade Capuchinho à tribuna da Capela que servia como Coro do Monastério. Eu tinha sido levado a esse Convento, passando pelo corredor das celas, e tomei lugar ao lado de um religioso que tossia, que fungava, que estava resfriado e que me irritava bastante.

E eu olhava esse frade ao meu lado, e eu me dizia: “Que coisa curiosa, eu conheço essa cara, eu já vi essa fisionomia em algum lugar”. Até o momento em que ele passou a mão na cabeça, num gesto que lhe era familiar e a mão estava coberta com uma luva.

 Era o Padre Pio!

 Eu devo confessar que estava apreensivo por encontrar-me com ele, por causa de tudo que tinha ouvido falar sobre ele, a maneira como ele lia as consciências, a maneira como adivinhava as coisas, as bilocações, toda espécie de coisas, e sua estigmatização. Isso me impressionava muito, eu era um jovem seminarista do Seminário Francês de Roma.

Mas eu fui atraído em seguida pela expressão estranha de seu rosto atraído por algo ao longe que só ele via. E eu surpreendi o Padre Pio rezando: eu entendi então o significado de palavras como recolhimento, como concentração do espírito, como olhar de amor à Deus. De tempos em tempos seus olhos se elevavam em direção ao Crucifixo que dominava a balaustrada desta tribuna, o Crucifixo que havia sido testemunha, ou mesmo autor de sua estigmatização naquele longínquo 23 de setembro 1918. Mas naquele momento eu ainda não sabia disso. Seus olhares de amor pousavam sobre esse Crucifixo, e isso me impressionava muito.

O Padre Pio, homem de oração, homem da Missa, essa Missa impressionante.

Eu relatarei daqui a pouco essa primeira Missa que eu o vi celebrar, mas eu devo confessar uma coisa: é que quando eu encontrei o Padre Pio pela primeira vez, eu estava ansioso, com medo, eu sentia em mim uma certa repulsa, uma certa raiva, que o demônio desencadeava. Eu publiquei mesmo esse encontro em um pequeno livro que se chama “Padre Pio Testemunha de Deus”, nas edições (?) e distribuído por (?).

E eu o vi depois quando desceu no corredor que separava a igreja do convento. Tinha muita gente ali, e eu me vi no meio daquela gente de joelhos, rezando em voz alta. Foi quando eu vi o Padre Pio, sair da sacristia rodeado por quatro frades capuchinhos que lhe serviam de guarda costas. Um deles era o que tinha me levado lá em cima na tribuna.

Eu fiquei espantado: porque essa segurança?

Mas eu entendi a necessidade desse cuidado pois as pessoas caiam em cima dele. Então os frades capuchinhos, com muita segurança, (nós estávamos na Itália do sul, nada espanta) afastavam com certo vigor aquelas pessoas para liberar o Padre Pio. E todas aquelas pessoas estavam de joelhos. E eu, seminarista francês, orgulhoso como todos os franceses, cartesiano se quiserem, eu me dizia: “Padre Pio pode ser um santo, mas não é o bom Deus. Fico de pé e vamos ver o que acontece”.

O Padre Pio então me olhava por cima das cabeças, e eu devo confessar que não me sentia muito bem. Até o momento em que finalmente o frade Capuchinho que servia de guarda costas me mostra ao Padre Pio e lhe diz: “Padre, é um padre francês que quis vir vê-lo”.

E o Padre Pio, sem me olhar, disse: “Não, padre não, seminarista apenas”!

Foi para mim um ‘clik’, e eu disse à mim mesmo: “Sejamos prudentes e ajoelhemo-nos”. E eu me ajoelhei.  E foi como se ele houvesse esperado esse momento. Ele veio até mim, tomou minha cabeça entre as suas mãos, me apertou contra seu coração e eu senti esse perfume. Eu não sabia que era seu sangue, e veja meu estado de espírito nesse momento, eu me disse à mim mesmo: “E agora ainda mais esse perfume! Ainda mais isto”!

Ele me impôs as mãos, e eu senti como que um choque elétrico, algo de fantástico, de fenomenal, que eu nunca tinha sentido. Eu não conhecia esse fenômeno. Muitas vezes depois eu o senti. Eu fiquei sabendo depois que era conforme as palavras do Evangelho, adaptadas à Jesus, “Uma força saía d’Ele que curava todos”.

Ele então tomou o meu rosto entre as suas mãos, me olhou nos olhos e me disse: “Oh, você fez uma longa viagem! Trinta e cinco horas”! Calculei depressa e vi que ele não tinha se enganado. Eu tinha mesmo viajado trinta e cinco horas no trem.

Eu devo confessar que eu não queria ir lá, o demônio não queria que eu fosse lá.

O inferno inteiro estava nesse trem. Lembrei-me que o trem estava super lotado. O meu compartimento estava vazio enquanto que o trem estava lotado, e as pessoas abriam a porta do meu compartimento, não me olhavam mas olhavam o banco da direita e da esquerda como se houvesse gente. E então ele me deu a explicação: o demônio estava ali porque não queria que eu fosse lá.

E então ele me disse: ”Ouça, amanhã eu te espero às 9 horas, eu tenho muita coisa para te dizer”.

No dia seguinte, às cinco horas da manhã, quinze para as cinco, eu subi para a igreja do Convento. Tinha ali gente que se amontoava na porta, que recitava o terço numa velocidade vertiginosa, até o momento em que, às quinze para as cinco, ouviu-se um barulho de chaves, a porta da capela abriu-se com força, e aquelas pessoas entraram como loucas para dentro.

Eu estava espantado, desagradado, até mesmo escandalizado. Eu nunca tinha visto gente entrar daquele jeito numa igreja; e quando eu entrei depois, eu vi que toda aquela gente estava junto de um pequeno altar lateral, pois era ali que o Padre Pio devia celebrar a Missa.

Eles tinham conquistado arduamente os lugares em volta da mesa de comunhão, amontoados ali, e as fisionomias estavam estáticas. E o Padre Pio veio então finalmente celebrar essa Eucaristia, de uma forma absolutamente extraordinária.

Ela durou duas horas, com fenômenos fantásticos: ele falava com Alguém que estava sobre o altar.

Eu tinha finalmente conseguido chegar perto, pois quando a gente é estudante em Roma a tem o hábito de estar no meio da multidão e a gente sabe como manobrar para avançar um pouco, eu consegui chegar à mais ou menos um metro e meio de onde ele estava, e eu o via muito bem falando com Alguém, Nosso Senhor que estava ali, afastando violentamente o demônio que queria impedir que ele consagrasse, com uma mão, as vezes com as duas mãos, empurrando. Era impressionante!

A gente ficava com a garganta apertada, é claro. E ele se inclinando profundamente na Consagração, em adoração diante de seu Deus que se tinha feito pão e vinho.

E depois no momento da Comunhão um fenômeno de luminosidade. Ele iluminava tudo!

À meu lado havia um eclesiástico, um Monsenhor que era secretário do Cardeal de Bolonha, com quem eu tinha conversado. Eu tinha dito à ele que se acontecesse alguma coisa de extraordinário nessa Missa, que ele me avisasse, pois eu tinha medo de me enganar ou me deixar levar.

Guardar a cabeça fria. São tantos os fenômenos extraordinários! “Eu quero conservar a cabeça fria”. Ele tinha me olhado meio de lado, como me dizendo: “Você ainda vai ficar muito espantado”! E era verdade!

Então chega o momento desse fenômeno de luminosidade. Ele iluminando tudo, de maneira que as lâmpadas ficavam pálidas…

Ele é que iluminava! E eu me perguntava: “Como é que eu vou fazer para exprimir isto a quem eu contar essa aventura”? E eu cheguei à uma conclusão: “O Padre Pio era uma lâmpada elétrica em forma de Padre Pio, que emitia luz”!

Suas roupas tinham ficado brancas. Eu estava emocionado, e eu via esse Monsenhor à meu lado com lágrimas nos olhos. E eu disse: “Monsenhor, o que está acontecendo aqui”!

E ele, emocionado me disse:

“Olhe bem, é o fenômeno de luminosidade que é próprio dos grandes místicos, isto é, que o espírito toma posse de tal modo da matéria que ela se torna translúcida e brilhante”.

E ele me disse: “Lembre-se que quando Jesus sobre o Tabor se transfigurou, foi exatamente isso que aconteceu”!

Padre Pio transfigurado!!

E no fim, eu tive a alegria, a graça de ajudar esse Monsenhor a retirar os paramentos sacerdotais do Padre Pio. Eu me lembro que eu ajudei a desfazer o nó da fita da sua alva. Eu tenho um pedaço dessa fita vermelha. O Padre Pio usava uma fita vermelha e paramentos vermelhos nas mangas, e quando ele tirou a alva eu disse: “Aí, eu vou ver os estigmas”! Mas justo antes de tirar as mangas ele colocou rapidamente as luvas.

Mas como se houvesse lido no meu coração esse desejo que eu tinha, com um grande sorriso, ele lançou sua mão nos meus lábios. Foi um choque forte, e eu percebi que havia sangue ali. Eu limpei meus lábios, e vi que efetivamente havia sangue no meu lenço e que esse sangue era perfumado.

E esse perfume que eu sentia desde a véspera, desde que eu tinha chegado, era seu sangue. Era seu sangue que era perfumado!

Esse sangue que eu tenho aqui algumas manchas, assim como pedaços dos curativos da chaga do lado, impregnadas de sangue.

E ele me disse então que falaria comigo pouco depois.

Uma hora depois ele deu a Comunhão às pessoas que estavam ali, pois ele não tinha dado a Comunhão durante a Missa. Eu comunguei então de suas mãos. E depois de algum tempo ele desceu para o confessionário.

Eu senti então a necessidade de me confessar.

Ora, eu havia lido em agosto um artigo sobre ele, que dizia que era preciso as vezes esperar três semanas com uma senha. E eu tinha dito à minha querida Mamãe, minha Mãe que está ali nessa moldura: “Mamãe, veja, eu não posso ficar lá três semanas! Eu tenho que prestar exame em Roma”! E ela me disse, “Oh não, você vai chegar à noite, você vai ficar o dia seguinte e só vai partir no outro. Você vai ficar dois dias, é o suficiente”.

Eu senti necessidade de me confessar e eu não sabia que havia um jeito. Isto é, a cada cinco leigos na fila, colocavam um religioso, um seminarista, um padre, uma freira. Então o Padre Capuchinho que cuidava da segurança, contou um, dois, três, quatro, cinco. Me colocou em sexto lugar e depois, sete, oito, nove, dez, e o Monsenhor passou depois!

Então eu preparei minha confissão em italiano naturalmente. E entrei no confessionário, que estava no canto da sacristia fechado com cortinas brancas, um pouco escuro. Dentro havia um genuflexório, de mais ou menos um metro de largura, sobre o qual ele pousava seus pés. Ele estava sentado em uma cadeira com o cotovelo sobre o tampo, assim. E eu estava assim, ajoelhado ao lado de seus pés e no outro sentido, de maneira que as cabeças ficavam muito próximas.

E eu disse: “ Padre, eu sou francês”. “Bene, o que você fez? Quo fecit?” me disse em latim. Eu disse que entendia italiano e então me perguntou: “Cosa a fato”?  E eu: “O que eu fiz? Eu não sei”! O buraco negro ou então o branco da memória! Ele então pôs a mão no meu ombro e me disse: “Fato coragio! Tenha coragem, o que você fez”? E eu: “Padre, eu não sei, eu não me lembro mais”!

Duas ou três vezes assim e no fim eu já estava em pânico. E eu disse, “Padre, eu fiz tal e tal coisa”. Coisas que eu encontrei na minha cabeça. Ele disse. “É verdade, mas você esquece que isso já foi perdoado sexta feira passada”! E era verdade!

Aí eu me senti completamente desarmado, e então ele me disse: “Há dois anos teve isso, isso e mais aquilo”. E ele me mostrou que ações que eu pensava que eram anódinas tinham feito Nosso Senhor sofrer. E ele, mostrando que realmente estava unido à Jesus, mostrou-me que ele sofria em suas chagas. E que Jesus sofria por causa do que eu havia feito.

E ele me disse: “Nosso Senhor te perdoou, Nosso Senhor te chamou”!

Eu perguntei se tinha certeza. Eu não sabia naquele momento que o Padre Pio sabia muitas coisas, mesmo à meu respeito, que eu mesmo não sabia. Ele me disse que Nosso Senhor tinha me chamado. E eu perguntei: ”O senhor tem certeza”! Ele me olhou com um ar furioso e me disse: ”Ma te lo dico iiiiiiio“!!  Eu estou dizendo”!

E ele me disse essas palavras espantosas: ”Você será ordenado padre dia 30 de junho de 1962”.

E eu pensei: “Ele está louco”!

Nós estávamos em 1955, era o dia dos Santos Anjos da Guarda, 2 de outubro. Eu fiz as contas rapidamente e pensei: “É muito tempo! Não há nenhuma razão para isso”. Mas ele sabia, e eu não sabia, que o serviço militar se prolongaria. E que, como os de minha idade, eu fui para a guerra da Algéria e perdi três anos no Exército.

Meu ano de ordenação deveria ser 1962. Mas 30 de junho não tinha nada a ver: 29 de junho, sim, é a festa de São Pedro e São Paulo, mas 30 de junho?

Acontece que em 1962 a festa do Sagrado Coração de Jesus caiu no dia 29 de junho e a celebração de São Pedro e São Paulo passou para dia 30. E foi o dia da ordenação em Notre Dame de Paris, pelas mãos do Cardeal Feltrin dia 30 de junho de 1962! Quando eu encontrei o Padre Pio depois, ele me disse: “Oh, te l’avevo deto! Eu tinha dito”! E eu tive que concordar.

Logo depois naquela confissão, ele me perguntou se eu acreditava no meu Anjo da Guarda. Sempre com esse meu jeito cartesiano, eu disse à ele: “Padre, meu Anjo da Guarda… eu nunca o vi”! Então eu recebi o mais solene par de tapas na cara de minha existência: dois pares, quatro tapas! Batidos com o pulso, pois a palma da mão dele doía. Quatro vezes. Daí ele apontou com o dedo sobre o meu ombro direito, e me disse: “O teu Anjo da Guarda está aí atrás de você! Ele é grande, ele é belo”!

Eu me voltei e não vi nada, mas quando eu olhei de novo para ele, fiquei surpreso porque seu rosto inteiro estava iluminado por uma luz estranha e nas pupilas de seus olhos havia o reflexo do Anjo. E ele me disse: “Quando você quiser me dizer alguma coisa, envie-me o seu Anjo da Guarda”.

Quantas vezes eu utilizei esse modo de me corresponder com ele! Quantas vezes! Mesmo na minha vida sacerdotal quando eu tinha um problema…

Eu chamava o meu anjo de Serafim. Sabe, quando a gente tem que pedir alguma coisa para alguém a gente lhe dá algum título. Então eu chamava meu anjo Serafim, um anjo de primeira grandeza. Eu não sabia seu nome. Agora Ele me disse seu nome, mas é segredo. Mas então eu dizia: “Serafim, vai dizer ao Padre Pio, vai perguntar tal coisa ao Padre Pio”. Em fração de segundos a resposta vinha na minha cabeça. Quantas vezes isso aconteceu!

E uma pequena anedota que me espantou muito: um dia com a minha família, nós fomos lá, era o ano de 1966. Ele estava na tribuna, que dominava a nave esquerda da Basílica. Nós nos pusemos diante dele, e ele estava com terço, ele estava rezando o terço, fazendo esse movimento, para dizer que era preciso rezar o terço. Ele me tinha dito: “O terço é a corrente de amor que liga teu coração ao Coração de tua Mãe!” É muito bonito!

E eu estava embaixo, não podia subir até ele, a porta da sacristia estava fechada, eu não tinha acesso. E durante a Missa que se celebrava, ele assistia a Missa que era celebrada no altar mór rezando o terço, e eu dizia: “Serafim, vai dizer isto ao Padre Pio; Serafim vai dizer aquilo ao Padre Pio; ah, eu esqueci tal coisa, Serafim vai dizer mais isso”.

E quando no fim da Missa a porta da sacristia se abriu, eu subi lá em cima. Eu cheguei lá, ele me ouviu chegar, se voltou e disse: “Ah! É você! Cem vezes eu te ouvi em torno de mim, em frente, atrás, à direita à esquerda, cem vezes eu te escutei! Lassia me pregare! Deixe eu rezar”! Eu fiquei com tanto medo que me pus de joelhos ao lado dele me perguntando como aquilo tudo ia terminar, e finalmente ele me sorriu com um grande sorriso como ele me acolhia cada vez, colocou a mão sobre o meu ombro e disse: “Vai meu filho, eu te ouvi, eu te ouvi”.

Eu volto à primeira vez que eu o encontrei, e que eu me confessei.

Então pensei que tinha feito tudo que tinha que fazer: “Eu vim aqui, eu vi o Padre Pio, eu assisti sua Missa, eu comunguei com ele, eu me confessei, eu não tenho mais nada que fazer aqui. Há um ônibus que parte daqui uma hora para Foggia, eu vou tomá-lo, depois eu tomo o trem para Roma. Então eu vou esperar que o Padre Pio saia do confessionário dos homens e, antes que ele vá para a capela para confessar as senhoras, eu vou me recomendar às suas orações”.

Assim dito, assim feito.  Ele saiu, me olhou sorrindo e eu lhe disse: “Padre, eu me recomendo às suas orações pois eu tenho que partir para Roma para”… E então ele me interrompeu: “Ma, perché Roma? Por que Roma? Sua mãe disse para você ficar dois dias!  Você parte amanhã”! Bem, eu não tinha dito nada, mas ele sabia.

No dia seguinte eu me aproximei para despedir-me dele, e disse: “Padre eu me recomendo às suas orações, eu estou saindo para Roma agora”. Ele disse sim e me abraçou. Eu me pus de joelhos diante dele ele me impôs as mãos com vigor e eu senti esse choque elétrico que muitos hoje em dia conhecem.

Ele me abraçou e me disse: “Ouça: eu te tomo como filho espiritual prometo te assistir sempre e em todo lugar. Eu nunca te deixarei, eu te acompanharei sempre porque você é o filho de meu coração”.

Eu não sabia o que isso queria dizer…  Mas aquela bondade aquele sorriso extraordinário que me envolvia, aquele perfume que me invadiu, tudo me confortava. E eu posso atestar que, ainda hoje, eu nunca estou sozinho, ele está sempre junto de mim. Sempre!

Quando ele foi beatificado, dia 2 de maio 1998, e que a foto oficial, a que estava na fachada da Basílica de São Pedro foi descoberta, eu ouvi na Praça de São Pedro gente chorando, sobretudo aqueles que o tinham conhecido.

Eu tive a graça de distribuir a Comunhão com o Papa que estava também muito emocionado. E eu disse à ele: “ Vos ver a vós lá em cima, que coisa”!

Porque eu digo isso? Porque a última vez que eu falei com ele, um mês e meio antes de sua morte, ele me disse: “Meu filho reze para que eu conserve fé”. E eu disse: ”Padre, o que isso quer dizer? O que o senhor quer dizer com isso? Padre Pio, esse santo de primeira grandeza, que pede para eu rezar por ele para que ele conserve a fé”?

Eu entendi depois o que isso queria dizer: que quanto mais nos aproximamos de Deus, menos sentimos sua presença; quanto mais nos aproximamos do fogo mais nos queimamos. Ele estava cego pelo brilho da luz de Deus, é evidente. E finalmente naquele momento eu disse: “Mas Padre…” Eu o via sofrer. “Por que o senhor guarda para si esse sofrimento? Eu quereria ficar com a metade amanhã, se o senhor quiser, para aliviar o senhor” Ele então me olhou com um olhar amedrontado e diz: “Che? Meu cretino! Isso não se faz! Por que você diz isso? O que diz Nosso Senhor”? Ele fechou os olhos e um momento, depois reabriu e disse: “Nosso Senhor aceita”.  E eu pensei: “Que bobagem eu fiz”!

No dia seguinte houve uma transferência total de sua Missa à minha. Duas horas com tudo o que ele revivia. E eu compreendi ali, na minha própria carne, que o sacerdote no altar não está no lugar de Jesus, ele é Jesus Cristo verdadeiramente. Nosso Senhor toma posse totalmente do padre que celebra a Eucaristia. Nosso Senhor renova, continua mais bem, através dele, através do padre, pelos seus membros, pelas suas mãos, pelos seus lábios, Seu sacrifício da Cruz, quinta-feira santa e sexta-feira santa.  

Se os padres soubessem isso, se os padres tivessem consciência disso, eu acho que o mundo inteiro estaria convertido.

Porque não se pode, quando se conheceu o Padre Pio, quando se viu ele celebrar essa Missa, quando ele concedia essa graça de celebrar como ele, não se pode deixar de tocar a fundo o coração dos assistentes, que não são apenas assistentes, mas participantes.

É mesmo impressionante!

E agora eu queria vos dizer, irmãos e irmãs, o porquê. Porque todo esse sofrimento?

Há gente que diz: “Mas porque tanto sofrimento? Como explicar que o Padre Pio foi estigmatizado? Porque essas chagas nas mãos, nos pés, no lado? Porque a crucificação? E depois esse problema: porque a crucificação de Jesus”?

E é isso que eu preciso explicar agora, porque é a única maneira de compreenderem o mistério Padre Pio. Que toda a vida do Padre Pio não é senão uma participação, isto é, tomar como sua uma parte da Paixão de Jesus para ajuda-Lo a carregar Sua cruz.

Se não se compreende isso, não se compreende o Padre Pio.

E fica-se como tantas e tantas pessoas na superfície desse homem extraordinário. Desse homem solar como esses que, de tempos em tempos, Nosso Senhor envia sobre a terra para lembrar ao mundo, chamar o mundo para perto de Deus, chamar o mundo para voltar para perto de Deus, através da penitencia, do arrependimento, do perdão ou mesmo simplesmente através do amor.

É algo realmente extraordinário! O Padre Pio verdadeiramente vivia a Missa! Como eu expliquei à pouco, vivia o sacrifício da Cruz, quinta-feira santa, sexta-feira santa, duas partes de uma mesma ação.

Sangrando! Eu vi, quantas vezes!

Quantas vezes eu vi o Padre Pio ser crucificado durante a Missa! Eu vi com os meus próprios olhos pérolas de sangue que corriam de sua testa, de sua nuca, da coroação de espinhos. Eu vi o sangue correr dos estigmas, eu vi, coisa espantosa, eu vi isso uma só vez: por causa do sofrimento, a película que fechava a chaga da mão esquerda do Padre Pio se abriu e eu vi, através do orifício, a chama de uma vela. Eu o vi sangrar pelos pés, suas meias impregnadas de sangue perfumado, eu senti os eflúvios de perfume que saíam de suas chagas que me chegavam não somente em San Giovanni Rotondo, mas em todo lugar e que me chega ainda agora.

O sofrimento do Padre Pio, o sangue, era a participação do Padre Pio na Crucificação de Jesus, no mistério da Redenção. Não se pode compreender o Padre Pio se não se encontra através dele Jesus realizando uma vez mais, diante de nós, Seu sacrifício da cruz.

                                                         ***

 NA TELA: Foi a última Missa do Padre Pio.

                                                         ***

E eu me lembro que um dia…

Havia em San Giovanni Rotondo, havia uma velha senhora que ninguém sabia de onde tinha saído. Parece que ela seria francesa, mas de fato ninguém sabia, não dizia nada, ninguém sabia onde ela morava.

E eis que no mês de julho seguinte à sua morte, era julho de 1969, junto com meu pai e um amigo, Giovanni Siena, escritor, autor do livro que se chama “ O ar dos Anjos”, que era para mim como um irmão, nós nos encontrávamos no quarto do Padre Pio, rezando ali, sentindo aquele perfume. Eu estava de joelhos aos pés da cama do Padre Pio, e eu lhe disse: “Padre, mostre-me, dê-me um sinal que me acompanha sempre. Me dê alguma coisa que lhe pertence”.

E estava conosco o filho pequeno de Giovanni Siena, que tinha na época oito anos. E enquanto nós rezávamos ele rodava no quarto. Depois quando nós saímos, ele me tomou pelo braço e me disse: “Padre, enquanto vocês estavam rezando, eu dei a volta no quarto do Padre Pio, e eu vi, atrás da porta, o cachecol que o Padre Pio usava sempre em volta da cabeça. Havia uma franja na extremidade do cachecol, e eu tirei um fio da franja para dar para o senhor”. E ele me disse com um ar de candura: “Não é um pecado, não é”? E eu disse: “Não, para mim é a resposta do Padre Pio”. Um fio da franja de seu cachecol e depois um pedaço de seu hábito.

Que coisa extraordinária!

Ele tinha me pedido um dia, em 1966, para fundar em Paris um grupo de oração. E eu disse: “ Mas como é que eu vou fazer? Eu não conheço ninguém em Paris”. “Te aiutero! Eu te ajudo”!  E em meia hora, algumas pessoas vieram me procurar e eu encontrei o grupo de oração, a igreja e a data: a última sexta feira de cada mês.

Ora, o Padre Pio morreu dia 23 de setembro de 1968.

No dia 25 de outubro seguinte, portanto um mês depois, era a última sexta-feira do mês de outubro, e a primeira reunião do grupo de oração. E indo presidir essa reunião de oração, eu levava comigo um padre do colégio onde eu exercia meu ministério. E eu lhe dizia: “Veja Padre, hoje é dia 25 de outubro e além do mais é meu aniversário. E cada ano no meu aniversário, o Padre Pio me mandava um cartão impresso: “O Padre Pio reza pelas suas intenções e envia sua benção”. Era assinado pelo Padre Superior mas muitas vezes, praticamente sempre, havia uma ou duas linhas de alguma mensagem que ele tinha ditado para mim. E eu dizia a esse padre: “Veja, esse ano eu não vou receber minha cartinha” E o padre me disse: “Oh, não tenha medo, porque ele te acompanha e te acompanhará sempre. Ele te protegerá e te abençoará talvez especialmente”.

Quando chegamos à essa capela onde nós íamos para rezar, eis que eu fui abordado por um senhor muito bem vestido, com um forte sotaque italiano, que me disse: “O senhor é o Padre Derobert”? Eu disse que sim. “O Padre Pio antes de morrer me chamou e me pediu para lhe entregar isto”. Um pequeno envelope. Eu disse: “O que é”? Ele respondeu: “Eu não sei”. Então eu abri o envelope com muito cuidado e o que havia dentro? Havia isto: um curativo da chaga do coração impregnado de seu sangue. O sangue está desde aqui (mostra) até aqui, talvez o veja na sua tela, isto tudo é sangue, aqui (do outro lado) não há. E perfumou de uma maneira extraordinária. Essa relíquia eu emprestei a vários doentes, ela curou alguns.

É algo de impressionante, compreendem?

Eu tenho aqui um sangüíneo que me deu um Padre Capuchinho que cuidava da sacristia. O sangüíneo é o pano que o celebrante coloca sobre o cálice. O Padre Pio celebrou a Missa durante sete anos com ele. E quantas vezes ele foi impregnado de seu sangue? Aí também as vezes sente-se o perfume.

E eu tenho aqui uma medalha que ele levava sempre no seu hábito. Uma Medalha Milagrosa que foi encontrada no seu hábito quando ele morreu.

Veja, o que se pode ainda dizer sobre o Padre Pio, é de fato seu amor pelo Rosário. Contam-se histórias fenomenais à respeito do rosário.

O Padre Pio rezava o tempo todo.

Ele dizia um dia que desejava que o dia tivesse quarenta horas. Porque ele dizia que não tinha tempo suficiente para rezar. Ele rezava jaculatórias e sobretudo ele rezava o terço. Ele era na verdade um devorador de terços.

Um dia seu Superior lhe perguntou quantos terços ele tinha rezado naquele dia. E o Padre Pio disse: “Bah! Eu não posso mentir para o meu Superior eu sempre digo a verdade: eu rezei trinta e quatro”!

Você é capaz de rezar trinta e quatro terços em um dia? Padre Pio fazia isso.

Ele repetia muitas vezes: “Ame Nossa Senhora, faça com que A amem muito”! Ele rezava sem parar para a Virgem Maria.

Então: Padre Pio homem do sofrimento, Padre Pio homem de oração, Padre Pio homem do perdão.

Dezoito horas de confessionário por dia na época que era mais ativo! Quantas vezes eu vi as pessoas, primeiro, serem expulsas do confessionário: quando ele via que a pessoa que estava no confessionário, fosse um homem a seu lado ou uma senhora no confessionário, que não estava preparada ele mandava embora: “Vai! Vai preparar a sua confissão”!

E algumas vezes essas pessoas ficavam dias ou semanas no lugar. Mas eles sabiam bem que, cedo ou tarde, eles não partiriam sem receber o perdão daquele homem de Deus. E quando ele julgava que o perdão podia ser aceito, que a alma estava pronta, a alma estava arrependida desse pecado, percebia a que ponto seu pecado havia ofendido o coração de Jesus, então ele dava a absolvição. Ele saia do confessionário, ele abraçava chorando esse filho pródigo, e depois via-se essa pessoa, homem ou mulher, sair da capela subir no banco que circundava uma árvore que havia ali, e recomeçar sua confissão diante de todo mundo: “eu fiz isso eu fiz aquilo, eu era um bandido, eu matei, eu roubei, eu fiz tal e tal coisa”. E as pessoas em volta, naquela simplicidade dos italianos do sul que diziam “ ma che borsaiolo (?), que ladrão”!

Era algo extraordinário! A explosão de alegria dessa gente enfim perdoada.

E eu isso me fazia pensar em uma coisa: quando nós nos confessamos será que nós nos arrependemos de nossas faltas? Será que temos consciência que o Coração de Nosso Senhor sangrou por causa de nosso pecado? Quantas vezes como confessor eu recebo, na Páscoa, no Natal ou nas grandes festas, as pessoas que confessam por hábito. A gente tenta nesse momento inculcar, acordar neles esse sentimento de arrependimento. Às vezes a gente não consegue e tem vontade de dizer: ”Senhor, preparai esse coração para que se possa dar a absolvição”; e ela não é recebida porque não é esperada.

Homem de perdão, Padre Pio! Homem da Missa! Homem da Missa.

Mas homem de sofrimento, homem da Missa! Homem de oferecimento durante essa Eucaristia.

E então eu poderia concluir se quiserem, o Padre Pio é um homem de Deus!

Homem de Deus que reza, e que nos deixa essa mensagem: “Sejam também almas de oração! Rezem, unidos a vossos irmãos dos grupos de oração.’Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome, eu estarei no meio deles”.

O Padre Pio é o homem de Deus que sofre e que nos deixa essa mensagem: “Aceite e viva o cristianismo autentico e integral, isto é, o cristianismo com a cruz! Com a cruz”!

O Padre Pio é o homem que absolve e que perdoa e que nos deixa essa mensagem: “Com a confissão frequente viva e cresça na graça santificante”.

O Padre Pio é o homem de Deus que se oferece e que nos deixa essa mensagem: “Na Missa, ofereça Jesus crucificado e ofereça-se a si mesmo com Ele”.

É isso que o Padre Pio veio nos dizer da parte de Deus.

Que as palavras que eu vos disse nessa gravação, ou em tudo que possam ler…

Eu desejaria que possam ler esse livro que é sua vida contada através de suas cartas. É a evolução de sua alma. É um livro em que não se pode passear. Lê-se da primeira até a última página para ver a evolução dessa alma. Quando eu ofereci esse livro ao Santo Padre, a foto inclusive está aqui, quando eu mostrei esse livro ao Papa, quando ele viu essa foto ele achou graça e me disse uma coisa espantosa.

Eis a foto do Papa em 1987.

Ele me disse: “Você fez um trabalho colossal, eu li esse livro com a caneta na mão e eu o conservo sobre minha escrivaninha”.

Estão aí 850 cartas que foram traduzidas e inseridas no texto. É o Padre Pio que reza, que fala em cada página…

Eu desejo, irmãos e irmãs, que compreendam isso.

Eu falava agora pouco daquela velha senhora em San Giovanni Rotondo, que ficava rodando por lá sem parar.

Alguns meses depois da morte do Padre Pio eu estava em San Giovanni Rotondo e ela veio me procurar. Ela me encontrou e disse assim: ”Oh, lo sai tu qui era Padre Pio? Você sabe quem era Padre Pio”? E eu disse: “Sim, era Jesus”. “Ai ragione. Tem razão, era Jesus que voltou na pessoa do Padre Pio. Porque, se Ele tivesse voltado em sua personalidade anterior os sacerdotes seriam os primeiros que O teriam crucificado de novo”.

Eu não acho que isso seja mentira.

Padre Pio, vocês podem compreender, era para mim um Pai espiritual a quem eu queria muito. Por quê? Eu posso testemunhar que ele me acompanha sempre, que ele me ajuda em meu ministério e que ele me ajudou a compreender que o sacrifício da cruz deve ser a base de toda vida sacerdotal.

Ele me disse um dia: “No centro de tua vida meu filho, deve haver, como para mim, um altar e um confessionário”.

                                                           *  *  *

NA TELA: Agradecimentos ao Padre Derobert. Com autorização do Padre Hans Buschor.

Padre Jean Derobert com o Padre Pio
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7 Comentarios

  • A paz meus irmãos em Cristo Jesus, e filhos de Padre Pio, se possível, desejo o contato e. Mail do Padre Jean Derobert, gratidão se me informarem, queria muito escrever para ele. Obrigada Solange Maria

    • Da. Solange Maria Barbosa de Souza, segundo apuramos na Europa, o Pe. Jean Derobert já foi para junto de seu amado Padre Pio. Ele teria falecido recentemente. Portanto, a senhora tem mais um intercessor no céu.

  • Emocionante…abençoadas as pessoas que tiveram oportunidade de conhecer e conviver com esse Santo…que possamos continuar recebendo suas bênçãos e proteção lá do Céu🙏😇

    • Bom dia, Sr. David
      Tudo bem?

      Primeiramente, agradecemos o seu contato e ficamos muito contentes que você deseje ser um filho espiritual do Santo Padre Pio.

      Os Filhos Espirituais do Padre Pio eram escolhidos pelo próprio Padre Pio, por isso só existiram enquanto ele vivia. No entanto, você pode fazer parte do grupo Filhos Protegidos do Padre Pio, criado especialmente para reunir todos os devotos do Padre Pio que gostariam de ser também um dos seus filhos espirituais.

      Para se inscrever no grupo Filhos Protegidos do Padre Pio é fácil. Acesse o link abaixo e siga as orientações:
      https://reginafidei.com.br/protegidosdopadrepio/?origem=7317#inscreva_se

      Lembramos que ao participar do grupo, você poderá:

      – Ter seu próprio acesso à Capelinha virtual do Padre Pio para fazer seus pedidos na missa;
      – Ganhar uma belíssima estampa benta de São Pio;
      – Conhecer sua história por meio do livro digital “Padre Pio e as Chagas de Amor”;
      – Enviar seu nome ao Sagrado Santuário do Padre Pio, na Itália, e muito mais.

      Que São Pio de Pietrelcina abençoe sempre você e seus familiares.

      Atenciosamente,
      Associação Regina Fidei

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