Da Bíblia à vida dos santos, conheça a missão dos Anjos da Guarda e seu lugar em nossa oração.

Antes de uma viagem, diante de uma escolha difícil ou em uma hora de aflição, muitos católicos recorrem ao Anjo da Guarda. Essa confiança tem raízes na fé da Igreja e acompanhou santos de diferentes épocas. Mas quem são os anjos a quem pedimos auxílio?
Sobre a natureza dos Anjos
Os anjos são criaturas feitas por Deus. Têm inteligência e vontade, mas não possuem um corpo como o nosso. Por isso, a Igreja os chama de espíritos.
A palavra «anjo» indica sobretudo a missão que recebem: servir a Deus e cumprir suas ordens.
As asas com que aparecem nas imagens religiosas ajudam a representar a prontidão para cumprir essa missão. Não devemos confundir a imagem com a natureza do anjo: por ser espiritual, ele não precisa de asas para se deslocar.
O Catecismo ensina ainda que Jesus Cristo é o centro do mundo angélico. Os anjos foram criados por Ele e para Ele. Essa é a medida de toda devoção católica aos anjos: eles nos ajudam a voltar-nos para Nosso Senhor.
Onde os anjos aparecem na Sagrada Escritura?
Os anjos estão presentes em momentos muito diferentes da história da salvação. No livro de Tobias, Rafael acompanha o jovem Tobias numa viagem.
Só ao final revela quem é. Até então, sua ajuda apareceu em ações concretas: acompanhou o rapaz pelo caminho e o orientou em acontecimentos decisivos para sua família.
A narrativa permite reconhecer tanto a proteção quanto a condução que Deus oferece por meio de seus mensageiros (Tb 5–12).
No Evangelho, o Arcanjo Gabriel anuncia a Maria que ela será a Mãe de Jesus (Lc 1,26–38).
Outros anjos anunciam aos pastores o nascimento do Salvador e às mulheres, junto ao sepulcro, a sua Ressurreição (Lc 2,8–14; Mt 28,1–7).
Há ainda uma palavra de Jesus especialmente ligada aos Anjos da Guarda. Ao ensinar que nenhum dos pequeninos deve ser desprezado, Nosso Senhor fala dos «seus anjos nos céus», que contemplam a face do Pai (Mt 18,10).
Essas narrativas apresentam missões distintas. Nem todo anjo mencionado na Bíblia é identificado como o Anjo da Guarda de uma pessoa.
untas, porém, elas mostram que os anjos adoram a Deus e servem aos seus desígnios em favor dos homens.
Por que pedir o auxílio dos Anjos da Guarda?
O Catecismo afirma que a vida humana, desde seu começo até a morte, é acompanhada pela guarda e pela intercessão dos anjos (n. 336).
Pedir auxílio ao Anjo da Guarda é acolher com gratidão uma ajuda que vem da Providência. É natural rezar por proteção em uma viagem, durante uma enfermidade ou diante de um perigo.
Mas existe outra necessidade, às vezes menos visível. Podemos conhecer o bem e, ainda assim, deixar-nos levar pela pressa, pelo medo ou pela tentação.
Santo Tomás de Aquino, ao tratar da guarda angélica, explica que os anjos nos auxiliam também na orientação para o bem.
Diante de uma ofensa, por exemplo, é possível pedir ajuda para conter uma resposta injusta e encontrar palavras honestas e caridosas.
Antes de uma escolha difícil, pode-se pedir auxílio para reconhecer e cumprir o próprio dever. Quem caiu em pecado pode pedir auxílio para reconhecer a falta e buscar a reconciliação. A guarda angélica diz respeito ao caminho que conduz a Deus.
Como recorrer a eles no dia a dia?
Não é preciso esperar uma ocasião extraordinária. A oração tradicional “Santo Anjo do Senhor” pode ser rezada pela manhã, ao começar as tarefas, e à noite, ao confiar a Deus o descanso da família.
Também cabem pedidos breves, feitos com as próprias palavras: “Santo Anjo da Guarda, ajudai-me a agir com paciência”; “guardai meus filhos neste caminho”; “ajudai-me a reconhecer o que devo fazer”.
Quando recebemos um auxílio, podemos agradecer a Deus pelo cuidado dispensado por meio de seus anjos.
Essa devoção cresce junto com a vida cristã. O auxílio dos anjos nos anima a rezar, a procurar os sacramentos, a tratar com caridade o próximo e a perseverar nas dificuldades.
Por isso, não precisamos procurar sinais extraordinários: podemos pedir sua proteção e continuar fazendo o bem.
A Igreja também nos orienta a evitar atribuir nomes particulares aos anjos, além daqueles revelados na Sagrada Escritura, ou interpretar cada acontecimento cotidiano como uma intervenção extraordinária.
Os Anjos da Guarda na vida dos santos
Santa Gertrudes de Helfta, no século XIII, preparava-se para comungar e deu graças a Deus pelo cuidado dos anjos.
Em uma visão narrada em seus escritos, reconheceu seu Anjo da Guarda junto de si, apresentando sua devoção a Deus. O episódio mostra para onde esse auxílio a conduzia: a Nosso Senhor. Santa Francisca Romana, no século XV, cuidava dos pobres e dos doentes em Roma.
Segundo a tradição, quando caminhava pela cidade à noite, a luz de seu Anjo da Guarda iluminava o caminho. Essa proteção a acompanhava enquanto servia aos necessitados.
Santa Catarina Labouré contou que, na noite de 18 de julho de 1830, um menino vestido de branco a despertou e a conduziu à capela, onde ela viu Nossa Senhora.
Ao voltar, escreveu que acreditava ser aquele menino seu Anjo da Guarda, a quem havia pedido ajuda em oração.
Mais tarde, Padre Pio escreveu que invocou seu Anjo da Guarda durante uma aflição. Como lhe pareceu que o anjo demorara a vir, chegou a repreendê-lo.
Segundo sua carta, ouviu dele que permanecia sempre ao seu lado. Ao terminar, perguntou-se se saberia agradecer ao seu «anjinho» por tanta bondade.
No dia 2 de outubro, memória dos Santos Anjos da Guarda, podemos fazer desse agradecimento uma oração: dar graças a Deus por seu cuidado e pedir auxílio para permanecer fiéis a Nosso Senhor.
A devoção de Padre Pio ao seu Anjo da Guarda é mais um aspecto de sua profunda vida espiritual que merece ser conhecido.
A Associação Regina Fidei trabalha para divulgar sua vida, seus ensinamentos e seu exemplo de santidade, levando-os a um número cada vez maior de pessoas.
Uma contribuição regular aos Filhos Protegidos do Padre Pio ajuda a sustentar esse apostolado.
TORNE-SE FILHO PROTEGIDO DO PADRE PIO
Fontes:
Catecismo da Igreja Católica, nn. 328–336.
Sagrada Escritura: Tobias 5–12; Lucas 1,26–38 e 2,8–14; Mateus 18,10 e 28,1–7.
Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I, q. 113.
Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia, nn. 215–217.
Carta de Padre Pio ao padre Agostinho, de 5 de novembro de 1912.
Santa Gertrudes de Helfta, Arauto do Amor Divino, livro IV, cap. 54.
L’Osservatore Romano, «Santa Francisca Romana», reproduzido pela EWTN.
Santa Catarina Labouré, relato de 1857 sobre a noite de 18 de julho de 1830, publicado pelos Vicentinos.




