O Trovão que Dobra o Orgulho

O sertão molhado de Araripina nos ensina: só quem conhece a sede sabe o valor de cair de joelhos.

O céu desaba em Araripina. Não é uma garoa tímida de cidade grande, mas o peso da água que lava a poeira de meses de espera.

No meio do asfalto que fumega com o choque térmico, uma mulher interrompe o passo.

Ela não abre o guarda-chuva para se proteger do “incômodo”. Ela larga o peso das sacolas e entrega o próprio corpo ao chão. De joelhos, os braços erguidos, ela se torna o monumento mais alto daquela praça, mesmo estando no nível do meio-fio.

Enquanto o homem moderno corre da chuva para não estragar o penteado ou o celular, essa sertaneja corre para o abraço do Criador.

Ela entende o que nós, intoxicados por luzes artificiais, esquecemos: a vida é um empréstimo. Cada gota que bate no chão é um “sim” de Deus à nossa existência. A imagem fere nossa vaidade porque expõe nossa maior miséria: a incapacidade de agradecer pelo que consideramos “óbvio”.

O Fim da Autossuficiência

O homem que segura a enxada ao fundo da foto sabe que seu braço é forte, mas não faz cair um pingo d’água. No Sertão, a teologia é vivida na pele que racha e no olho que busca o horizonte.

Quando a chuva chega, ela não traz apenas alívio térmico, traz a confirmação de que Nosso Senhor Jesus Cristo não esqueceu dos Seus.

Nós, entrincheirados em apartamentos, achamos que o alimento vem do supermercado e a segurança vem do seguro bancário. Criamos a ilusão de que temos o controle. O joelho dessa mulher no chão é o estilhaçar dessa mentira.

Ela se humilha diante da Igreja Matriz porque sabe que a verdadeira grandeza começa onde o orgulho termina. Se você não consegue se ver naquela cena, sua alma está mais seca que o solo de Pernambuco.

A cena de Araripina é um choque de realidade. Ela nos pergunta: quando foi a última vez que você parou tudo para dizer “obrigado”? O pecado da ingratidão é o que torna a nossa vida pesada e sem sentido. Onde falta adoração, sobra ansiedade. Onde falta o joelho no chão, sobra o fardo nas costas.

Senhor, que eu nunca seja grande demais para me ajoelhar diante de Vossa misericórdia. Santíssima Virgem, ensinai-me a gratidão dos humildes.

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