Um ataque covarde contra a primeira matriz de Minas Gerais revela a frieza de um mundo que perdeu o sentido do sagrado.

O cheiro de madeira queimada se misturou ao ar pesado da tarde em Raposos.
Diante da imponente porta de madeira da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, as chamas subiam, lambendo o patrimônio que resistiu a séculos de orações.
Um homem, indiferente ao peso da eternidade ali guardada, alimentava o fogo. O estalar das brasas era o único som que rompia o silêncio atônito de quem passava.
Por que o ódio escolhe o que é belo?
A herança sob ataque
A igreja matriz não é apenas um prédio de pedra e cal. Ela é o marco zero da fé em Minas Gerais, um santuário tombado que guarda os suspiros de gerações que ali encontraram o batismo e o consolo.
Quando alguém lança fogo contra esse portal, não ataca apenas a arquitetura.
Ataca a memória de um povo e a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo que habita naquelas paredes.
O retrato do vazio interior
Imagine um jovem que caminha pelas ruas com o celular na mão, mas a alma no deserto. Ele olha para uma torre de igreja e não vê o céu; vê apenas um obstáculo ao seu egoísmo.
Foi assim com um conhecido meu, que vivia zombando das procissões, até que a doença bateu à sua porta e ele se viu sozinho, sem ter para onde olhar.
O vandalismo externo é sempre o reflexo de um incêndio que já devastou o coração por dentro.
A coragem dos que guardam a Fé
O fogo só não consumiu tudo porque moradores da região correram. Não esperaram por protocolos; agiram com o instinto de quem defende a própria casa.
Esse gesto mostra que, apesar da apostasia que avança como uma mancha de óleo, ainda existe uma centelha de amor à Santíssima Virgem que não se apaga.
Onde o ódio ateia fogo, a caridade cristã traz a água do zelo.
Não seremos a geração do silêncio
Não podemos olhar para as cinzas na porta da matriz e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Cada lasca de madeira queimada em Raposos é um grito de alerta para nós.
O mundo quer nos empurrar para uma neutralidade covarde, onde o sagrado é tratado como “antiguidade”.
Mas a verdade é que, sem Deus, a sociedade se torna uma sala fria e escura. A luz da fé precisa arder mais que qualquer incêndio criminoso.




