Uma nação inteira acaba de decidir que existem vidas que já não merecem ser vividas até o fim.

Na quarta-feira, 15 de julho, a Assembleia Nacional da França aprovou em definitivo a lei que legaliza a eutanásia e o suicídio assistido. Foram 291 votos a favor e 241 contra.
Depois de três anos de embate entre deputados e senadores, o texto que Emmanuel Macron transformou em bandeira pessoal do seu governo se tornou realidade.
A França passa a integrar o grupo de países europeus que autorizam a morte provocada como resposta ao sofrimento. Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Espanha já caminham por essa mesma estrada.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu ainda vai enviar pontos controversos da lei ao Conselho Constitucional. A aplicação prática pode demorar. Mas o princípio já está selado nos livros da República. O Estado agora reconhece o direito de matar, desde que embrulhado em compaixão.
Um bispo advertiu antes do voto final
Dom Marc Aillet, bispo de Bayonne, falou antes da votação decisiva. Ele deixou um aviso grave aos parlamentares católicos. Quem votasse a favor da eutanásia não poderia mais se aproximar da comunhão.
Foi doutrina aplicada com coragem, num tempo em que muitos pastores preferem o silêncio.
A Conferência Episcopal Francesa também se pronunciou depois da aprovação. Chamou a lei de ruptura grave na história do país. Advertiu que a nova legislação vai mudar a forma como a França se relaciona com a velhice, com a deficiência e com a doença.
Quando o Estado decide quem sofre demais para viver
Todo projeto de eutanásia nasce disfarçado de misericórdia. Promete abreviar a dor. Promete dignidade. Promete escolha.
Mas por trás da promessa existe uma decisão terrível. Alguém, um médico, uma comissão, uma lei, vai definir quando uma vida deixou de valer a pena ser vivida.
Isso não é liberdade. É o Estado assumindo o papel que só pertence a Deus.
A Igreja Católica sempre ensinou que a vida humana é sagrada do primeiro instante até o último suspiro. Nenhum sofrimento, por mais real e por mais duro, apaga essa dignidade.
O doente terminal continua sendo filho de Deus. O idoso fragilizado continua sendo filho de Deus. A pessoa com deficiência continua sendo filho de Deus.
Quando uma nação começa a tratar a morte como solução administrativa, ela não elimina o sofrimento. Ela elimina quem sofre.
O que a França escolheu esquecer
Padre Pio passou a vida inteira sofrendo nas próprias carnes as chagas de Cristo. Ele nunca pediu para que aquela dor acabasse antes da hora que Deus determinasse. Ele oferecia. Unia sua cruz à Cruz do Calvário.
Esse é o entendimento católico da dor que a França acaba de rejeitar por lei. O sofrimento não é acidente sem sentido. Pode se tornar reparação, oferta, participação na obra da Redenção. Nenhum parlamento tem autoridade para apagar esse mistério.
O que agora recai sobre nós
Diante disso não cabe apenas indignação. Cabe reparação concreta.
A Liga de Resgate das Almas do Purgatório existe exatamente para isto: para lembrar que toda vida, até o último instante, tem valor diante de Deus, e que mesmo depois da morte a caridade cristã continua agindo por quem já partiu.
Rezar pela França hoje é rezar por milhares de doentes, de idosos e de pessoas fragilizadas que agora vivem sob uma lei que os classifica como candidatos à morte assistida. É rezar também pelos legisladores católicos que trocaram a comunhão por um voto.
Que Nossa Senhora de Fátima, que chorou diante da ofensa a Deus, interceda por essa nação que um dia foi chamada de filha primogênita da Igreja.
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