O sacerdote que voltou de Fátima ainda mais cético acabaria dedicando sua vida à investigação e à divulgação das aparições.

Uma primeira visita marcada pela desconfiança
Em 13 de setembro de 1917, milhares de pessoas caminhavam em direção à Cova da Iria, atraídas pelas notícias de que Nossa Senhora aparecia a três crianças.
Entre os presentes estava um sacerdote de 34 anos. Ele havia viajado até Fátima movido pela curiosidade, receando dar importância ao que talvez fosse, segundo suas próprias palavras, uma “ridícula superstição”.
Durante a aparição, permaneceu distante do local onde estavam Lúcia, Francisco e Jacinta. Percebeu uma diminuição da luz solar, mas aquilo lhe pareceu um fenômeno natural.
Ao deixar a Cova da Iria, sua conclusão foi direta:
“Regressei de Fátima mais cético.”
O sacerdote que deixava Fátima ainda desconfiado voltaria poucos dias depois. Dessa vez, desejava conhecer as três crianças.
O encontro com os pastorinhos
No dia 27 de setembro de 1917, padre Formigão voltou a Fátima para ouvir diretamente os pastorinhos.
Interrogou separadamente Francisco, Jacinta e Lúcia, comparando suas respostas e observando atentamente seu comportamento.
A simplicidade, a franqueza e a firmeza das crianças chamaram sua atenção. Mesmo submetidas a ameaças, interrogatórios e à prisão, elas permaneciam constantes em seus relatos.
Formigão reconheceu a sinceridade dos videntes, mas ainda reservou seu julgamento sobre a origem sobrenatural dos acontecimentos:
“É cedo demais para responder com segurança.”
Sua convicção amadureceria diante dos acontecimentos anunciados para outubro.
O milagre presenciado pelo padre
Em 13 de outubro de 1917, padre Formigão voltou à Cova da Iria. Dezenas de milhares de pessoas estavam reunidas naquele lugar, aguardando o sinal anunciado pelos pastorinhos.
Formigão testemunhou ter presenciado o fenômeno solar observado pela multidão. Segundo os relatos daquele dia, o Sol pareceu girar, emitir diferentes cores e aproximar-se da Terra, provocando espanto, orações e pedidos de perdão entre os presentes.
O que o sacerdote presenciou confirmou para ele a importância dos acontecimentos de Fátima e reforçou sua disposição de prosseguir com uma investigação profunda e minuciosa.
A partir de então, continuou recolhendo testemunhos, interrogando os pastorinhos e preservando documentos sobre as aparições.
O Apóstolo de Fátima
Nos anos seguintes, Formigão continuou interrogando os videntes, ouvindo testemunhas e reunindo documentos.
Por sua proximidade e pelo cuidado paternal que demonstrou para com as crianças, seria mais tarde chamado, afetuosamente, de “quarto pastorinho”.
Entre 1918 e 1956, escreveu numerosos artigos sobre Fátima, muitos deles sob o pseudônimo “Visconde de Montelo”.
Participou da criação de um boletim mensal chamado Voz da Fátima, ajudou na aquisição de terrenos próximos à Capelinha das Aparições e esteve ligado à organização dos Servitas de Nossa Senhora de Fátima, que auxiliavam os peregrinos.
Sua contribuição chegou até a imagem venerada na Capelinha.
Em 1919, deixou na Casa Fânzeres, em Braga, anotações baseadas nas descrições dos pastorinhos. Essas indicações contribuíram para orientar a execução da imagem de Nossa Senhora de Fátima que seria venerada na Capelinha das Aparições.
Formigão também difundiu o pedido de oração, penitência e reparação presente na mensagem de Fátima. Em 1926, fundou a Congregação das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima.
Aquele que chegara à Cova da Iria temendo encontrar uma superstição tornou-se conhecido como o “Apóstolo de Fátima”.
O legado do Venerável Padre Formigão
Padre Manuel Nunes Formigão morreu em Fátima, em 30 de janeiro de 1958.
Seu trabalho preservou alguns dos primeiros depoimentos dos pastorinhos, ajudou a organizar a investigação dos acontecimentos e contribuiu para que a mensagem de Fátima alcançasse milhares de pessoas.
Em 14 de abril de 2018, o Papa Francisco reconheceu suas virtudes heróicas. Desde então, ele possui o título de Venerável.
Sua causa de canonização permanece em andamento, aguardando o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão para que possa avançar para a beatificação.
Padre Formigão compreendeu que a mensagem recebida pelos pastorinhos precisava ser conhecida e dedicou grande parte de sua vida a esse fim.
Seu exemplo mostra que a prudência não se opõe à fé. Ele examinou os acontecimentos com cuidado e, depois de reconhecer sua importância, colocou seus dons a serviço da mensagem de Nossa Senhora.
Inspirada por esse mesmo zelo apostólico, a Associação Regina Fidei desenvolve uma iniciativa própria para divulgar os pedidos de Nossa Senhora de Fátima e levá-los a mais famílias.
Quem desejar participar desse trabalho de divulgação pode tornar-se um Missionário de Fátima da Regina Fidei.
QUERO ME TORNAR MISSIONÁRIO DE FÁTIMA DA REGINA FIDEI
Fontes e referências:
SANTUÁRIO DE FÁTIMA. Documentação Crítica de Fátima: seleção de documentos, 1917-1930. Documento 10. Fátima: Santuário de Fátima.
SANTUÁRIO DE FÁTIMA. Narrativa das aparições.
ESTEVES, Maria da Encarnação Vieira. Apóstolo de Fátima: Cón. Manuel Nunes Formigão. Braga: Editorial A.O., 1993.
VATICAN NEWS. “Promulgação de oito novos veneráveis”.
CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS REPARADORAS. Venerável Padre Manuel Nunes Formigão.




