O Diário de Santa Faustina registra, nos números 474 a 476, o episódio em que ela recebeu a fórmula desta oração e explica como rezá-la nas contas do Rosário.

Era 13 de setembro de 1935. Santa Faustina estava em Vilna quando, segundo o relato que depois registrou em seu Diário, teve uma visão que a impressionou profundamente.
Ela viu um anjo preparado para executar um castigo sobre a Terra, especialmente sobre um lugar que não quis identificar. Tentou suplicar por misericórdia, mas percebeu que suas próprias palavras pareciam impotentes. Então contemplou a Santíssima Trindade e sentiu nascer interiormente uma oração que começou a repetir diante de Deus.
O que aconteceu em seguida ficou registrado no número 475 do Diário: enquanto rezava, Faustina viu que o anjo já não podia executar o castigo.
E as palavras que ela rezava eram estas:
“Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro; pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós.”
Era o início de uma oração que, no dia seguinte, receberia sua forma completa.
Uma missão que havia começado anos antes
A história da Divina Misericórdia na vida de Santa Faustina não começou em 1935.
Na noite de 22 de fevereiro de 1931, no convento de Płock, na Polônia, Faustina escreveu ter visto Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos estava erguida em gesto de bênção e a outra tocava a veste à altura do peito. Dali partiam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido.
Foi nessa ocasião que ela recebeu a ordem de mandar pintar a imagem segundo aquilo que estava vendo, com a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós”.
Essa visão, registrada nos números 47 e 48 do Diário, marcou o início da missão que Santa Faustina entendia ter recebido: recordar ao mundo a misericórdia de Deus e chamar as almas à confiança em Jesus.
Quatro anos depois, a mesma missão ganharia uma de suas expressões mais conhecidas: o Terço – ou Coroinha – da Divina Misericórdia.
No dia seguinte, a oração recebeu sua forma
Na manhã de 14 de setembro de 1935, Santa Faustina entrou na capela.
O Diário, no número 476, registra que ela ouviu interiormente que deveria rezar novamente a oração recebida no dia anterior. Depois, foi-lhe indicado como rezá-la durante nove dias, utilizando as contas de um terço comum.
Como rezar o Terço da Divina Misericórdia
Segundo o texto da edição do Diário de Santa Faustina, usa-se um terço comum.
Primeiro, reza-se:
Pai-Nosso.
Ave-Maria.
Credo.
Depois, em cada conta grande – as contas do Pai-Nosso – reza-se:
“Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro.”
Nas dez contas pequenas — as contas da Ave-Maria — reza-se:
“Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”
Repete-se essa sequência nas cinco dezenas.
Ao final, reza-se três vezes:
“Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.”
Uma oração inteiramente voltada para Cristo
Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores riquezas do Terço da Divina Misericórdia.
O centro da oração não está em nós mesmos. Ela apresenta ao Pai o sacrifício de Jesus Cristo e suplica misericórdia “por nós e pelo mundo inteiro”.
João Paulo II destacou essa dimensão quando canonizou Santa Faustina, em 30 de abril de 2000. Naquela homilia, recordou que a misericórdia divina chega ao homem através do Coração de Cristo crucificado e relacionou os dois raios vistos por Faustina ao sangue e à água que brotaram do lado de Cristo na Cruz.
Na mesma celebração, o Papa determinou que o segundo Domingo da Páscoa passasse a ser chamado, em toda a Igreja, Domingo da Divina Misericórdia.
Portanto, essa devoção não deve ser entendida como uma espécie de fórmula mágica. Seu coração é profundamente cristocêntrico: a Paixão de Nosso Senhor, a expiação dos pecados, a confiança na misericórdia de Deus e a intercessão por toda a humanidade.
E há aqui uma distinção importante da doutrina católica. As experiências registradas por Santa Faustina pertencem ao campo das revelações privadas. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, elas não acrescentam nada à Revelação definitiva recebida em Jesus Cristo. Quando reconhecidas pela Igreja, podem ajudar os fiéis a viver mais profundamente a fé já revelada.
Por isso, o valor do Terço da Divina Misericórdia não está numa “nova doutrina”. Ele conduz precisamente ao centro da fé: Jesus Cristo morto e ressuscitado, oferecido por nós, e à confiança na misericórdia do Pai.
Uma oração que qualquer pessoa pode começar hoje
O Terço da Divina Misericórdia é simples. Não exige um objeto especial. Pode ser rezado nas mesmas contas do Rosário e, depois de aprendido, leva poucos minutos.
Mas sua brevidade não diminui sua profundidade.
Nas contas passam continuamente diante de nós o Corpo e o Sangue de Cristo, sua dolorosa Paixão, nossos próprios pecados, os pecados do mundo e uma súplica que ultrapassa nossos problemas pessoais:
“Tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”
É difícil imaginar uma oração mais atual.
Num mundo ferido pela violência, pelo pecado, pela divisão, pela indiferença religiosa e por tantas almas afastadas de Deus, Santa Faustina deixou registrada uma oração que não fecha o homem em si mesmo. Ela o obriga a rezar também pelos outros.
Talvez você nunca tenha rezado o Terço da Divina Misericórdia.
Agora já sabe de onde ele veio e como rezá-lo.
Pegue seu terço. Reserve alguns minutos. Apresente a Deus as pessoas que ama, os que sofrem, os pecadores, os agonizantes e também aqueles por quem ninguém se lembra de rezar.
E repita, conta após conta:
“Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”
Santa Faustina, apóstola da Divina Misericórdia, rogai por nós.
Ligue 0800 006 1223 e solicite sua estampa da Divina Misericórdia!
__________________________________
FONTES
- Santa Faustina Kowalska, Diário, §§ 47–48 e 474–476.
- Catecismo da Igreja Católica, § 67.
- João Paulo II, Homilia de canonização de Santa Faustina Kowalska, 30 de abril de 2000.
- Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, materiais históricos sobre Santa Faustina e a devoção à Divina Misericórdia.




