No Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador, uma religiosa brasileira recebeu pedidos de orações e Missas pelos falecidos.

Em uma noite, entre o final do século XVII e o início do século XVIII, Madre Vitória da Encarnação foi ao coro do Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador, na Bahia, e se colocou em oração junto à grade que o separava da igreja.
Ali estava o corpo de um falecido, que havia sido levado à igreja tarde demais para ser sepultado naquele dia. Por isso, o enterro ficara para o dia seguinte.
No silêncio, a religiosa ouviu um gemido.
Um pedido de Missas
Madre Vitória sentiu medo, mas tomou coragem e perguntou quem estava ali e de que precisava.
O falecido disse seu nome, que ela não reconheceu, e explicou que estava no Purgatório. Pediu que fossem celebradas Missas em seu favor, pois necessitava muito delas.
A Madre prometeu atender ao pedido e continuou rezando. No dia seguinte, procurou providenciar as Missas.
Segundo o relato biográfico, aquela alma voltou depois para agradecer.
Esse é um dos acontecimentos registrados na biografia de Madre Vitória, escrita pelo arcebispo Sebastião Monteiro da Vide e publicada em 1720, cinco anos depois da morte da religiosa.
Uma claridade durante a noite
Em outra ocasião, Madre Vitória já estava enferma e recebia assistência em sua cela, o pequeno quarto onde vivia.
Perto da meia-noite, a mulher que cuidava dela ouviu uma conversa. Uma forte claridade iluminava o aposento, e a acompanhante, sem compreender o que acontecia, perguntou com quem a Madre falava àquela hora.
A religiosa pediu que se acalmasse e dormisse. O susto, porém, foi tão grande que a mulher levantou a voz e acordou a comunidade. Algumas irmãs, tomadas de medo, buscaram companhia nas celas umas das outras.
Madre Vitória abriu a porta e levou a mulher que cuidava dela para outra cela. Depois, tranquilizou as demais religiosas e pediu que voltassem a descansar.
Na manhã seguinte, uma das irmãs insistiu em saber o que havia acontecido. Madre Vitória falou da falecida Luzia da Luz e pediu que fossem oferecidas orações e algumas Missas por sua alma.
A irmã prontamente atendeu. Ela também havia percebido, naquela noite, uma claridade semelhante a um relâmpago em sua própria cela.
Três marcas no ombro
As almas eram tão presentes na vida de Madre Vitória que ela as chamava de suas “amigas”.
Em certa ocasião, o contato com elas deixou marcas em um de seus ombros, semelhantes a três dedos de fogo. A religiosa mostrou o sinal a várias irmãs e comentou, com simplicidade, que suas “amigas” a haviam queimado.
Para aquelas religiosas, as marcas eram um sinal impressionante dos episódios que Madre Vitória relatava.
Uma brasileira dedicada à oração e à caridade
Madre Vitória nasceu em Salvador, em 1661, professou no Convento do Desterro em 1687 e morreu em 1715. Sua vida foi marcada pelo cuidado dos enfermos, pela caridade e pelas longas horas de oração diante do Santíssimo Sacramento.
Entre suas intenções, os falecidos ocupavam um lugar constante. Por eles, fazia vigílias, pedia Missas e convidava outras religiosas a rezar.
Hoje reconhecida como Serva de Deus, teve a fase diocesana de sua causa de beatificação aberta em Salvador, em 2019.
As almas precisam de orações
A Igreja ensina que as almas do Purgatório estão destinadas ao Céu e passam pela purificação necessária para entrar na presença de Deus. Os fiéis podem ajudá-las com orações, obras de caridade e, sobretudo, com o Santo Sacrifício da Missa.
Esse cuidado pelos falecidos inspira a Liga de Resgate das Almas do Purgatório, da Associação Regina Fidei.
Por meio de uma contribuição regular, os participantes ajudam a manter as Missas pelos falecidos e a divulgar esse apostolado, reunindo mais famílias em oração pelas almas.
Assim como Madre Vitória procurava atender aos pedidos que recebia, também hoje é possível dedicar aos falecidos uma lembrança perseverante e uma ajuda espiritual concreta.
CONHEÇA A LIGA DAS ALMAS E PARTICIPE DESSA OBRA DE ORAÇÃO
Fontes:
Sebastião Monteiro da Vide — História da vida e morte da Madre Sóror Vitória da Encarnação, Roma, 1720: § LI, pp. 61–62; § LII, pp. 62–64; § LVI, pp. 67–68.
Arquidiocese de Salvador — Serva de Deus Vitória da Encarnação: dados biográficos e abertura da causa de beatificação.
Catecismo da Igreja Católica, §§ 1030–1032: o Purgatório e os sufrágios pelos falecidos.





