A jovem que revelou a Santa Brígida os tormentos que sofria no Purgatório

Cabeça em chamas, correntes incandescentes e serpentes aos pés: uma visão sobre as penas do Purgatório e o auxílio que nossas orações podem oferecer.

Visão de Santa Brígida sobre os sofrimentos de uma alma no Purgatório

Uma jovem de família nobre gostava dos adornos, dos divertimentos e da admiração que sua aparência despertava.

Sua mãe incentivava aquela vaidade, alimentando despesas e prazeres que a afastavam de Deus.

A jovem vivia como se ainda tivesse muito tempo para mudar. Mesmo quando confessava seus pecados, voltava às mesmas faltas, sem abandonar aquilo que a levava a cometê-las.

Até que uma grave enfermidade a aproximou da morte.

Durante a doença, confessou-se novamente. A princípio, temia os castigos que seus pecados mereciam. Mas, quando a morte se tornou próxima, começou a recordar a Paixão de Nosso Senhor.

Pensou no sofrimento de Jesus e reconheceu quanto havia sido amada por Deus. Começou a chorar ao perceber quão pouco correspondera àquele amor.

Pediu misericórdia e desejou sinceramente corrigir sua vida, caso ainda tivesse tempo.

Morreu sinceramente arrependida e alcançou a salvação. Sua alma, porém, ainda precisava passar pelo Purgatório.

Mais tarde, segundo o relato, a jovem apareceu em sofrimento a Santa Brígida da Suécia (1303–1373), religiosa e mística conhecida pelas revelações que recebeu ao longo da vida.

A falecida contou à santa o que havia acontecido em seus últimos momentos e descreveu as penas que agora suportava.

A cabeça ardia por dentro e por fora

A cabeça que antes gostava de adornar para atrair olhares ardia interior e exteriormente. As chamas lhe causavam um sofrimento terrível, descrito na visão como uma sensação de morte iminente.

Os ombros e os braços, que tanto desejava ver admirados, estavam presos por correntes de ferro incandescente.

Serpentes envolviam seus pés e os feriam com suas presas.

A jovem relacionava aquelas penas à vida que havia levado.

Recordava os adornos e os divertimentos pelos quais se deixara dominar. Lamentava também o incentivo recebido da mãe, que havia alimentado sua vaidade em vez de ajudá-la a corrigir seus excessos.

Agora, reconhecia o mal que antes acolhera com prazer. Estava salva pelo arrependimento, mas ainda sofria a purificação de seus pecados.

Havia também uma dor interior que descrevia como especialmente amarga: uma opressão violenta, como se uma pressão lhe comprimisse o coração até fazê-lo romper. Associava esse sofrimento ao orgulho que tanto havia estimado.

A jovem explicou a Santa Brígida que as orações e as obras de caridade oferecidas em seu favor aliviavam suas penas.

Comparou esse auxílio ao movimento de uma balança: enquanto ainda sofria as penas do Purgatório, as orações e as boas obras oferecidas em seu favor contribuíam para aliviá-las e aproximá-la do Céu.

A prima que ouviu o relato

Depois da visão, Santa Brígida contou o que havia presenciado a uma prima da falecida. Essa mulher também se deixava conduzir pela vaidade e pelos prazeres mundanos.

Ao saber das penas de sua parente, ficou profundamente abalada. Aquilo que ouvira dizia respeito ao caminho que ela própria estava seguindo.

Ainda podia mudar de vida.

Abandonou os excessos e ingressou numa ordem religiosa de vida austera, na qual passou a dedicar-se à penitência. O conhecimento do sofrimento da prima a levou a procurar a conversão enquanto ainda tinha tempo.

A história nos deixa esse convite à conversão e um pedido de caridade: continuar oferecendo auxílio às almas que aguardam sua purificação.

Podemos fazer isso pelos nossos falecidos, apresentando seus nomes a Deus e oferecendo por eles nossas orações e a Santa Missa.

É para ajudar os fiéis a perseverar nessa caridade que existe a Liga de Resgate das Almas do Purgatório.

Os nomes incluídos no Velário são lembrados nas Santas Missas semanais da Liga e nas orações das Religiosas Carmelitas que apoiam o apostolado.

Com uma contribuição mensal a partir de R$ 30, você ajuda a manter essas celebrações e a divulgar a oração pelos falecidos, especialmente pelos mais esquecidos.

Lembre-se de seus familiares falecidos e também das almas mais esquecidas. Confie seus nomes às orações da Liga de Resgate das Almas do Purgatório.


QUERO FAZER PARTE DA LIGA DE RESGATE DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

Fontes:

François-Xavier Schouppe, Purgatory: Illustrated by the Lives and Legends of the Saints, primeira parte, capítulo 29; Santa Brígida da Suécia, Revelações, livro VI, capítulo 52.

As descrições das penas e o relato da conversão da prima seguem a versão apresentada por Schouppe. As imagens corporais pertencem à linguagem da visão, que apresenta de maneira sensível o sofrimento de uma alma separada do corpo.

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